domingo, 4 de julho de 2010

O Massacre

Pronto, começou. Agora chegou a tão esperada hora para 90% dos jornalistas brasileiros, que mal podiam esconder a vontade de pisotear Dunga e seu trabalho. Chegou a hora do banquete e do massacre.

De agora em diante, a "Era Dunga" será tratada como a Idade das Trevas da Seleção. A partir de hoje, tudo estava errado, nada fazia sentido e jogamos uma Copa no lixo. Desde o final do jogo contra a Holanda instituiu-se a mais do que manjada caça às bruxas e teve início o processo de renovação total e absoluta do time, além do resgate do "verdadeiro" futebol brasileiro.

Isso é lamentável e vergonhoso.

Volta agora a velha conversa de Gansos e Neymares, de jogadores totalmente inexperientes e que fariam toda a diferença em um torneio do mais alto calibre. E reclama-se infinitamente de Michel Bastos, Felipe Melo, Josué, Gilberto Silva, como se fosse possível montar um time com 7 atacantes e 3 zagueiros. Isso é muito triste.

Mais triste que isso é ver o desrespeito com que são tratados os que nos representaram na África do Sul. Ninguém foi até lá para perder. Não faltou vontade. Não faltou envolvimento do time com a "causa". E ainda assim, alguns serão massacrados. Tudo está jogado no lixo. Foram 4 anos de nada. Esse é o "país apaixonado por futebol". Triste.

O Brasil, ou parte dele, decidiu eleger Maradona como herói salvador do futebol sulamericano. Maradona sai da Copa tomando uma goleada com um time totalmente inoperante, e é ídolo. Dunga perde em jogo duro, e é vilão. Não há nada errado nisso?

O "verdadeiro" futebol brasileiro morreu quando parte da imprensa passou a achar que pode fazer o papel de torcida e eleger seus queridinhos e seus malvados. Agora, para 2014, teremos quatro anos de lobby por Neymar, Hernanes, Ganso, Coutinho...

A dolorosa verdade sobre todo esse chilique que alguns jornalistas e torcedores dão em cima da seleção é que tudo não passa de recalque e inveja. Alguns se dõem porque seus lindos jogadores não estão vestindo a Amarelinha e ficam querendo que o Brasil tivesse um Özil, um Messi, um Villa... O Brasil não os têm. Talvez se essas pessoas entendessem que boas gerações surgem de tempos em tempos e que, agora, não estamos em alta, o escândalo seria menor.

Se o brasileiro soubesse perder, a maioria dos problemas que o futebol tem por aqui não aconteceria. Mas isso, aparentemente, ainda vai demorar para acontecer. Até lá seguiremos nos degladiando nos estádios e maltratando nossos jogadores e técnicos.

Paciência.

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