Jogando em casa, o Arsenal não era favorito. Nenhum time que jogue contra o Barcelona será favorito; uma grande equipe, no máximo, torna a partida uma incógnita. Os primeiros 16 minutos do jogo mostram o massacre imposto pela máquina que é o Barcelona. Foram 15 finalizações, quase uma por minuto, com 9 indo no gol e 4 sendo salvas milagrosamente pelo goleiro Almunia (que não é nenhuma muralha). Deu pena ver o Arsenal em campo.
Ao final do primeiro tempo o confronto parecia mais equilibrado, apesar da clara predominância dos visitantes. O placar de 0x0 não traduzia o jogo e os outros números mostravam isso. Foram quase 70% de posse de bola do Barcelona. Enquanto o Arsenal tinha dado 91 passes (com um bom índice de acerto) os Catalães tinham trocado nada menos que 278 bolas (com um índice de acerto ainda maior!), mostrando todo o volume de jogo do time.
Os dois gols de Ibrahimovic marcados na primeira metade do segundo tempo pareciam selar o destino de uma equipe dominada em seu próprio estádio e que não mostrava poder de reação. Verdade que as duas alterações feitas por Wenger ainda antes do intervalo (por conta das lesões de Arshavin e Gallas) haviam dado mais segurança ao Arsenal, mas não bastava. Foi então que o excelente técnico mudou a partida, colocando em campo Walcott.
Não demorou 10 minutos para o jovem mostrar que Wenger havia acertado na mosca. Infernizando Maxwell, que vinha tendo vida fácil na lateral do Barcelona, Walcott logo marcou e colocou o Arsenal de volta no jogo. O time cresceu. O Barcelona, com um Messi pouco inspirado e tímido, encolheu. Méritos do brasileiro Denilson, que acertou o meio dos Gunners quando entrou em campo.
O pênalti cometido por Puyol em cima de Fàbregas não apenas deu a chance do Arsenal empatar o jogo como também forçará o Barcelona a escalar a dupla de zaga reserva no jogo de volta na semana que vem (Piqué tomou outro cartão amarelo e estava pendurado). O próprio Fàbregas marcou, chutando com força, e correu para buscar a bola dentro do gol. Mas na volta para o meio campo, sentiu a perna e deixou o gramado.
O Arsenal tinha a chance de buscar a virada, mas agora não teria mais a vantagem numérica. Só que valeu a vontade do camisa 4 dos Gunners que voltou à campo no sacrifício total. Outro que também não entra em campo na semana que vem (também por cartões amarelos), o espanhol ficou no gramado, mas incapaz de fazer qualquer coisa além de simplesmente caminhar.
Era emblemático ver Fàbregas se arrastando em campo, curvado, tentando correr e passar as bolas que chegavam a ele, claramente sem a menor condição de se manter ali por mais de cinco minutos. Mancando, ele foi o símbolo do melhor jogo do ano, um ícone da entrega do Arsenal e da recompensa pelo esforço. O empate em 2x2 pode não ser o melhor resultado do mundo, mas com certeza deve ser visto como uma vitória pelos ingleses. E no Camp Nou, quem sabe o que pode acontecer... O Barcelona ainda tem Messi, Ibrahimovic, Xavi, mas o Arsenal ainda terá a imagem da garra de Fàbregas e o cérebro de Wenger (que decidiu o rumo do jogo).
No Camp Nou o Barcelona será mais uma vez favorito, mas o Arsenal deu o recado: não dará adeus à UCL sem lutar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário