quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Wenger e Arsenal: o ciclo terminou

Arséne Wenger e Arsenal Football Club tiveram anos e anos de um casamento feliz e próspero, que teve como ápice a conquista invicta do Campeonato Inglês de 03/04. Houve também a final de Liga dos Campeões, em 2006, quando saiu derrotado pelo escopo da máquina Barcelonista que vemos hoje em dia. Mas esses momentos felizes acabaram se tornando um passado muito distante dentro da série de fracassos enfrentados pelos Gunners e seu técnico - ou manager, se preferirem. A grande verdade é que, há uma ou duas temporadas, Wenger faz hora extra no Arsenal, já que é evidente que o ciclo do francês no clube inglês já chegou ao fim.

Em 1996, Wenger chegou ao Arsenal com um excelente projeto em mente, e teve competência suficiente para fazê-lo vingar. Com uma política de investimento em jovens, peneirou e lapidou diversos talentos para encorpar um time que tinha cara "dura" do futebol inglês na época. Teve sucesso e foi abraçado pela torcida, no que se tornou o começo de uma verdadeira dinastia de - até agora - 16 anos. Mas após dez, doze anos no comando do mesmo time, era evidente que uma renovação seria necessária, e foi aí que o treinador tropeçou.

Nenhum técnico está livre de erros. Arséne Wenger acreditou que uma nova fornada de garotos seria capaz de manter o Arsenal na briga pelo topo por três ou quatro anos enquanto talentos mais maduros seria pinçados. Em pouco tempo esse plano se mostrou falho, e o grande problema foi a incapacidade do manager de assumir isso. Deveria ter abortado essa linha nos primeiros sinais de que o nível de exigência nos campeonatos europeus já era muito mais alto do que antes. Insistiu. O resultado são campanhas pouco convincentes - a atual, até vexatória - tanto no Campeonato Inglês quanto nas Copas nacionais e, claro, na Champions League.

Não é difícil pensar em reforços que tornariam o Arsenal um time bem mais competitivo. A questão é que com a política "Wenger" de transferências e toda a atenção voltada para a base, o investimento em jogadores formados é praticamente nulo. Quando houve algum acerto envolvendo um atleta com mais de 25, 26 anos, a grande maioria foi de nomes que serviriam apenas para compor elenco. O Arsenal não protagonizou compras que abalassem o mercado ou destacassem o clube; sempre buscou ingredientes que engrossassem o caldo do time. Não bastou.

Impossível não acreditar que os dirigentes dos Gunners não estejam compartilhando o sentimento da torcida e dos analistas esportivos. Os coros contra Wenger são mais fortes do nunca e, há tempos, constantes nas arquibancadas do Emirates Stadium. Começaram como um fraco burburinho, anos atrás, mas com a relação entre manager e clube cada vez mais deteriorada por conta da falta de resultados, hoje ouve-se uma sonora vaia a cada decisão errada que o francês toma. Wenger não tem mais o direito de errar e, nesta altura dos campeonatos, dificilmente conseguirá virar o jogo e ganhar uma nova sobrevida no comando do clube.

Interessados, comecem a sondar o francês. O ciclo terminou.