quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Tropeçar é parte do aprendizado

Perder para a Argentina nunca será algo encarado de maneira serena por boa parte dos brasileiros. Porém, é preciso entender o trabalho que Mano Menezes vem fazendo e criticá-lo apenas nos pontos condizentes.

A derrota por 1x0 foi totalmente circunstancial. Há na Argentina um jogador chamado Messi que a qualquer instante pode tirar um gol da cartola. Foi o que aconteceu - com alguma colaboração do Brasil - e foi o que determinou o resultado. Não havia tempo para mais nada em um jogo que havia sido bem disputado e com domínio brasileiro. O que precisamos entender é que HOJE, vestindo a camisa da Seleção, não há um jogador diferenciado como Messi ou Cristiano Ronaldo, ao menos não no setor ofensivo do time.

Temos que usar a nosso favor o que há de melhor disponível. Dunga entendeu isso e armou um time sólido defensivamente. Cometeu excessos e pagou o preço - exageradamente alto - pelas suas convicções. Agora Mano Menezes precisa aprender as suas lições com esse tropeço e evoluir dentro do seu trabalho. Douglas e Jucilei são alguns dos nomes inadmissíveis quando falamos de Seleção Brasileira. Outros precisam ser tratados como o que realmente são: jogadores de nível secundário e não peças fundamentais em um esquema. O que Ramires mostra para ser titular incontestável? O que é esse clamor exagerado por um Hernanes que nada significa e pouco mostrou em nível internacional?

Cada um no seu devido lugar. É essa a conclusão que Mano deve tirar dessa derrota contra a Argentina. Ainda há muito para ser testado e novos tropeços virão. É assim que precisamos ver o trabalho do treinador, que é bom, mas sempre poderá melhorar...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

HerMano e sua convocação

Ok, abusei no título. Não chego a achar que a convocação de Mano Menezes seja tão ruim a ponto de classificá-lo como amigo dos Hermanos, nossos adversários no amistoso que vem aí. Ainda assim estou longe de considerar essa lista ótima ou até mesmo boa. Para mim, Mano está pecando por estar com a síndrome de Jesus Cristo: quer agradar a todos e acaba não convencendo ninguém.

Explico: o treinador quer testar jogadores com idade olímpica, o que é certíssimo, mas os convoca apenas para observá-los nos treinos. Por que então não acompanhar os jovens nos seus clubes e convocar esses garotos apenas quando o adversário for menos forte para testá-los de fato? Não vejo necessidade em levar Neto, Rafael e André. São nomes que vão ficar no banco e nada vai acontecer. Por que não chamar Julio Cesar, Maicon e Luis Fabiano para sentir o clima com os jogadores que foram comandados por Dunga? É a hora de conferir quem está mesmo afim de continuar vestindo a Amarelinha e quem prefere ficar em casa.

Outro ponto é o excesso de brasileirização. Não há tantos bons nomes jogando aqui no Brasil, não faz sentido "forçar" convocações para valorizar o campeonato nacional. Jefferson, Réver, Jucilei e Elias não são jogadores ruins, pelo contrário, são muito bons no cenário brasileiro, mas não têm futuro na Seleção. São nomes muito discutíveis e que estão travando a remontada do time e a mistura do novo com a experiência. Lúcio, Juan, Elano, Kaká, esses nomes deveriam fazer parte do universo de jogadores a serem convocados. Não dá para ignorar gente que foi bem e vem bem há muito tempo só para dar uma moral para quem joga no Brasil.

Ronaldinho Gaúcho é caso a parte. Já teve mil chances, poucas vezes retribuiu a confiança depositada como deveria. Por outro lado, é difícil não achar que alguém com seu talento e sua carreira não mereça pelo menos um lugar no banco de reservas. Se aceitar esse papel, Gaúcho é muito bem vindo no planejamento de qualquer treinador. Vale a aposta, e vamos esperar que agora ela corresponda.

No final das contas, o que eu gostaria que o Mano entendesse é que ele está dando os passos certos, mas ao mesmo tempo, e isso não costuma dar certo. Houve jogos para se chamar jovens e apostas, e há jogos para fazer a "mistura final" entre os novos e os velhos. Contra a Argentina era a hora de já ter em mãos esse mix de jogadores, enquanto em jogos mais tranquilos o ideal seria escalar a molecada com dois ou três atletas mais experientes. Aí sim acho que a renovação acontece do jeito ideal, dando oportunidades no momento certo e mantendo o time competitivo em ação. Fica claro quem é a base e quem briga por vaga.

Vamos Mano, não me decepcione agora!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Inofensividades

* O que foi o juíz de Vasco e Botafogo? Péssima arbitragem, zero critério e deixou o jogo correr demais. Perdeu o controle da partida e atrapalhou o andamento do espetáculo. Aliás, o Botafogo foi mal demais e teve sorte em arrumar o empate. E Herrera continua adorando um cartão amarelo e, não é novidade para ninguém, acabou expulso estupidamente.

* Para comemorar seus 34 vitoriosos anos de vida, Ronaldo acabou ficando de fora do jogo contra o Santos. Quando será que ele volta aos gramados? Não sei se a torcida do Corinthians anda com esse tantão de paciência para esperar o Fenômeno ter condições de jogo. Alguma hora a boa relação da torcida com o atacante pode acabar...

* Quando foi que o Brasil virou a Bolívia no futebol? A CONMEBOL faz o que quer com o país na parte política sem consultar ninguém! Será que o Brasil significa tão pouco para o futebol sulamericano que é completamente aceitável agir assim, tirando uma vaga do país na Libertadores sem mais nem menos? A CBF já disse que vai entrar com um recurso para discutir a questão, mas não duvido nada que vá ficar por isso mesmo, como o lamentável episódio dos times mexicanos nas oitavas da Libertadores desse ano.

* Ih, o Santos perdeu para o Corinthians, mesmo com o Neymar em campo. Será que o Dorival fez falta? Acho que não, né... E o principezinho da Vila segue intocável. Parabéns diretoria santista.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Neymonstro

Após um período de férias, retorno para falar do mais recente episódio envolvendo o menino Neymar. O problema é que fica difícil até decidir por onde começar a falar, tendo em vista tudo que anda acontecendo com o jovem santista.

Verdade que Neymar é novo e que ainda vai amadurecer, mas isso não justifica sua postura em várias ocasiões. Chapelar adversários com o jogo parado foi uma prova de quão pequena é a cabeça do garoto. As incontáveis cavadas de falta e pênalti mostram como Neymar é um jogador que não se importa em sujar o nome de outros para se dar bem. Tudo isso feito com o aval de árbitros, dirigentes, companheiros de time e até de muita gente na imprensa, que acha tudo lindo.

É muito fácil ser bom vencedor. Difícil é ser bom perdedor. Na hora em que o Santos voava no Campeonato Paulista e todos eram só elogios, é fácil ser dócil e dar declarações ponderadas. Na hora que a corda aperta é que vemos quem tem cabeça e quem não tem. Neymar já deu mil provas de que ainda não tem e que há um longo caminho a percorrer até se tornar um jogador equilibrado.

Agora sem Ganso, Wesley e Robinho a coisa desandou, e tudo caiu sobre Neymar. Todos esperam que ele resolva os jogos para o Santos. Futebol para isso não falta ao garoto, mas o mental está atrapalhando. Mimado que é, Neymar vai ter que aprender na marra o que é ser um jogador de futebol de verdade.

Sábio René Simões, que tem a coragem de bater de frente com quem passa a mão na cabeça de um jogador talentosíssimo, mas que se não for educado, vai simplesmente se perder no meio da carreira. Essa postura lamentável, de total falta de respeito com tudo e todos - companheiros ou adversários - só vai afundar o menino.

Isso é apenas um lembrete para o mundo: Neymar não está pronto para ser o que seu futebol sugere.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

A Era da naturalidade

Começou uma nova fase na Seleção, e os primeiros 90 minutos de Mano Menezes como técnico do Brasil foram muito promissores. Depois de um começo nervoso, quando mostrou toda a falta de entrosamento dos jogadores. Nada mais natural.

Com o passar dos minutos a bola rodou mais, Ganso passou a aparecer mais no jogo, Ramires começou a se mover nos espaços vazios e o time cresceu. A zaga sofreu com alguns momentos de indecisão, mas mostrou potencial para ser igualmente boa à titularíssima dupla Juan e Lúcio. No meio, Lucas foi seguro o tempo todo e mostrou porque vem ganhando espaço no Liverpool.

Daniel Alves destoou do time, errando praticamente tudo que tentou. André Santos foi apenas correto, mas participou bastante. Pato brigou com a bola no início e demorou a achar seu espaço com Neymar na frente, mas depois a dupla passou a infernizar a defesa americana. No gol, Victor quase não teve trabalho e não se complicou.

Sobre os reservas, nem tudo são elogios. André até busca o jogo e se esforça, mas ainda não parece pronto para figurar nesse grupo. Diego Tardelli não tem nível de Seleção. Carlos Eduardo é uma opção válida, mas acredito que vá naturalmente perder espaço. Sobre Éderson, lamento que o meia não tenha tido chance de mostrar seu futebol. Não é nenhum craque, mas não merecia passar pelo que passou. Terá outra chance. Hernanes tem dias de bom volante, de saída versátil e bons passes, e dias de pura burocracia e sonolência. Hoje foi o segundo. É melhor ser o primeiro com mais frequência...

Vou deixar aqui as minhas notas para os jogadores:

Victor - 6
Daniel Alves - 4,5
David Luis - 7
Thiago Silva - 7
André Santos - 6
Lucas - 8,5
Ramires - 7
Ganso - 8
Robinho - 7,5
Neymar - 8,5
Pato - 8

Hernanes - 5
André - 6
Diego Tardelli - 5,5
Ederson - Sem nota
Carlos Eduardo - 6
Jucilei - Sem nota

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Quem é vilão no Morumbi?

Uma semifinal de Libertadores decisiva. Isso seria um belo chavão se não fosse mais verdade do que nunca, se tratando do jogo de ontem. O Internacional venceu o São Paulo, se garantiu na finalíssima do torneio e de lambuja levou a vaga no Mundial (graças à velha confusão envolvendo clubes mexicanos na final da Libertadores).

Há pouco o que falar da partida em si. O Colorado carimbou seu passaporte para os Emirados Árabes no primeiro jogo, quando não deixou o Tricolor jogar. No Morumbi, o São Paulo até mostrou mais gana, mas o Inter é mais time.

O momento é oportuno para falar mais do perdedor do que do vencedor. No Internacional tudo vai bem, obrigado, como deveria ser. No São Paulo a situação é mais complicada. Depois de escolher Muricy Ramalho como judas por seguidas eliminações na Libertadores, o Tricolor agora vai ter que caçar bruxas de novo. A bola da vez deve ser Ricardo Gomes, cujo contrato terminou hoje.

Vale a pena a reflexão: quando um nome vencedor como Muricy é sacado de um time como suposto responsável por algum fracasso, mesmo estando bem em outras competições, quer dizer que há algo errado. O problema nunca foi o comandante do Tricolor. O problema foi uma obrigação que o São Paulo criou em cima de si mesmo de ganhar uma competição que não se ganha todo dia. Libertadores não é Estadual. Talvez seja a hora de torcida e Direção do São Paulo repensarem essa postura, que a mim parece um bocado pretenciosa.

Parabéns ao Inter e que o Tricolor junte os cacos. É hora de mudanças no Morumbi, com a saída de Hernanes e a queda na Libertadores, e momento para pensar no Brasileirão mais do que nunca.

terça-feira, 27 de julho de 2010

O que é renovação?

A Era Mano começou. O substituto de Dunga foi escolhido e sua missão já era conhecida por todos os brasileiros. Não há como negar que 2010 foi o final de uma geração especial do Brasil e que agora começa o reinado de outra. O problema é que o real significado da palavra "renovação" é ignorado por muitos, e o próprio técnico parece ter escorregado em sua primeira lista.

Antes de comentar a convocação, é preciso apontar o primeiro equívoco de Mano. Ao não deixar claro que, nesses primeiros jogos, a regra será chamar jovens e deixar de fora os figurões, o treinador abre espaço para críticas. É mais do que claro que Júlio César, Maicon e Kaká (entre outros) fazem parte dos planos da Seleção, mas avisar nunca é demais.

Sendo assim, se é para testar os garotos, não faz sentido convocar Daniel Alves. Sabemos do que o lateral é capaz, assim como Robinho. Seria melhor testar outras opções nessas duas posições. A impressão que fica é que Mano decidiu jogar fora 90% do trabalho anterior (excetuando-se os grandes nomes) e começar tudo do zero. Um grande erro para quem planeja renovar.

Não vamos também ignorar os acertos do técnico. Muitos jovens terão merecidamente uma nova chance na Seleção. Pato, Lucas e Marcelo estão de volta. Além desses, David Luis, Rafael, Ganso e Sandro recebem sua primeira oportunidade. É uma ótima base de garotos para 2014, e resta ver se estão prontos para corresponder.

Alguns ficaram de fora. Para mim o jovem Denílson do Arsenal poderia estar nessa lista, mas não tenho dúvidas de que estará em alguma mais adiante. Diego, da Juventus, também merece uma outra chance. Esses são apenas detalhes, e com certeza Mano lembrará desses nomes nas próximas convocações.

Para mim o maior erro foi ignorar nomes importantes do trabalho anterior. Victor, Thiago Silva, Daniel Alves, Ramires e Robinho foram lembrados e estão presentes. Mas então por que deixar Elano de fora, uma vez que o meia sempre foi muito bem com a Amarelinha? A idade não é problema, nem o futebol jogador. Ao que parece, a exclusão do jogador foi apenas para dar um sumiço em uma das "ovelhas negras" de Dunga e ter mais tranquilidade nos primeiros momentos como treinador. Um erro. O técnico da Seleção tem que escolher os melhores, e certamente Elano está entre eles.

Há os nomes que geram certa desconfiança também nessa lista. Jefferson não é um goleiro ruim, mas não havia ninguém apostando em sua convocação. Renan, do Avaí, é um jovem que apareceu bem, mas mostrou pouco até agora. Ederson é quase anônimo no Brasil e com certeza vai ser alvo de críticas. Mas o "surpreendente" mesmo é Jucilei. Não há motivo algum para o volante estar no grupo da Seleção. E aí voltamos ao que disse antes: como pode estar Jucilei vestindo a camisa do Brasil e Elano, que vinha bem, assistir de casa?

Colocando na balança e sendo um pouco complacente com Mano, que teve que fazer uma lista com pouco tempo para pensar, o início é bom. O mais importante é que o técnico mostra desenvoltura na hora de falar com a imprensa e parece querer deixar suas escolhas às claras. Mas também vale um puxão de orelha pelos deslizes. Sou adepto da filosofia de esperar mais antes de criticar, e é o que farei. Vamos ver se as apostas e os jovens do Brasil vão jogar o que sabem e dar um pouco de tranquilidade a seu comandante.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O melhor da Copa

Hora de montar a seleção da Copa de 2010. Não é uma tarefa particularmente fácil, por uma série de motivos. O Mundial da África contou com destaques individuais em algumas posições, mas também evidenciou a falta de grandes nomes em outras.

Não há um grande lateral esquerdo no mundo. Nenhum jogador se destacou na função, e o escolhido se deu mais por não ter comprometido do que por ter apresentado um bom futebol. Outra posição complicada é a de primeiro volante. Quando o jovem e irregular Busquets se destaca, quer dizer que há algo de errado.

Mas nem tudo é tragédia dentro dos campos. Se essa foi a Copa do fracasso dos grandes nomes, foi o da afirmação dos bons jogadores. Gente como Forlán, Sneijder e Lahm pode mostrar que não apenas de contratos milionários se faz o futebol - não que estes ganhem trocados, mas deu para entender o ponto.

E a arbitragem? Seria fácil dizer que foi péssima, como muitos gostam de fazer. Precisamos lembrar que durante a primeira fase, o nível dos juízes foi bom, acima de Copas anteriores. Infelizmente no mata-mata tivemos dois erros inacreditáveis e que mudaram a história dos jogos. Inglaterra e México foram grosseiramente prejudicados. Na final, o ótimo Howard Webb também passou por maus bocados, embora não tenha chegado a comprometer. As últimas impressões não foram das melhores, mas não podemos esquecer do bom começo. Por isso digo que o nível dos "professores" na África do Sul foi mediano. Dá para melhorar, mas não chegou a ser ruim.

E agora, vamos aos melhores da Copa, com direito à técnico e juíz!

Casillas (ESP)
Lahm (ALE)
Friedrich (ALE)
Lúcio (BRA)
Capdevila (ESP)
Xavi (ESP)
Schweinsteiger (ALE)
Sneijder (HOL)
Muller (ALE)
Forlán (URU)
Villa (ESP)

Técnico: Óscar Tabarez (URU)

Árbitro: Rashan Irmatov (UZB)

domingo, 11 de julho de 2010

Um abraço ao povo holandês

Era um duelo cruel. Qualquer um que saísse perdedor sentiria muito o golpe. Claro que sempre é assim em uma final de Copa do Mundo, quando se está tão perto de um título dessa magnitude. Perder sempre dói. Mas para Holanda e Espanha, perder hoje seria especialmente trágico. A Fúria nunca tinha ido tão longe no Mundial e via a chance de colocar sua primeira estrela na camisa, com uma geração excepcional. Já a os holandeses, bi vices, tinham outra oportunidade para serem campeões e finalmente coroarem a boa escola de futebol do país. Nessa luta de traumas, um sairia curado e outro mais aleijado.

Deu Fúria. Apesar do excesso de preciosismo, dos erros de finalização e do nervosismo óbvio, a Espanha conseguiu superar uma Holanda mais cascuda e objetiva. Talvez essa tenha sido a vitória de um futebol mais romântico, aquele mesmo que em 74 e 78 - vestindo laranja - saiu derrotado contra Alemanha e Argentina, respectivamente. Com sorte essa será uma noite para lembrar que o futebol "à moda antiga" ainda pode vencer (apesar das dificuldades).

Poderia passar muito tempo falando dos méritos da Espanha, que são muitos. De fato, os espanhóis tem uma geração especial nas mãos, e em 2014 darão trabalho. Em um misto de experiência e juventude, a Espanha conseguiu jogar bem, bonito e vencer. Mas nessa hora acho mais importante falar da Holanda, a mais injustiçada das nações do futebol.

Pobre povo holandês, que amarga ver ótimos times, grandes jogadores e excepcionais campanhas coroadas com "fracassos". Entre aspas porque, para mim, 74 não é uma derrota; é uma vitória de prata, nada mais. Como é triste ver que Cruyff, Neeskens, Rijkaard, Gullit, Van Basten, Bergkamp, Van Nistelrooy, tantos jogadores de alto calibre sem um título mundial. Imagine a decepção que é perder duas vezes encantando e perder outra tentando convencer, justo contra quem tentava encantar. Dói.

Por isso deixo meu abraço ao povo holandês. Sou apenas mais um simpatizante da bonita e capaz escola de futebol do país, repito, a mais injustiçada no futebol. Merecia ser campeã. Talvez bi. Quem sabe tri? Mas segue com o uniforme sem estrela alguma. Quer saber? Ele é bonito assim, todo laranja mesmo. Foi sem título algum que a Holanda encantou e revelou dezenas de jogadores. Relaxe Amsterdã, a sua hora vai chegar, e eu vou estar aqui para ver!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Post 100: Um novo campeão

Post simbólico no Futeblog Mundial! Aproveito o centésimo post para agradecer aos meus poucos leitores. É para vocês que isso existe!

Aproveitando o clima de momentos especiais, nenhum assunto seria melhor do que a final desse domingo. Holanda e Espanha vão lutar para se sagrarem campeãs mundiais pela primeira vez, depois de campanhas similares e de suspeitas parecidas.

Antes da Copa, ninguém negava que a Fúria e a Laranja Mecânica tinham boas equipes. Individualmente eram bons times, com grandes jogadores e vinham de resultados excepcionais nas eliminatórias. O problema das duas seleções era o mesmo: a fama de amarelarem e morrerem na praia. Mesmo com tradição no futebol, a Espanha, coitada, nunca havia chegado a uma final sequer. A Holanda bateu na trave duas vezes, em 74 e 78, com uma geração espetacular. Por que acreditar que agora tudo seria diferente?

Villa e Sneijder fizeram a diferença. Além das duas equipes terem sistemas táticos eficientes e muita qualidade, esses dois jogadores desequilibraram a favor de seus times. Faltou isso à Argentina de Messi, ao Brasil de Kaká e à Inglaterra de Rooney. É a soma desses fatores (tática + qualidade individual + jogador especial) que faz uma seleção campeã.

Palpite para Espanha x Holanda? Difícil. Aposto em uma final complicada e acho que a coisa será decidida na prorrogação. Se fosse para colocar algum dinheiro, escolheria a Fúria como campeã, mas a Holanda merece mais o título. O Carrossel Holandês merece esse afago agora, atrasado, para lembrar o mundo que a escola do país é muito forte.

domingo, 4 de julho de 2010

O Massacre

Pronto, começou. Agora chegou a tão esperada hora para 90% dos jornalistas brasileiros, que mal podiam esconder a vontade de pisotear Dunga e seu trabalho. Chegou a hora do banquete e do massacre.

De agora em diante, a "Era Dunga" será tratada como a Idade das Trevas da Seleção. A partir de hoje, tudo estava errado, nada fazia sentido e jogamos uma Copa no lixo. Desde o final do jogo contra a Holanda instituiu-se a mais do que manjada caça às bruxas e teve início o processo de renovação total e absoluta do time, além do resgate do "verdadeiro" futebol brasileiro.

Isso é lamentável e vergonhoso.

Volta agora a velha conversa de Gansos e Neymares, de jogadores totalmente inexperientes e que fariam toda a diferença em um torneio do mais alto calibre. E reclama-se infinitamente de Michel Bastos, Felipe Melo, Josué, Gilberto Silva, como se fosse possível montar um time com 7 atacantes e 3 zagueiros. Isso é muito triste.

Mais triste que isso é ver o desrespeito com que são tratados os que nos representaram na África do Sul. Ninguém foi até lá para perder. Não faltou vontade. Não faltou envolvimento do time com a "causa". E ainda assim, alguns serão massacrados. Tudo está jogado no lixo. Foram 4 anos de nada. Esse é o "país apaixonado por futebol". Triste.

O Brasil, ou parte dele, decidiu eleger Maradona como herói salvador do futebol sulamericano. Maradona sai da Copa tomando uma goleada com um time totalmente inoperante, e é ídolo. Dunga perde em jogo duro, e é vilão. Não há nada errado nisso?

O "verdadeiro" futebol brasileiro morreu quando parte da imprensa passou a achar que pode fazer o papel de torcida e eleger seus queridinhos e seus malvados. Agora, para 2014, teremos quatro anos de lobby por Neymar, Hernanes, Ganso, Coutinho...

A dolorosa verdade sobre todo esse chilique que alguns jornalistas e torcedores dão em cima da seleção é que tudo não passa de recalque e inveja. Alguns se dõem porque seus lindos jogadores não estão vestindo a Amarelinha e ficam querendo que o Brasil tivesse um Özil, um Messi, um Villa... O Brasil não os têm. Talvez se essas pessoas entendessem que boas gerações surgem de tempos em tempos e que, agora, não estamos em alta, o escândalo seria menor.

Se o brasileiro soubesse perder, a maioria dos problemas que o futebol tem por aqui não aconteceria. Mas isso, aparentemente, ainda vai demorar para acontecer. Até lá seguiremos nos degladiando nos estádios e maltratando nossos jogadores e técnicos.

Paciência.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Queda e retomada

O Brasil caiu. Estou triste, também sou torcedor, e perder sempre dói. Mais do que isso, o Brasil perdeu cometendo erros que não cometeu em quatro anos, desde a eliminação para a França em 2006.

Na fatídica partida no Mundial passado, o pior não foi a derrota dentro de campo. Em um jogo onde o Brasil foi mal e apático, doeu mais ver o descaso dos jogadores com o resultado. Aceitavam a dominação francesa e assim foi até o final. A situação hoje foi outra.

Nunca faltou garra ao time de Dunga. Também nunca faltou competência à ótima zaga, ao excelente goleiro. Felipe Melo pode ser pintado de vilão agora, mas nunca havia perdido usando a Amarelinha. Mais que isso, tinha resolvido alguns problemas no meio campo do Brasil (trazendo outros consigo, mas nenhum jogador é apenas qualidades). Infelizmente neste 2 de junho, uma conjunção de fatores tirou a seleção da Copa.

Quem poderia dizer que Júlio César falharia no primeiro jogo em que seria cobrado? E o que falar do setor defensivo tão forte e que tinha solucionado o problema de bolas aéreas da zaga brasileira, que hoje acabou também errando. Culpados? Nenhum em especial, e todos. Mas nada de dramático e exagerado; derrotas acontecem. O Brasil, um dos favoritos para a conquista do título, caiu para um rival direto.

Agora é a hora da retomada. As feridas vão fechar e os erros serão corrigidos. Muitas críticas foram feitas a esse grupo, algumas desmedidas e outras não. Esse é o momento de evoluir, de salvar o (muito) de bom que teve o trabalho de Dunga em quatro anos de seleção e acertar os problemas. Talvez alguns tenham razão ao dizer que pode ter faltado opção no banco ou talento no campo, mas o amor de vestir a camisa voltou. Isso não tem preço.

Estamos acostumados a ganhar, e talvez por isso as derrotas sejam ainda piores. Mas 2014 vem aí, e com a próxima Copa vem também uma nova esperança, uma nova chance. A vida é assim, feita de quedas e aprendizados. Vamos mostrar que aprendemos mais essa lição. É preciso saber perder. É preciso dar méritos aos vencedores e não desmoralizar os perdedores.

Caímos como um time de garra e que lutou até o fim. Isso sim é o que importa. Sair sentido pela derrota é melhor do que alheio ao fracasso. Por isso, e muito mais, 2010 significa uma derrota melhor (e pior, contraditoriamente) do que 2006. Pode não bastar para muitos, mas é um passo adiante. Agora começa uma nova caminhada rumo ao Hexa. Vamos Brasil!

PS: Caio Fernandes Lemos é jornalista e torcedor fanático da Seleção.

domingo, 27 de junho de 2010

Seleção da primeira fase

Óbvio que nunca uma "seleção" será unanimidade (ninguém sabe disso melhor do que o nosso amigo Dunga), mas montei uma de acordo com o que vi na primeira fase da Copa do Mundo. Bem verdade que escolhi alguns jogadores que não avançaram para o mata-mata, e muitos podem discordar desses nomes, mas a grande verdade é que foi até agora uma Copa de poucos destaques individuais.

A Espanha, uma das favoritas à conquista do título, não tem um nome na seleção da primeira fase. Por que? Primeiro porque decepcionou, e segundo porque individualmente, ninguém brilhou. Villa fez boas partidas, mas desperdiçou gols demais, Xavi ainda está muito tímido na criação das jogadas, Casillas não fez a diferença em jogo algum... Por isso, antes que a cornetagem começa solta (caso alguém realmente leia isso aqui), pense bem nas atuações individuais desses jogadores e não nas suas equipes.

Benaglio
Maicon
Lúcio
Grichting
Lahm
Schweinsteiger
De Rossi
Donovan
Ozil
Messi
Forlán

Fim da brincadeira - Terceira rodada

Atrasado, de novo. É difícil achar tempo para postar no meio de tantos jogos, debates e polêmicas. Agora acabou a brincadeira e é a hora de ver quem está na Copa pra valer e quem só conseguiu mais um joguinho de brinde.

A terceira rodada acabou e as oitavas já começaram (mas o mata-mata será assunto para o próximo post). Entre classificados e eliminados, ficou um sabor amargo para alguns times que tinham uma situação encaminhada e tropeçaram em si mesmos. A África do Sul acabou se complicando quando permitiu o empate do México lá na primeira rodada; a Nigéria vai lamentar muito a virada sofrida contra a Grécia no segundo jogo; a Eslovênia fez tudo certo, mas acabou ficando de fora por puro acaso; a Sérvia também vai chorar a derrota contra Gana; a Dinamarca morreu na praia para o Japão (zebra da Copa, na minha opinião); a Itália mereceu ficar de fora e precisa acordar para se renovar; a Costa do Marfim não deve mais achar um empate com Portugal um bom resultado; e a Suíça vai demorar para esquecer o gol sofrido contra o Chile.

E agora? Agora é recolher os cacos, sacodir a poeira e pensar 2014.

Seleção da terceira rodada:

Eduardo
Maicon
Lúcio
Terry
Lahm
Mascherano
Schweinsteiger
Donovan
Honda
Vittek
Villa

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Segunda rodada: mais gols e menos zebras

Tudo bem que ainda tem seleção devendo futebol, mas não dá para negar a melhora da maioria dos times nessa segunda rodada. Aliás, não só as equipes (ou a maioria delas) mas também a "graça" dos jogos. Depois de partidas onde houve muito respeito, com as seleções buscando não se complicarem na Copa, agora começou aquela fase do tudo ou nada para algumas.

Brasil e Holanda mostraram que são mesmo favoritos ao título, garantindo com antecedência a passagem para as oitavas-de-final. A Argentina está muito bem encaminhada, como era de se esperar. Há também aqueles com boas chances, mas que ainda terão que suar a camisa na última rodada, a emoção que tempera a Copa.

Destaque positivo até agora são as arbitragens: o nível dos juízes está melhor do que vemos nas maioria das competições ao redor do mundo e até mesmo em Copas anteriores. Verdade que o Brasil sofreu com o fraco Lannoy em sua partida contra a Costa do Marfim, e o juíz de Chile x Suíça deixou a desejar, mas foram exceções. Os (poucos) gols ilegais e lances duvidosos que aconteceram até agora foram sempre muito difíceis de serem vistos e os árbitros (e seus assistentes) estão de parabéns até agora.

Vamos então à seleção da rodada:

Benaglio
Lichsteiner
Piqué
Lúcio
Ashley Cole
De Rossi
Raúl Meirelles
Rommedahl
Donovan
Luis Fabiano
Higuaín

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Fim da primeira rodada

Está atrasado, mas vale! Queria fazer um pequeno balanço da primeira rodada da Copa do Mundo, que decepcionou muita gente pelo que ando ouvindo por aí.

A média de gols realmente é baixa, mas não chego a dizer que é uma surpresa. Se analisarmos jogo por jogo, veremos que houve muitos confrontos importantes e, como se trata de uma partida decisiva logo na primeira rodada é de se esperar posturas conservadoras. Talvez não seja o suficiente para "justificar" a falta de bola na rede, mas é um atenuante forte.

Houve também quem reclamasse do nível técnico. Normal. Com jogos mais pegados, fica difícil mostrar um futebol mais vistoso. Apesar disso, a Alemanha surpreendeu positivamente, a Espanha (mesmo com um resultado péssimo e inesperado) jogou bonito, o Chile também buscou o ataque...

Inesquecível mesmo será o frango de Green, da Inglaterra, a cena de Jong Tae Se chorando no hino norte-coreano, a festa dos sulafricanos nos estádios... Isso é o que realmente importa na Copa do Mundo!

Por fim, uma pequena seleção da primeira rodada da fase de grupos. Sintam-se livres para discordar e opinar:

Enyeama
Maicon
Rafa Marquez
Grichting
Lahm
Schweinsteiger
De Rossi
Gerrard
Özil
Messi
Forlán

terça-feira, 15 de junho de 2010

Seleção Brasileira, a Justiceira do mundo

Hoje é dia de estreia para o Brasil, o primeiro passo da possível caminhada rumo ao Hexa. Para os torcedores, hora de torcer. Para os críticos, hora de secar. Mas pensando no jogo desta tarde e relembrando alguns fatos recente, tive um estalo (que até me demorou para acontecer, acho), e surgiu esse post.

O Brasil tem a obrigação moral e cívica de vencer a Coreia do Norte. Para todos aqueles que disseram que a partida contra o Zimbábue era um disparate e uma aberração política, perder hoje para os norte coreanos significa a mesma coisa. Um resultado negativo é dar armas ao regime ditatorial da Coreia do Norte, coisa que o mundo não quer. Perder será envergonhar e decepcionar todo o mundo livre e acenar feliz para tiranos sanguinários.

Aliás, vou além: o Brasil também não pode perder para a Alemanha. O Nazismo de Hitler não pode ficar esquecido no passado! No caso de um cruzamento com os germânicos, nós temos que vencer e não deixar que os novos herdeiros do Reich se esqueçam das atrocidades que cometeram. O Brasil tem que punir, através do futebol, as mazelas do mundo!

E os italianos também, podem esperar. Mussolini vive através de vocês, e nós do Brasil não vamos deixar isso para trás. Vocês não vão triunfar! E se houvesse uma China, na Copa, faríamos o mesmo. E com a Rússia, os antigos soviéticos malvados! Argentinos! Espanhóis! Todos vocês sofrerão nas mãos da Seleção Brasileira, a Justiceira do mundo, vingadora dos povos oprimidos e Arauto da Paz Mundial.

O Brasil nunca vai dará armas para regimes totalitários e violentos. Não deixará que o passado negro de países caia em esquecimento. Por isso, ao final da Copa, entregaremos o jogo para alguma seleção boazinha que nunca tenha feito mal a ninguém, que nunca tenha sido manchada por um Ditador ou um governo ilegítimo. Na final, perderemos para.... os Estados Unidos.

PS: Esse é um texto repleto de ironia.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Aquecimento para a Copa - Grupo H

Seleções: Espanha, Suíça, Honduras e Chile.

Como uma das maiores favoritas à conquista da Copa do Mundo, a Espanha não entra na briga por vaga alguma no Grupo H. Fato que se classificará, provavelmente ganhando as 3 partidas e sem nenhum susto. Dá até para prever sacolada em cima de Honduras e talvez sobre o Chile. Já contra a Suíça o jogo deve ser mais chato, já que as suíços adoram uma retranca e inegavelmente sabem como fazê-la.

Deixando então a Fúria de lado, vamos falar dos outros times.

Honduras não oferece perigo. É uma seleção frágil, em todos os aspectos, táticamente, na parte técnica, física... É provavelmente o time mais baixo da Copa do Mundo, sem grandes destaques e sem conjunto. Talvez seja até mesmo pior que a Nova Zelândia. Acho que sairá do Mundial sem nenhuma vitória sequer.

O Chile pode aprontar uma graça. Sob o comando de Loco Bielsa os chilenos conseguiram surpreender muita gente nas eliminatórias sulamericanas jogando um futebol muito ofensivo. O problema é que o time não é totalmente confiável na defesa e pode acabar se complicando até mesmo contra adversários do mesmo nível, que dirá contra seleções mais fortes. O jogo chave é contra a Suíça, já que ninguém deve ganhar da Espanha e, quem quiser a vaga, não pode perder para Honduras.

A Suíça é um time que atrai poucos simpatizantes. Jogando um futebol feio, defensivo e muitas vezes extremamente tedioso, o time conseguiu a façanha de ser o primeiro eliminado de uma Copa do Mundo sem tomar nenhum gol (em 2006, quando saiu nas oitavas contra a Ucrânia, na disputa de pênaltis). Levo fé que a história vai ser parecida nesse ano. A Fúria deve vencer os suíços, mas será a partida mais chata para os espanhóis na primeira fase. A Suíça vai dar a vida por um valiosíssimo empate. Depois vem o confronto direto com o Chile, e podem ser dois cenários diferentes. Caso não tenha perdido para a Espanha (difícil), a Suíça joga de novo apenas para empatar; caso tenha sido derrotada, tem que vencer, o que não é um resultado improvável. Contra Honduras é que mora o perigo, já que o adversário deve se expor pouco e a Suíça tem um ataque péssimo. Se não se atrapalhar nesse jogo e conseguir vencer, avança.

Levo mais fé nos suíços do que nos chilenos por causa da solidez defensiva. A Suíça já entendeu que melhor do que marcar gols e não levá-los. Assim o time pode chegar de novo às oitavas e tentar a sorte mais uma vez.

Passam de fase: Espanha e Suíça.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Aquecimento para a Copa - Grupo G

Seleções: Brasil, Coréia do Norte, Costa do Marfim e Portugal.

Assim que o sorteio dos grupos da Copa do Mundo acabou, muitos disseram que esse era o "Grupo da Morte" da vez. Para Portugal e Costa do Marfim, com certeza é. Para o Brasil, nem tanto.

Não vou ficar falando muito sobre nossa seleção, até porque já o fiz demais aqui no Futeblog em posts passados. Para quem duvida da força do Brasil, é só pegar o retrospecto dos últimos 4 anos e analisar. Chegamos à Copa entre os três favoritos e, deles, temos disparado a camisa mais pesada (Espanha e Inglaterra estão longe de serem "papões" no quesito Copa do Mundo). Acho que isso já é o suficiente para colocar o Brasil como nome certo nas oitavas da competição. Se vai suar, empatar, jogar feio, não importa; fato é que estaremos no mata-mata.

Costa do Marfim e Portugal vão brigar pela segunda vaga. Acho que os portugueses saem em vantagem nessa briga, por dois motivos. O primeiro é Cristiano Ronaldo e isso dispensa muitos comentários. Claro que alguns vão dizer que na seleção ele não é o mesmo do que jogando pelo Real Madrid, mas então podemos dizer o mesmo de Messi e diminuir sua importância na Argentina? Eu não faria isso. O segundo é a ordem dos confrontos: Portugal pega a Coréia no segundo jogo já ciente do que o time tem para mostrar (pouco, mas é bem verdade que pouca gente pode dizer que conhece minimamente o time coreano) e pode aproveitar para sacolar. Depois, contra o Brasil, pode contar com um adversário já classificado e ter uma vida mais tranquila. É só não vacilar na estreia, contra os marfinenses, que provavelmente não terão Drogba na partida mais importante do grupo para as pretensões da seleção.

Falando da Costa do Marfim, o time é bom e defensivamente mais sólido que Portugal. Isso pode fazer diferença no jogo entre as duas seleções. O problema é a ausência da estrela maior do time, já citada no parágrafo anterior. Há também o problema crônico das seleções africanas em geral, que é a falta de um bom organizador de jogo, então deve caber ao ponta Kalou fazer a ligação meio campo - ataque, e isso na base da correria, claro. Pode funcionar contra a Coréia e talvez contra Portugal, mas contra uma seleção forte defensivamente e com esquema mais encaixado (Brasil, por exemplo), Kalou vai acabar anulado. Isso atrapalhará demais a Costa do Marfim.

Para não dizerem que ignorei a Coréia, é bom muita gente abrir os olhos. Os norte-coreanos estão longe de serem sequer um time mediano, mas quem acha que eles vão sair sem fazer barulho está enganado. A seleção não é nenhuma "baba" como a Nova Zelândia e se alguém vacilar, pode acabar tomando um susto. Jong Tae-Se sabe alguma coisa de futebol e há mais um ou dois jogadores que podem incomodar. Acho que sai da Copa sem nenhum ponto, mas se acabar ganhando uma das partidas em um descuido de alguém não será surpresa para mim.

Passam de fase: Brasil e Portugal.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Aquecimento para a Copa - Grupo F

Seleções: Itália, Paraguai, Nova Zelândia e Eslováquia.

Para início de conversa, a Nova Zelândia não fará nada na Copa do Mundo. Legal para os jogadores, vão participar da competição mais importante do futebol, farão um turismo pela África, alguém pode jogar uma bola mais ou menos e conseguir um contrato em um time pequeno da Europa, mas é isso. Isso é o máximo de aspiração que os neozelandeses têm, e está de ótimo tamanho.

Indo para quem realmente pode apresentar alguma coisa, a Itália tem problemas, mas se deu bem no sorteio. Além de cair em um grupo sem seleções de peso, ainda terá adversários que jogam um futebol que tem tudo para facilitar o trabalho. A Azzurra tem um time envelhecido onde os maiores nomes vêm de temporadas fracas; além disso faltam boas opções. A defesa não mostra aquela força que é marca registrada de seleções italianas do passado, o meio campo sofre com a falta de criatividade dos titulares e o ataque faz poucos gols, já que o meio não colabora. Exceção talvez seja Di Natale, que foi bem no Campeonato Italiano, chegando à artilharia da competição.

O Paraguai teve um início de eliminatória muito bom na América do Sul. Liderou por algum tempo, parecia ter um padrão de jogo sólido e eficiente. A casa acabou caindo com o tempo, e o time de alguma forma regrediu à uma retranca inconsistente e pouco criativa. Verdade que o sucesso ofensivo do time passava muito por Cabañas, que não jogará a Copa, ainda se recuperando após ser baleado na cabeça no início do ano. Não dá para esperar muito desse Paraguai que chega à África do Sul. Talvez avance para as oitavas, não é impossível em um grupo como esse, mas mesmo assim não acredito em vida fácil.

A Eslováquia pode surpreender. Ao contrário de outras seleções européias desconhecidas ou de menos glamour, que se apóiam em jogos coletivos (já que não têm grandes nomes), a Eslováquia possui um pequeno grupo de jogadores que se destaca. Skrtel é bom zagueiro, o lateral Cech é correto, o meia Weiss (apesar de desconhecido) joga de maneira bem aguda e objetiva, e Hamsik chega como craque do time. Óbvio que o jovem do Napoli não é nenhum gênio, mas dentro de uma equipe arrumada e que com certeza vai jogar todas as bolas com ele, Hamsik pode brilhar. Verdade que o meia mostrou ao longo do ano que é capaz de fazer ótimas partidas e simplesmente desaparecer em outras. A Eslováquia reza para que ele seja capaz de brilhar em pelo menos duas ou três, e isso bastará para levar à seleção ao mata-mata e fazer história.

Itália e Paraguai abrem o grupo em jogo que promete ser um dos piores da Copa. Não espero nada diferente de um empate. Se a Eslováquia fizer o que se espera dela, ou seja, vencer a Nova Zelândia (e sacolando se for possível), já sai na frente. Na rodada seguinte, a Itália deve somar os 3 pontos contra os Neozelandeses e aí Eslováquia e Paraguai se matam pela vitória. Sem dúvidas que Hamsik e companhia vão chegar bem menos pressionados que os paraguaios para esse jogo. Sabendo manter a calma e garantindo mais 3 pontos, os eslovacos carimbam o passaporte para as oitavas. Assim, na última rodada, todos só cumprem tabela. Vai ser um grupo duro de assistir, talvez um dos piores da história das Copas do Mundo.

Passam de fase: Itália e Eslováquia

domingo, 6 de junho de 2010

Aquecimento para a Copa - Grupo E

Seleções: Holanda, Dinamarca, Japão e Camarões.

A história do Grupo E já começa com a certeza de que a Holanda vai se classificar e provavelmente em primeiro. Com uma equipe muito técnica, os holandeses são competentes da defesa ao ataque, jogando um futebol ofensivo. Verdade que isso faz com que a zaga sofra um pouco, o que dá alguns sustos na torcida, mas nada que comprometa o time na primeira fase. É no mata-mata que a Holanda vai começar a sua Copa do Mundo, e aí Sneijder, Van Persie e Robben - os principais nomes do time do meio para frente - vão ter que mostrar o seu melhor e garantir o sucesso Laranja.

Com esse domínio holandês, Dinamarca, Japão e Camarões vão batalhar pela outra vaga nas oitavas de final. Para os japoneses, infelizmente não há muitas chances. Com um time pior do outros de Copas passadas, o Japão sofre para fazer gols e para não tomá-los. Os resultados pré-mundial não foram bons e o futebol apresentado menos ainda. Claro que com a habitual entrega, espírito coletivo e consciência tática, o Japão pode fazer uma graça e acabar surpreendendo alguém, mas não apostaria nisso.

Os dinamarqueses também não têm um timaço, mas contam com bons jogadores nos lugares certos. Sorensen é um goleiro seguro; Agger e Kjaer são defensores que não costumam entregar; Poulsen fez uma temporada ruim, mas é do tipo de volante que não tem vergonha de bater quando precisa; Rommedahl e Gronkjaer (ambos já com mais de 30 anos) dão um toque de experiência e qualidade no meio e, no ataque, cabe ao jovem Bendtner decidir. No início da temporada 2009/2010, dizer que um time dependia de Bendtner para fazer gols queria dizer que esse time estava fadado ao fracasso. Não que ele fosse um jogador ruim, longe disso, mas a verdade era que faltava espírito matador para o atacante. Depois de um ótimo ano no Arsenal, quando mostrou grande evolução em todos os aspectos, o jovem tem agora esse novo desafio.

Por fim, Camarões depende demais de Eto'o para conseguir algo na Copa do Mundo. O atacante costuma corresponder mesmo sob enorme pressão, mas para isso precisa ter a bola nos pés. Esse é o problema da seleção camaronesa, o setor de criação no meio. A parte defensiva não deve comprometer, mas também não pode ser tida como destaque. Vai sobrar disposição na mesma proporção que vai faltar refinamento, e sempre foi assim que seleções africanas cresceram e surpreenderam ao longo da história. Uma vaga no mata-mata seria uma grande conquista para os camaroneses, mas essa deve ser a maior aspiração do time.

O jogo chave é, óbvio, o confronto direto entre Dinamarca e Camarões. Só que os africanos têm uma pequena vantagem, pois enfrentam a Holanda na última rodada da fase de grupos, provavelmente já classificada e talvez poupando alguns jogadores. O cenário para a Dinamarca é o oposto; pegando os holandeses na estreia e com força total. No meio dessa guerra toda há o Japão tentando surpreender alguém, e talvez consiga um empate ou uma vitória que vai complicar a situação de alguma seleção. Caso Dinamarca e Camarões façam o dever de casa (vencer o Japão), decidem a vida no segundo jogo, o confronto direto. Nele, acho que os dinamarqueses têm mais chance de saírem com os 3 pontos e isso deve definir o classificado.

Passam de fase: Holanda e Dinamarca.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Aquecimento para a Copa - Grupo D

Seleções: Alemanha, Austrália, Sérvia e Gana.

Em condições normais, esse seria um grupo muito equilibrado, mas se analisarmos as situações das selecóes veremos que ele é, na verdade, quase uma loteria. Essa afirmação pode soar um pouco exagerada, mas há motivos de sobras para acreditar que ninguém está com certeza classificado ou eliminado antes da bola rolar.

A Alemanha com certeza é a seleção mais tradicional dentre as quatro, mas sofre com um ataque inoperante (apesar dos bons nomes). Klose, Gomez e Podolski fizeram temporadas ruins, longe do seu verdadeiro potencial. O jovem Muller, de apenas 20 anos, e o brasileiro naturalizado alemão Cacau foram os atacantes mais eficientes da equipe durante o ano, e ambos são tidos como reservas. Além disso há a ausência de Ballack, que faz sim muita falta. Muitos dizem que o meia nunca correspondeu às expectativas depositadas nele, e isso pode até ser verdade, mas não o tira do posto de destaque no time. Para completar, a zaga alemã é segura, mas abaixo de outras defesas que marcaram época, e nenhum dos três goleiros convocados (Wiese, Butt e Adler) são unanimidade entre a torcida e oscilam muito.

Nem tudo é caos na Alemanha. Essa pode ser a chance para Schweinsteiger (ê nome difícil de escrever) assumir seu lugar como uma das lideranças da seleção. O meia é ótimo jogador no Bayern, mas não consegue ter o mesmo impacto na equipe nacional. Agora pode ser a hora, e Bastian (para ficar mais fácil) deve saber disso.

Esse cenário alemão dá esperanças à Austrália, que tem um time envelhecido e pouco talentoso, mas minimamente competente. Jogando aquele futebol muito pegado que todo mundo conhece, os Socceroos têm os mesmos destaques da Copa passada, o que mostra a carência na renovação da seleção. Isso pode não atrapalhar em nada a Austrália, que em um grupo tão nivelado, deve buscar uma vitória contra Gana e dois empates nos outros jogos. É só torcer contra os outros...

A Sérvia vem com um bom time, mas que precisa superar o trauma de 2006, quando também chegou com a esperança de conseguir uma vaga nas oitavas de final. Só que em um grupo mais complicado que o de agora, os sérvios sofreram e, para fechar o caixão, foram humilhados pela Argentina no último jogo da competição. No papel, a equipe da Sérvia é provavelmente a mais técnica e equilibrada do grupo D. Stankovic, Krasic, Kolarov, Vidic, todos são jogadores importantes em seus clubes e vêm de temporadas boas. O problema é que o time não tem um centroavante confiável e terá que contar com muita bola aérea para o grandalhão Zigic (de mais de 2 metros!) e seja o que Deus quiser. O time promete dar show no meio e frustrar no ataque.

Fechando o grupo, Gana talvez seja a azarona da história. É um bom time, mas vai à Copa sem Essien, o melhor jogador do time e, para muitos, melhor volante do mundo. Que desfalque! Apesar disso não dá para dizer que os ganeses estão mortos na disputa. Jogando no melhor estilo correria africana, a seleção de Gana ao menos mostra alguma organização e competência no passe de bola, o que já ajuda muito. Como em todas as outras seleções do grupo D, o ataque é o problema, sem um grande nome. Em compensação, os ganeses devem contar com o apoio da torcida africana, que vê na seleção uma das melhoras chances do continente de fazer bonito na Copa.

É difícil apontar quem passa nessa disputa tão parelha. Com tantas carências na frente e seleções adeptas de um futebol mais mecânico, podemos apostar em jogos de poucos gols e talvez mais empates do que o normal. Mesmo com todos os problemas já citados, acredito que a Alemanha passe de fase. A camisa pesa muito, e numa Copa do Mundo isso faz diferença. Para completar, a Sérvia é a que mostra maior consistência e qualidade, mas precisa fazer o dever de casa contra Gana, e isso significa ganhar. Fazendo isso, é só não dar mole para a Austrália no último jogo (no qual os Socceroos já podem estar eliminados) e comemorar a classificação. Isso sem contar que no duelo contra a Alemanha, os sérvios têm totais chances de conseguir uma vitória (embora eu aposte em um empate).

Passam de fase: Alemanha e Sérvia.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Aquecimento para a Copa - Grupo C

Seleções: Inglaterra, EUA, Argéia e Eslovênia.

O Grupo C talvez seja aquele onde podemos esperar menos surpresas na Copa do Mundo. Inglaterra e EUA são seleções fortes, e devem ficar com as vagas para as oitavas-de-final. Argélia e Eslovênia têm pouco para mostrar e vão à passeio para a África do Sul.

O English Team chega no mundial com alguns jogadores voltando de lesão, mas nada que preocupe de verdade. Com ótimos jogadores e um grande técnico, a Inglaterra chega à África entre as favoritas para levar o título, ao menos no papel. Verdade que os ingleses já decepcionaram muito sua torcida, e agora cabe aos jogadores mudar esse incômodo rótulo de time "amarelão". Rooney foi um dos que mais sofreu na temporada, e se machucou algumas vezes na reta final do Campeonato Inglês. Como principal estrela do time, o sucesso inglês passa diretamente pelo estado do atacante, que diz nas coletivas estar preparado para jogar. Será? O tempo dirá...

Os Estados Unidos são um time em franca evolução. Atletas americanos começam a povoar ligas mais importantes, e alguns nomes já são razoavelmente conhecidos na Europa por seu talento. É o caso de Landon Donovan, um dos ícones dessa seleção e talvez o destaque principal dos EUA. Além dele a equipe conta com o jovem Altidore, atacante forte fisicamente e muito inteligente, o "carioca" Benny Feilhaber, bom volante, e o goleiro Tim Howard, seguro, que atua no futebol inglês. Somados esses nomes com outros jogadores voluntariosos e um time muito forte táctica e fisicamente, os EUA têm tudo para avançar no Mundial. Até onde podem ir é um mistério mas, depois de surpreenderem a Espanha na Copa das Confederações, é melhor ninguém duvidar dos filhos do Tio Sam.

Há pouco o que dizer de Argélia e Eslovênia. Os africanos não contam com jogadores talentosos, nem uma equipe organizada. Ghezzal é o maior nome do time e não passa de um jogador mediano. Vão ter que suar muito a camisa para arracarem um ponto sequer na fase de grupos. Infelizmente a Argélia sofre com o processo de "afrancesação" de muitos bons jogadores, que buscam sucesso pela seleção da antiga metrópole. Uma pena para os argelinos, que acabam ficando com os "restos" futebolísticos do país.

Já a Eslovênia é a típica seleção européia sem muito talento, mas com excesso de força, estatura e um esquema de jogo bem conservador. Vai ser assim, na coletividade e no futebol mecânico, que os eslovenos vão tentar sair com um empate ou quem sabe uma vitória na fase de grupos. O jogo entre Argélia e Eslovênia vai ser daqueles em que as duas seleções buscam um resultado positivo para saírem bem da competição. Se valerá a pena assistir uma partida com nível técnico baixíssimo apenas por isso, aí vai de cada espectador.

Como deixei claro desde o início, o cenário no Grupo C é tranquilo.

Passam de fase: Inglaterra e EUA.

sábado, 29 de maio de 2010

Aquecimento para a Copa - Grupo B

Seleções: Argentina, Nigéria, Coréia do Sul, Grécia

Os Hermanos devem ter vida fácil no Grupo B. Verdade que Maradona não é um exímio treinador e que comete alguns equívocos, como deixar Cambiasso e Zanetti fora da lista de convocados, mas isso não deve comprometer. Há muita qualidade ofensiva no time, com Messi, Higuain, Tevez e Aguero como opções para o ataque. O problema da Argentina começa no gol, onde não há um nome sequer razoável para a posição. Todos os arqueiros são contestados, com razão. Além disso a linha defesa é pouco mais do que regular, e promete dar alguns sustos nos torcedores.

Mesmo com esse cenário que não passa muita segurança, já que a Argentina se mostra superdependente de um ou dois nomes, a passagem para as oitavas é quase garantida. Isso porque depois de tantos "grupos da morte", os Hermanos tiveram uma merecida (?) folga.

A Nigéria de hoje está longe de ser aquela que já assustou e atrapalhou grandes seleções. Ainda há Kanu - sim, aquele das Olimpíadas - e isso é mal sinal. Quer dizer que nada relevante surgiu nos últimos anos no país. Com isso a Nigéria se torna um time frágil, adepto da tradicional correria desvairada das seleções africanas de pouco talento. É preciso respeitar a força física e a aplicação dos nigerianos, mas eles não devem incomodar ninguém.

Já a Grécia é a mesma que faturou a Eurocopa em 2004. Ou seja, é praticamente o mesmo time, 6 anos mais velho. Praticante de um anti-futebol que serviu ao seu propósito no passado, hoje a Grécia é menos eficiente e menos técnica. É uma equipe que vai tentar se impor na sua altura, usando e abusando de bolas aéreas e vai sobrar pontapé na defesa. Se vencer seu jogo de estreia no grupo, contra a Coréia do Sul, pode conseguir alguma coisa.

E é justamente a Coréia do Sul, que no futebol jogado teria mais chances de avançar, que vai sofrer mais por conta da tabela. Melhor equipe da Ásia há algum tempo, os Coreanos ainda são adeptos da escola que Guus Hiddink instituiu em sua passagem fantástica no comando da seleção. Toque de bola refinado, velocidade, jogadores voluntariosos. Só que a ordem dos jogos não ajuda. Depois de uma estreia com a Grécia, jogo onde o time terá grande desvantagem física e pode acabar sendo derrotado em uma jogada de bola parada, a Coréia do Sul enfrenta a Argentina. Com isso, Park Ji Sung e amigos podem chegar ao último jogo, contra a Nigéria, já eliminados.

É difícil dizer que avança na segunda vaga. A Argentina com certeza passa para o mata-mata, na pior das hipóteses em segundo lugar (e isso se fizer muita força para tropeçar). Já Coréia e Grécia precisam contar com os 3 pontos sobre a Nigéria e jogar a vida logo em sua estréia. Esse é o problema para os gregos, que não têm um time que inspire confiança e não são regulares. Com isso, acredito mais na Coréia do Sul.

Passam de fase: Argentina e Coréia do Sul.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Aquecimento para a Copa - Grupo A

Seleções: África do Sul, México, Uruguai e França.

Dando uma olhada nesse Grupo A, a maioria das pessoas ignoraria de cara qualquer chance dos donos da casa avançarem para o mata-mata. A França teve problemas nas eliminatórias, verdade, mas não há como ignorar que são favoritos para conseguirem uma vaga nas oitavas. Teoricamente Uruguai e México brigariam pelo outro lugar na fase seguinte da Copa, mas é preciso pensar duas vezes antes de tirar qualquer conclusão.

O jogo de abertura do Mundial será entre África do Sul e México. Contando com o apoio de sua torcida, um técnico competente (apesar de sofrer com críticas no Brasil, Parreira tem ótimo histórico com seleções menores em Copa do Mundo) e em crescente nos últimos meses, os Sulafricanos podem sim surpreender. No caso de uma vitória, ou até mesmo um empate contra os Mexicanos, a África do Sul joga a vida contra o Uruguai no segundo jogo. Vencendo uma das duas partidas, pode chegar à última rodada precisando de um empate contra uma já classificada França ou ver Uruguai e México morrerem abraçados em caso de um empate. Não é um cenário absurdo, o que pode motivar ainda mais a África do Sul.

Na minha opinião, o Uruguai será o fiel da balança no grupo. Precisa estrear bem contra a França, procurando não perder e depois, contra a África do Sul, não pode pensar em outro resultado que não a vitória, o que joga muita pressão sobre um time que não é nenhuma máquina (apesar de ser o melhor em décadas da Celeste Olímpica). O último jogo pode ser tanto uma final contra o México ou mero amistoso sem significado. Depende apenas de Forlán e companhia.

A França sofreu antes da Copa, suou nas eliminatórias, quase ficou de fora na repescagem (alguém já esqueceu a mão na bola de Henry? Os Irlandeses não!) e tem que viver com um técnico que faz escolhas esquisitas. Deixou alguns bons nomes de fora da lista de convocados, mas ainda assim tem um time qualificado nas mãos. Domenech escalou um time ofensivo nos treinamentos da equipe, mas fez improvisos na defesa, colocando Abidal ao lado de Gallas na zaga central. Ou seja, os jogadores são bons, o treinador nem tanto.

Para fechar, como farei em todos os grupos, vou dar meu palpite. Acho que a França vai sim passar com alguma facilidade, provavelmente em primeiro. Como segundo no grupo, aposto no Uruguai. Acho que o México tem problemas no ataque e não conseguiu manter o nível que tinha em anos anteriores. Acredito que a África do Sul pode surpreender em algum momento, mas não apostaria meu dinheiro neles. Apesar disso, o Grupo A se mostra muito mais equilibrado depois de uma análise assim do que pareceria à princípio.

Passam de fase: França e Uruguai.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Aquecimento para a Copa do Mundo

Está chegando a hora! A bola em breve vai rolar na África do Sul, e as 32 seleções que disputarão a Copa do Mundo começam sua caminhada rumo à taça. Nos próximos dias, até o início do mundial, o Futeblog vai contar com posts falando um pouco sobre cada grupo, mostrando quem pode surpreender e os favoritos da competição.

Fiquem ligados, o aquecimento para a Copa do Mundo já começou!

sábado, 22 de maio de 2010

Internazionale x Bayern de Munique

Não há título melhor para o post. Também não há título maior para Inter e Bayern, que hoje lutam pela taça de campeão da Europa. Como toda final de Liga dos Campeões, a desta tarde tem tudo para ser nada menos que épica.

Os dois clubes foram campeões nacionais e conquistaram a copa de seus países. Dois títulos de grande importância para cada lado. Muitos podem dizer que uma vitória na UCL seria a cereja do bolo, mas não; vencer hoje será muito mais do que isso. Ser campeão da Liga é buffet inteiro.

Pelo lado da Internazionale, a defesa é o destaque. Os brasileiros Júlio César, Maicon e Lúcio vêm sendo essenciais para o sucesso do time na temporada, e agora não será diferente. O resultado de hoje passa diretamente pelas atuações deles e, sendo assim, não há nada a temer. Todos são muito regulares e se apresentam sempre em altíssimo nível. O Barcelona que o diga.

Os alemães confiam em Robben e Olic para fazer a diferença. É um grande erro achar que a ausência de Ribéry deixa as coisas tranquilas para a Internazionale. O Bayern é muito mais que Ribéry. Robben mandou o Manchester United para casa, e Olic decidiu contra o Lyon. É um ataque do mais alto calibre.

Há quem acredite que esse jogo pode ser um ataque contra defesa. De fato, acredito que a postura da Inter será mais conservadora que a do Bayern. Vale lembrar que os técnicos Mourinho e Van Gaal têm estilos diferentes, mas ambos são muito competentes. Talvez essa briga - a dos comandantes - seja o que vai definir a sorte dos times no Bernabéu.

Hoje eu, e muitos, respiram a Liga. Amanhã, a Copa. Deus, futebol é bom demais.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Queda honrosa, classificação suada e o último ato

Fica difícil criticar um time que joga bem como jogou o Flamengo ontem, mesmo quando acaba eliminado. Mas a torcida pode "cornetar" a equipe à vontade pelo primeiro jogo das quartas-de-final, no Maracanã. Ali foi decidida a classificação da Universidad de Chile, na pior partida jogada pelo Flamengo em todo o ano.

Ontem foi o oposto, como o Rubronegro jogando muita bola. Isso passou diretamente pela disposição de Adriano, que fez sem dúvidas seu melhor jogo com a camisa do Flamengo desde que voltou ao clube no ano passado. Deu passe para o primeiro gol, fez o segundo, não perdeu bola nenhuma pelo alto, voltou para buscar o jogo, errou poucos passes... Fez tudo que pede o manual, e se tivesse decidido jogar assim há um mês atrás, com certeza estaria agora indo para Curitiba com a Seleção Brasileira.

Já o Internacional conseguiu se classificar, mas não sem sofrer. O Colorado não jogou mal, mas faltou acertar o último passe para deixar alguém com chances de finalizar bem para o gol. Méritos para o Inter por não ter desistido nunca e, de tanto insistir, achou o golzinho que precisava no apagar das luzes. Merecida a classificação suada do Colorado em um confronto muito difícil. Contra o São Paulo não há favorito.

Agora uma pausa na Libertadores. Agora uma pausa em tudo. Amanhã teremos a final da Liga dos Campeões (haverá um post sobre ela amanhã cedo!), último ato do futebol antes de seu espetáculo máximo, e a partir da semana que vem o Futeblog Mundial entra no clima de Copa do Mundo...

sábado, 15 de maio de 2010

Alguns futuros incertos

Ano de Copa do Mundo costuma marcar viradas na carreira de muitos jogadores e técnicos, tanto daqueles que vão disputar o torneio quanto dos que irão assistí-lo pela TV. Por algum motivo a pausa durante o Mundial é diferente das de anos comuns, ou talvez seja apenas um delírio meu.

Fato é que muita coisa vai mudar de agora, com o encerramento dos campeonatos nacionais europeus, até o final da Copa, quando começará de verdade a pré-temporada lá fora. Enquanto isso aqui no Brasil teremos uma pequena parada, e depois disso é que o Campeonato Brasileiro vai engrenar de vez.

Os futuros incertos lá de fora vão, com certeza, respingar aqui. Deco e Belletti, do Chelsea, podem pintar em algum clube brasileiro no segundo semestre. No Milan, o goleiro Dida é outro que tem grandes chances de voltar para o país, isso sem falar em Leonardo, carta fora do baralho Rossonero (e sonho de consumo do Rubronegro carioca).

Além disso há aquelas mudanças que não afetam o futebol nacional, mas que são grandes alterações no exterior. A saída de Guti do Real Madrid marca o fim de uma era no clube, não porque o meia seja um craque, mas por tudo que sua história representa nos Merengues. Felipão saiu do Bunyodkor por problemas financeiros da equipe do Uzbequistão, deve comentar a Copa do Mundo e então partir para um novo trabalho, ainda no Velho Mundo.

Há as naturais especulações por causa da janela de transferências e muita coisa deve mudar. É bom ficar de olho na Europa porque, conforme a Copa for se aproximando, os boatos vão aumentar e tem muito time aqui no Brasil que pode se dar bem com essas incertezas todas.

terça-feira, 11 de maio de 2010

"Tintin por tintin"

Saiu a lista. Começou o bombardeio.

Era previsível que Dunga deixaria de fora alguns queridinhos do Brasil por motivos variados. Ele tinha resposta para cada um deles. Outros jogadores criticados por parte da torcida se mantiveram entre os convocados, mas todos pelo mesmo motivo; o comprometimento.

Esse foi o fator decisivo na lista de Dunga. Isso tirou Adriano e Ronaldinho Gaúcho da Copa. Faltou interesse, faltou suor, faltou vontade, e óbvio, isso se reflete na falta de futebol.

Não faltou futebol para Ganso e Neymar, verdade. Mas não dá para achar que dois garotos fariam a diferença em um torneio como a Copa do Mundo. Um sucesso momentâneo não credencia ninguém à vestir a Amarelinha. Essa honra vem com um trabalho feito a longo prazo, coisa que os Meninos da Vila não têm. Não há porque choramingar; 2014 já vem aí e com certeza teremos Ganso e Neymar nessa lista.

Foi também o compromisso com a Seleção que manteve Doni, Luisão, Josué, Gilberto Silva, Elano, e outros. Mas não só isso. Entre titulares e reservas, todos mostraram seu valor em campo e perderam/conquistaram vagas com bola. Doni deu lugar à um indiscutível Júlio César; Luisão entende seu papel como reserva dos ótimos Lúcio e Juan; Josué nunca comprometeu e sabe seu papel em campo; Gilberto Silva sempre se mostrou essencial para o sucesso do Brasil; Elano jogou em alto nível durante quase 4 anos de Seleção... O próprio Julio Baptista, sempre criticado, já pegou o Brasil em situações complicadas e correspondeu (como contra a Argentina na Copa América e o Equador nas Eliminatórias).

Dunga mostrou sua coerência mais uma vez. Definiu titulares e reservas, posição por posição. Escolheu os melhores de acordo com seu esquema de jogo, todos com méritos. Foi com esses jogadores que o Brasil triunfou na Copa América, na Copa das Confederações e terminou em primeiro nas Eliminatórias. Tudo com poucos sustos, enfrentando as dificuldades normais que qualquer equipe enfrenta em torneios complicados como esses.

O trabalho e os resultados são indiscutíveis. As perguntas, repetidas. As respostas, previsíveis. Agora chegou a hora de torcer e deixar de lado as birras infundadas e críticas vazias. Dunga foi bem no que tentou e não há motivos para duvidar dele agora. A Copa do Mundo é complicada, é o auge do futebol competitivo, um torneio onde tudo pode acontecer. Meu palpite? Seremos campeões.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Amanhã é dia!

Amanhã sai a convocação da Seleção Brasileira em meio ao interminável burburinho (e as vezes gritos) sobre a ida de Ganso e Neymar para a África do Sul. Há também a sempre presente aversão aos volantes (como se fosse possível armar um time com 5 meias e 4 atacantes), além do problema na lateral esquerda. Aliás, a posição é provavelmente a maior incógnita nesse time que tentará o Hexa na África.

Entendo e concordo (quase) totalmente com a visão de Dunga sobre como armar a Seleção. Os resultados vieram, o futebol melhorou, a equipe ganhou padrão de jogo. Qual a crítica, real, que se pode fazer? A receita do bolo já está sendo repetida há algum tempo e no fim as coisas deram certo. Não há porque duvidar dela agora, e criticá-la depois caso algo dê errado será puro oportunismo. Um puro e sujo oportunismo de quem, obviamente, discorda que um time campeão de Copa América, Copa das Confederações e líder das Eliminatórias precise ser mantido.

Por estar ao lado de nosso técnico na concepção de jogo, vou passar para a parte divertida: tentar "advinhar" o maior número possível de jogadores que estarão entre os 30 listados amanhã para, quem sabe, vestirem a Amarelinha na África do Sul.

Júlio César
Doni
Victor

Maicon
Daniel Alves
Michel Bastos
Marcelo
Gilberto

Lúcio
Juan
Thiago Silva
Luisão
Miranda

Gilberto Silva
Felipe Melo
Josué
Lucas
Kléberson
Júlio Baptista
Elano
Ramires
Paulo Henrique Ganso
Kaká
Ronaldinho Gaúcho

Adriano
Grafite
Luis Fabiano
Robinho
Nilmar
Alexandre Pato

Que fique claro, estou tentando seguir a linha do treinador e não colocar os meus preferidos ou algo do tipo. Apesar disso admito que colocar o Pato na lista foi um ato mais de coração do que de razão; quero que o garoto vá para a Copa por achar que em 2014 ele será peça importantíssima. Seguindo a minha linha de raciocínio, teria colocado também o Lucas na lista, mas repito, isso foi um palpite de quem será chamado e não quem eu chamaria.

Agora somos todos passageiros, e vamos tentar deixar o capitão comandar o navio, sim?

PS: Fiz uma correção na lista, tirando o Cris e colocando o Lucas.

domingo, 9 de maio de 2010

Só faltam 37

Uma rodada do Brasileirão já se foi! Por mais que muitos falem sobre como o início foi morno, com vários times usando equipes mistas e clubes pensando em mais de uma competição, ainda assim é o Campeonato Brasileiro! Tudo bem que serão apenas 7 rodadas até a pausa da Copa do Mundo, mas esse é o momento para azarões e candidatos ao título darem importantes arrancadas no torneio (que deve mesmo ficar nesse clima de "aperitivo" para o Mundial).

O destaque negativo dos primeiros jogos foram dois pênaltis pateticamente marcados em duas partidas diferentes. Fluminense e Atlético-PR foram prejudicados em lances fáceis e decisivos no resultado dos jogos. O Tricolor Cássio pega só bola no desarme feito em Geraldo no confronto contra o Ceará, e Souza se atira ridiculamente no duelo Corinthians x Furacão. Ê juizada...

Ainda é cedo para fazer prognósticos e, além do mais, haverá a temida janela durante a Copa do Mundo. Santos, Corinthians, Internacional, Cruzeiro e Flamengo podem acabar perdendo jogadores nesse período e se complicando na disputa. Por isso acho que, tendo que escolher agora, o favorito para o título seria o Grêmio. O time vem bem desde o ano passado, manteve uma base e os resultados até agora foram bons. Se não tropeçar tolamente (como acabou fazendo hoje) o Tricolor Gaúcho pode abrir boa vantagem já no período pré-Copa e depois talvez tenha vida ainda mais fácil.

Só faltam 37 rodadas, gente. Vamos abrir o olho!

PS: Se o campeonato terminasse hoje.... bom, deixa pra lá.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Notinhas dos classificados

- O Corinthians lutou muito, Ronaldo fez sua parte, mas o Flamengo soube suportar a pressão e jogar o que precisava. Desperdiçou duas chances no primeiro tempo, marcou no segundo e faltou ao Corinthians a garra da primeira etapa para buscar o gol. Méritos do Rubronegro, que vai avançando na Libertadores contando com a sorte e na marra.

- Depois do baile tomado no primeiro jogo, o Vasco merecia a classificação contra o Vitória. O time entrou comendo grama e buscou o resultado até com um a menos. O juizão prejudicou o Gigante da Colina ao não expulsar Viáfara, mas que fique de exemplo a luta do Vasco e a lição de que a equipe precisa sim de reforços para o Brasileirão.

- Palmeiras e Atlético Goianiense deram uma aula de como não se bater pênaltis. Azar do Verdão que não jogou (nem vem jogando) nada e pagou com a vaga na Copa do Brasil. E ainda querem criticar o Marcos quando ele fala demais em coletivas...

- Sobre Fluminense e Grêmio, o favoritismo se confirmou e os gaúchos não deram chance para o time das Laranjeiras. Para mim, a equipe de Silas é uma das favoritas para o Brasileiro, mas não vai ter vida fácil contra o Santos agora na Copa do Brasil.

- E, falando nos Meninos da Vila, mostraram mais uma vez seu talento e agora foram para as semifinais. Apesar do belo futebol, da conquista recente do Paulistão, do favoritismo na Copa do Brasil, nada disso apaga o episódio das provocações antes da partida contra o Galo. Brincadeiras fazem parte do futebol, mas os garotos passaram dos limites e isso vai ficar na memória de algumas pessoas por muito tempo. Na hora que algo der errado para o Santos, o time pode acabar "apanhando" de todos os lados.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Pinceladas nas eleições

Ontem foi dia de premiação dos estaduais pelo Brasil - ou pelo menos a maioria deles. Com isso foram formadas todas aquelas seleções que a conversa de boteco adora debater. Aqui no Futeblog não seria diferente, e vou comentar rapidinho as principais equipes montadas pelo Brasil.

No Rio, Botafogo e Flamengo dominaram a eleição, claro. O que é impressionante é como todos se esforçam para não deixar nenhum dos grandes de fora da seleção carioca. Conca é bom jogador, provou isso nas últimas temporadas, mas fez um campeonato ruim. Foi colocado na lista só pela falta de um nome de destaque e pela ausência de outros jogadores do Fluminense na seleção.
Conca não foi melhor que Lúcio Flávio, Carlos Alberto e Vinícius Pacheco, todos alternando altos e baixos durante a competição. Em tempo, merecida a escolha de Martinelli como um dos melhores zagueiros. Em silêncio o Vascaíno foi bem durante a maior parte da competição e fez o dever de casa direitinho.

Em São Paulo, Neymar e Ganso eram certezas independente do resultado da final, portanto são nomes indiscutíveis. Acho um pouco forçada a escolha de Dracena como melhor zagueiro; apesar de ser bom, o Tricolor Alex Silva foi melhor que o defensor do Santos, mostrando mais ao longo do Paulistão. Eleito melhor goleiro do campeonato (com justiça), Júlio César do Santo André representou o vice-campeão na equipe. Outro do Ramalhão que poderia pintar na lista era Branquinho, que fez ótimas partidas na reta final. Arouca, Rodriguinho e Armero também merecem uma menção honrosa como bons nomes do campeonato.

No Rio Grande do Sul, só tenho uma coisa a dizer: armar uma seleção do estado sem atletas do Internacional é prova cabal de estupidez. Não dá para acreditar que o Colorado não tenha nenhum atleta digno de ser escolhido o melhor de sua posição só por ser vice-campeão. A campanha não foi ruim, o time não é horroroso e a história poderia ter sido outra com apenas mais um golzinho no Olímpico. Verdade que os times do interior gaúcho vêm melhorando e alguns de seus jogadores roubaram vaguinhas na seleção do campeonato, mas ainda assim é inacreditável. Sandro, Bolívar e Guiliano poderiam facilmente estar na lista, e deveriam.

Em Minas, o volante Fabiano foi escolhido o craque do campeonato. Além dele, é impossível não destacar Diego Tardelli, Wellington Paulista (que no Mineiro foi melhor que Kléber), e bom, já contando com o lado emotivo da coisa, Marques. O veterano pode ter sido pouco utilizado, pode ter rendido menos que outros jogadores, mas ser colocado entre os melhores da competição é coroar sua bonita história no Galo, coisa que ele merece.

Vou admitir que acompanhei menos os estaduais do Norte/Nordeste, mas vou também parabenizar o campeão Vitória pela conquista. O Rubronegro já mostra que o sucesso pode ir muito além do estadual, com boas chances de passar pelo Vasco agora na Copa do Brasil. Sucesso fruto de um time bem arrumado e comprometido, ainda que modesto.

E, para fechar, até cogitei armar minha própria seleção dos estaduais. Depois pensei melhor e decidi que não quero comprar uma briga dessas com meus (poucos) leitores! Façam as suas próprias equipes e deixem nos comentários!

domingo, 2 de maio de 2010

Ao perdedor, os parabéns

Seria fácil escrever linhas e linhas sobre o futebol envolvente do Santos, sobre o fenômeno que é a "molecada" da Vila Belmiro e sobre o título conquistado por esses meninos hoje, no Pacaembu. Que fique registrado aqui meu parabéns ao Santos e uma salva de palmas aos Meninos da Vila, mas quero falar do perdedor desse confronto.

O Santo André mostrou ao longo de todo o Paulistão que não era um time qualquer. Podia não encher os olhos como o Santos, podia não ter os nomes que tem o São Paulo, o Corinthians e o Palmeiras, mas nem por isso deixou barato. Chegou na final com méritos e teve que engolir todos desconsiderarem qualquer chance de vitória do time do interior.

No primeiro jogo foi melhor do que o adversário na etapa inicial, mas sucumbiu à pressão no final. O resultado não tirava o Santo André da briga, mas para muitos o time sequer havia entrado na disputa. Quando muita gente achava que o gás tinha acabado e que o Santo André já tinha feito mais do que era esperado dele, veio o último ato.

Não vou falar sobre a partida de hoje em si, porque não é preciso. Durante todo o campeonato, o Ramalhão mostrou valores diferentes do que o futebol atual semeia. Não me refiro só à ofensividade do time, que na minha opinião é uma simples opção do treinador. Bato palmas para o Santo André pela esportividade, raça, superação, humildade e, acima de tudo, capacidade. Ninguém chega aonde o Ramalhão chegou sem talento e trabalho.

Parabéns ao Santo André, que perdeu de pé e lutando, dando para muito time grande do Brasil.

terça-feira, 27 de abril de 2010

?

Não estranhem o título. Ele representa perfeitamente o que espero ver amanhã de Ronaldo, jogando contra o Flamengo, no Maracanã. Quando entrar em campo e tiver a torcida contra si, acredito que até ele não saberá como vai reagir.

Jogo psicológico faz parte do futebol, e negar sua eficiência é fechar os olhos para o passado. Pressão externa pré e durante o jogo pode decidir uma partida. Se você não acredita, responda: você acha mesmo que Roberto Baggio perdeu aquele pênalti contra o Brasil em 94 por que era ruim? Pois amanhã veremos como Ronaldo se comporta diante de uma pressão totalmente nova para ele, a da torcida do seu coração.

Será que o Fenômeno vai se abalar com as vaias, cantos e provocações do Flamengo? Já rola o boato de que a torcida Rubronegra contratou travestis para ficarem atrás do banco do Corinthians. Vale tudo para incomodar Ronaldo, mas isso pode servir também para motivar ainda mais um jogador que nunca "afinou" em momentos chaves da carreira. Ou seja, o tiro pode sim "sair pela culatra".

E aí Ronaldo, o que vai ser?

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Fluminense demite técnico Campeão Brasileiro

Não, não é verdade, mas poderia ser. Cuca não é mais técnico do Fluminense. Depois de não conseguir levar o time ao título Carioca, a diretoria Tricolor considerou os resultados de Cuca insatisfatórios e colocou o técnico na rua... Isso mesmo.

Cuca é o treinador que operou um milagre ano passado. Resgatou o moribundo time do Fluminense, tirando-o do fundo do poço e conseguindo uma manutenção na Série A do Brasileiro que nunca mais (afirmo categoricamente) será repetida. A equipe saiu de 99% de chances de rebaixamento para uma ótima campanha na Copa Sulamericana e conseguiu ficar na elite. Resultados, aparentemente, insatisfatórios para os cartolas do Flu.

Tudo bem, não vamos ver pelo lado "emotivo" da coisa. Vamos esquecer a situação do Fluminense no campeonato passado e falar de números. Pois bem; foram 46 jogos, com 28 vitórias, 12 empates e 6 derrotas. Isso coloca o treinador com o "insatisfatório" aproveitamento de 78%. O Flamengo foi campeão brasileiro em 2009 com um aproveitamento de 58%, com 67 pontos. O Fluminense, com essa porcentagem, teria 78 pontos, ou seja, garantiria o título nacional com rodadas de antecedência e com absoluta tranquilidade.

Pouco importa se no lugar de Cuca virá Muricy Ramalho, João Saldanha ou Jesus Cristo. A diretoria do Fluminense mostrou mais uma vez todo o seu amadorismo e não é nenhuma surpresa que o clube sempre fique aquém do que se espera dele. Será que, de novo, o Flu vai lutar para não cair? Se dependesse das decisões de seus dirigentes, o Tricolor já estaria na Série B...

domingo, 18 de abril de 2010

Heróis e Vilões

Na final da Taça Rio, prevaleceu o time que trabalhou. O Flamengo se perdeu no meio de polêmicas com Adriano, Bruno, Petkovic e o Botafogo soube se aproveitar disso. Com Joel o time não se abalou, mesmo depois de sair da Copa do Brasil de maneira "vergonhosa". Já o time de Andrade, sem comando, se afunda em resultados ruins na Libertadores e era claro que em algum momento a corda iria estourar. Resta ver se o Flamengo vai conseguir se classificar no torneio continental e afastar um pouco a crise (com todas as letras) que se instaurou no clube. O amor acabou e Adriano já é contestado.

Falando agora do vencedor, é triste ver o desrespeito com que o Botafogo é tratado nas mesas redondas. "Quarta força do Rio", "time fraco", "jogadores ruins"... E campeão. Curioso, não? Fica a pergunta: onde estavam os super-times de Vasco e Fluminense enquanto o "limitado" Botafogo faturava as Taças Rio e Guanabara? Além disso, o que faziam os super-craques Fred e Dodô enquanto o "caneleiro" Loco Abreu jogava as finais?

Campeonatos constrõem heróis e vilões. Esse Carioca ergueu Herrera, Jéfferson (como vem agarrando o goleiro do Botafogo), Abreu, Leandro Guerreiro (a redenção, finalmente) ao patamar de verdadeiros ícones desse time, que superou um retrospecto ruim contra uma equipe tecnicamente superior. Enquanto isso os indiscutíveis Bruno, Adriano, Petkovic são eleitos como os inimigos do Fla, envoltos em problemas e com atuações abaixo do que se espera deles.

Melhor que isso, o trabalho constrói heróis e vilões. Que o diga Muricy Ramalho, aquele que triunfou às custas de muito suor e não aproveitando a Chatuba e pagodes nos finais de semana.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Repetecos e vantagens

Botafogo e Flamengo na final do Carioca nem é mais surpresa. Enquanto o primeiro busca a redenção, o segundo que apenas manter a hegemonia no estadual. Talvez esse seja o ano com maior disparidade técnica entre Flamengo e Botafogo, já que um foi campeão brasileiro e manteve a base do time, enquanto o outro quase foi rebaixado e passou por uma reformulação grande no seu elenco. Curiosamente, é o ano que mais acredito em um triunfo do alvinegro. Motivo? Gana. O que tanto faltou em anos passados para o Botafogo com certeza vai haver de sobra no domingo. Duvido que Abreu e cia não vão comer grama para dar o troco no rival.

Pelo outro lado, o Flamengo aspira a Libertadores e ainda goza de prestígio pela conquista do Brasileiro. Esses dois fatores podem, inconscientemente, fazer com que o time dê uma relaxada nessa final. Por outro lado também pode fazer com que o Rubronegro entre bem mais livre de pressão que o adversário, uma grande vantagem em decisões. Nem vou entrar nos méritos de equipe, já que com jogadores como Maldonado, Adriano, Bruno e Love, o Flamengo conta com muito mais atletas que podem desequilibrar do que o Botafogo.

Quem é favorito? Flamengo pelo time, Botafogo pela conjuntura. Ou seja, ninguém.

Para fechar o post de hoje, preciso falar três coisinhas sobre o duelo Santos e São Paulo, pela semifinal do Campeonato Paulista.

- Quando será que o Tricolor vai perceber que Marlos não é jogador para ser titular nessa equipe? Nem me refiro à expulsão do meia na última partida, mas ele nunca foi decisivo ou, ao menos, regular. Fernandinho é opção bem melhor em todo e qualquer aspecto. Acorda, Ricardo Gomes.

- Hernanes fez grande partida e foi o maior responsável pela reação do São Paulo, mas daí a voltar a pedir o volante na Seleção é demais. Ele não é melhor que muitos outros que ainda estão de fora da lista de Dunga e não é uma ou duas atuações boas (e nada mais) no Paulistão que vão credenciá-lo a ir para a África do Sul.

- O trabalho de Dorival Júnior é mesmo impressionante. Será que o Vasco se arrependeu de não ter dado o aumento que ele queria no início do ano? O time do Santos voa em campo e mesmo não jogando o seu melhor superou com facilidade o São Paulo, um dos melhores elencos (se não o melhor) do país.

Para mim, o Paulistão já é do Santos.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Pequenas prévias

Terça e quarta teremos decisões na UCL e no final de semana no Campeonato Carioca. Na Europa podemos fazer prognósticos baseados no primeiro jogo das quartas-de-final e em quase uma temporada completa. Por outro lado, no Rio de Janeiro até agora tudo não passou de uma pré-temporada de luxo. Então vamos por partes, hoje falamos da UCL e até o fim de semana falarei sobre as semifinais do Carioca.

Barcelona x Arsenal - Depois de uma primeira partida recheada com quase tudo que o futebol pode oferecer (gols, expulsões, lesões, empate no fim do jogo), os Gunners vão para o Camp Nou como azarões. Apesar disso não dá para esquecer os desfalques que o Barça terá, sem sua dupla de zaga titular. Messi não fez boa partida no Emirates, e resta ver se Wenger (também cheio de desfalques) conseguirá armar bem o time e anular novamente o argentino.

CSKA x Internazionale - A vitória na Itália foi magra, mas a Inter é muito mais time que o CSKA (que não é uma baba, mas não é nenhuma máquina também). Não acredito em surpresas, mas nunca se sabe...

Manchester United x Bayern de Munique - Os Red Devils sofreram com o gol no último minuto de Olic na Allianz Arena, mas não é o fim do mundo. Pior que a derrota por 2x1 é a ausência de Rooney, machucado. O "Shrek" vinha decidindo e agora vamos ver se Berbatov consegue ser determinante na classificação do Manchester.

Bordeaux x Lyon - Nesse duelo de franceses, que também marca o confronto mais fraco da UCL por uma vaga nas semis, o Bordeaux é favorito. O Lyon não tem um time ruim, como provou ao vencer o badalado Real Madrid nas oitavas, mas não é o mesmo de duas ou três temporadas atrás.

quarta-feira, 31 de março de 2010

O melhor jogo do ano

Não hesitarei em afirmar, categoricamente: Arsenal x Barcelona foi o melhor jogo de 2010 até agora. Que me desculpem aqueles que acharam o clássico entre Santos e Palmeiras um partidaço, mas ela parece uma pelada de fim de semana perto do confronto de hoje entre Gunners e Barça. Por que? Vamos aos motivos.

Jogando em casa, o Arsenal não era favorito. Nenhum time que jogue contra o Barcelona será favorito; uma grande equipe, no máximo, torna a partida uma incógnita. Os primeiros 16 minutos do jogo mostram o massacre imposto pela máquina que é o Barcelona. Foram 15 finalizações, quase uma por minuto, com 9 indo no gol e 4 sendo salvas milagrosamente pelo goleiro Almunia (que não é nenhuma muralha). Deu pena ver o Arsenal em campo.

Ao final do primeiro tempo o confronto parecia mais equilibrado, apesar da clara predominância dos visitantes. O placar de 0x0 não traduzia o jogo e os outros números mostravam isso. Foram quase 70% de posse de bola do Barcelona. Enquanto o Arsenal tinha dado 91 passes (com um bom índice de acerto) os Catalães tinham trocado nada menos que 278 bolas (com um índice de acerto ainda maior!), mostrando todo o volume de jogo do time.

Os dois gols de Ibrahimovic marcados na primeira metade do segundo tempo pareciam selar o destino de uma equipe dominada em seu próprio estádio e que não mostrava poder de reação. Verdade que as duas alterações feitas por Wenger ainda antes do intervalo (por conta das lesões de Arshavin e Gallas) haviam dado mais segurança ao Arsenal, mas não bastava. Foi então que o excelente técnico mudou a partida, colocando em campo Walcott.

Não demorou 10 minutos para o jovem mostrar que Wenger havia acertado na mosca. Infernizando Maxwell, que vinha tendo vida fácil na lateral do Barcelona, Walcott logo marcou e colocou o Arsenal de volta no jogo. O time cresceu. O Barcelona, com um Messi pouco inspirado e tímido, encolheu. Méritos do brasileiro Denilson, que acertou o meio dos Gunners quando entrou em campo.

O pênalti cometido por Puyol em cima de Fàbregas não apenas deu a chance do Arsenal empatar o jogo como também forçará o Barcelona a escalar a dupla de zaga reserva no jogo de volta na semana que vem (Piqué tomou outro cartão amarelo e estava pendurado). O próprio Fàbregas marcou, chutando com força, e correu para buscar a bola dentro do gol. Mas na volta para o meio campo, sentiu a perna e deixou o gramado.

O Arsenal tinha a chance de buscar a virada, mas agora não teria mais a vantagem numérica. Só que valeu a vontade do camisa 4 dos Gunners que voltou à campo no sacrifício total. Outro que também não entra em campo na semana que vem (também por cartões amarelos), o espanhol ficou no gramado, mas incapaz de fazer qualquer coisa além de simplesmente caminhar.

Era emblemático ver Fàbregas se arrastando em campo, curvado, tentando correr e passar as bolas que chegavam a ele, claramente sem a menor condição de se manter ali por mais de cinco minutos. Mancando, ele foi o símbolo do melhor jogo do ano, um ícone da entrega do Arsenal e da recompensa pelo esforço. O empate em 2x2 pode não ser o melhor resultado do mundo, mas com certeza deve ser visto como uma vitória pelos ingleses. E no Camp Nou, quem sabe o que pode acontecer... O Barcelona ainda tem Messi, Ibrahimovic, Xavi, mas o Arsenal ainda terá a imagem da garra de Fàbregas e o cérebro de Wenger (que decidiu o rumo do jogo).

No Camp Nou o Barcelona será mais uma vez favorito, mas o Arsenal deu o recado: não dará adeus à UCL sem lutar.

domingo, 28 de março de 2010

Rapidinha com conteúdo

Como ando um pouco sem tempo, vou fazer um post das "rapidinhas". Domingo agitado nos Estaduais!

- Boa partida do Vasco contra o Fluminense. Talvez mais uma prova de que o Tricolor repete os mesmos erros do ano passado (embora em menor escala), apostando em grandes nomes mas pecando pelo conjunto. Já o Gigante da Colina tenta se recuperar mostrando justamente a força do seu grupo que, pode carecer de jogadores com mais talento, mas que tenta sempre superar isso jogando com vontade. Vontade, aliás, que vinha faltando nos outros jogos e sobrou nesse. Complô contra Mancini?

- Já em São Paulo, o Corinthians vence, faz quatro gols, e Ronaldo passa em branco. Sinal dos tempos de dureza que vive o Fenômeno. Apesar disso, o camisa 9 deu uma assistência e não fez uma partida de todo o ruim, mostrando que mesmo em má fase ainda pode ser muito útil.

- Decepção do ano até agora (ao menos para mim), o Inter sofreu mais uma derrota hoje, dessa vez para o Caxias. Com o elenco que tem, não dá nem para sonhar em perder para equipes assim. O Caxias até é arrumadinho, mas com 4 milhões de folha salarial é preciso começar a chacoalhar o time. Fossati tem culpa, mas quem disser que os jogadores andam correspondendo ao que recebem está de brincadeira...

- Fora do Brasil, o Real Madrid mostrou que vai brigar até o fim com o Barcelona pelo título espanhol. Depois de sair perdendo o clássico contra o Atlético de Madrid, os Merengues deram a volta por cima e venceram por 3x2. E que fase iluminada vive Higuain, que está longe de ser um gênio como Messi, mas consegue brigar pau a pau pela artilharia. Merece a 9 de Maradona.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Defesa relâmpago

Não dá para entender a torcida do São Paulo. Com um bom elenco em mãos e um técnico competente no banco, insiste em cornetar sempre o time. Incomoda até quem não torce pelo Tricolor, de tão chato que é. Isso porque a antipatia com o futebol da equipe de Ricardo Gomes também infesta as mesas de debate.

Pior que ver um time que experimenta grande sucesso nos últimos cinco anos sofrer com críticas descabidas é o que fazem com o pobre Washington. O camisa 9 do São Paulo faz gol em quase todas as partidas e é chamado de caneleiro, "bonecão", "bonde"... Enquanto isso o glorioso Hernanes desfila todo o seu belíssimo futebol (sim, com muita ironia) no meio campo do time, intocado pelas críticas da torcida.

É de doer.

terça-feira, 16 de março de 2010

O que é o Flamengo?

Antes de mais nada, gostaria de deixar claro que tentei de todos os modos fugir dessa polêmica. Preferia falar sobre a Champions League ou algo mais leve, mais futebol e menos "punk". Honestamente, acho que alguns assuntos são delicados demais para serem tratados com leviandade e isso é algo que muito “formador de opinião” mais experiente que eu deveria saber. Mas hoje li um texto em um dos milhares de blogs esportivos que existem na internet e fiquei chocado, tanto com o conteúdo do post quanto com as respostas absurdas deixadas pelos que leram o – infeliz – artigo.

O texto em questão abordava todo o envolvimento de Vagner Love com traficantes no morro da Rocinha, e aproveitava para citar os casos de Adriano (já visto com traficantes na Vila Cruzeiro) e Bruno (autor de boas pérolas, como a de que bater em esposas é algo corriqueiro). Nesse artigo, o blogueiro tratou de pisar, socar e cuspir em cima dos jogadores, criticando suas atitudes e atacando inclusive dirigentes do Flamengo, que compactuavam com essas atitudes do Imperador e de Love. Tudo isso sem o menor cuidado ao escolher as palavras, batendo só para doer mesmo. Não podia dar em outra coisa: revolta dos Rubronegros.

Não vou entrar no mérito de se a opinião do autor do texto traduz ou não o que a sociedade deveria sentir. O caso não é esse e não acho uma boa idéia usar o espaço que tenho para isso. Gosto de falar de campo, de bola rolando, e só saio dele se for algo que influencie no esporte ou caso seja um absurdo manifesto demais. Se Adriano e Love cometeram um crime, se foram péssimos cidadãos, se mostraram falta de bom senso, honestamente, não sou eu que irei julgá-los, e sim a sociedade como um todo. Não cabe a indivíduos tentar fazer a cabeça de outras pessoas para conseguir aprovação, o julgamento tem que vir de cada um. Meu choque mesmo foi ver a leviandade com que um jornalista decide, simplesmente, pintar alguém como criminoso. Erro este que desencadeou a reação que me assustou ainda mais...

Ao correr em defesa de seus jogadores (direito inalienável de todo torcedor), muitos apelaram para “o tamanho do Flamengo”, para a “perseguição que o clube vem sofrendo”, entre outras coisas. Acho justo que as pessoas admirem o Flamengo por tudo que significa no futebol brasileiro, todas as suas conquistas e o tamanho de sua torcida, mas não é isso que torna Love e Adriano inocentes – ou bons moços, se preferirem. Não é o fato de envergarem vermelho e preto que torna um jogador de futebol imune a opiniões contrárias à suas atitudes, em especial algumas tão controversas como essas. Ao que parece, ser Flamenguista, jogar no Flamengo, já vale como salvo-conduto para qualquer atleta estar acima do julgamento de sua torcida. Uma pena.

O que é o Flamengo? Um dos maiores clubes do Brasil, do mundo. E só. O futebol não pode ser colocado acima de questões tão importantes como essas. Vagner Love e (principalmente) Adriano são heróis para muitos jovens, que sonham em ser jogadores de futebol. Eles precisam estar cientes de suas responsabilidades como tal. Se as atitudes deles não correspondem a esse “status” que possuem, o julgamento deve ser feito a partir dos seres humanos que são, e não das cores que envergam. O Flamengo não pode ser o antro de loucos e fanáticos que alçam seus jogadores acima do bem e do mal. O Flamengo não pode se portar como uma organização que visa dominar o mundo assim como tentar impedir que pessoas façam o julgamento que quiserem (desde que feito de maneira justa e consciente) de seus jogadores ou antigos ídolos. No fim das contas, o Flamengo precisa voltar a ser “só” o Flamengo. E isso não é pouca coisa.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Fracassos quase iguais

Apesar de eu mesmo ter errado sobre a desclassificação do Real Madrid contra o Lyon, não é segredo o que levou o time espanhol a mais um fracasso na Europa. Mais engraçado é perceber também que esse problema é quase o mesmo do Milan, que foi atropelado pelo Manchester United.

Não é de hoje que o Real Madrid gasta muito dinheiro em grandes estrelas e acaba negligenciando a formação de um grupo mais competitivo em todas as posições. O resultado é um time muito dependente desses grandes nomes, que acabam sofrendo com grande pressão e (claro) são fortemente marcados pelos adversários. Kaká e Cristiano Ronaldo são espetaculares, e o português - em melhor fase que o brasileiro - vem decidindo muitos jogos. À Kaká não falta vontade, mas a sorte não anda com o meia.

Contra o Lyon, Ronaldo marcou, Kaká lutou, mas não foi o suficiente. Van der Vaart tem qualidade, mas não dá para depositar as esperanças de um clube como o Real Madrid em um jogador desse calibre. Higuain vinha bem, mas sentiu o jogo e perdeu boas chances. E é isso. O Real Madrid só tem isso a mostrar. Não foi o suficiente contra um Lyon aguerrido e (sem maldade) sortudo.

O Milan sofre do mesmo mal, mas através de uma mentalidade diferente. A falta de contratações acertadas levou o time italiano até o estado em que se encontra. Buscando no mercado o que havia de melhor "custo benefício" (e nesse aspecto até foi bem, com as contratações de Huntelaar, Beckham, Ronaldinho e Pato) o Milan montou uma base razoável, mas nunca renovou completamente seu elenco. Na falta de nomes expressivos para posições importantes, o Rossonero amarga crises constantes no gol, falta de opções na zaga - já que Nesta sofre para ter qualquer sequência de partidas - e apenas um grande nome na criação de jogadas, que é Ronaldinho Gaúcho. O brasileiro vem melhorando exponencialmente, mas ainda não é o jogador dos tempos de Barcelona (nem nunca voltará a ser) e não pode depender exclusivamente a missão de fazer o time funcionar.

No fim das contas, outra semelhança entre os dois eliminados de ontem: apesar de terem certos méritos e não serem péssimos treinadores, tanto Leonardo quanto Pellegrini mostraram que ainda precisam aprender muito para estarem à altura da tradição e grandeza dos clubes que comandam.

quarta-feira, 10 de março de 2010

O fim da maldição, o pobre torcedor e eu

Uma sina incômoda não é a de perder sempre, e sim perder na hora errada. Na Liga dos Campeões, é natural passar alguns anos de jejum mesmo sendo um grande time europeu. O problema do Real Madrid é que ano após ano o time falha nas oitavas-de-final da competição, e algumas vezes para equipes manifestamente inferiores. O duelo de hoje contra o Lyon pode servir como redenção e vingança aos Merengues, que já foram eliminados pelos franceses há algumas temporadas na mesma fase.

Não dá para dizer que o momento é inoportuno. O Real voltou à liderar o campeonato espanhol, vem mostrando a força do seu elenco; não só de Cristiano Ronaldo e Kaká vivem os Galáticos. O brasileiro, aliás, é a única mancha cinza na fase aúrea do clube. Ainda sem engrenar no time, Kaká já enfrenta contestação (exagerada) e vai precisar mostrar personalidade para dar a volta por cima. Mas até nisso a hora é boa: uma participação decisiva no jogo de hoje e tudo fica para trás. Vamos lá Kaká, está na hora da redenção! Pitaco? O Madrid passa, sem grandes dificuldades.

Já na partida entre Manchester United e Milan, o que mais me chama a atenção é a situção de um torcedor. Pobre David Beckham. Fanático confesso pelos Red Devils, hoje a missão do meia é eliminar seu time do coração na própria Inglaterra, diante da torcida que tanto o apoiou ao longo dos anos. É a vida de jogador profissional, e sinuca de bico total para o inglês, que briga para ser titular no English Team de Capello. Será que ainda dá?

O retrospecto do United no Old Trafford é muito bom, e acho difícil que o Milan consiga reverter o resultado. Caso consiga, dependerá muito do dia de Ronaldinho Gaúcho ou de uma péssima noite dos donos da casa. A questão é que o Dentuço quer ir à Copa do Mundo e um sucesso na Liga dos Campeões é praticamente carimbo no passaporte. Ao menos é o que eu penso.

E no meio disso tudo, fica a dúvida cruel: qual jogo devo assitir?