terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Impresões do Brasil x Itália

Vou estruturar esse post baseando-me no comentário feito pelo Dunga em uma das coletivas. "O grupo para a Copa está quase fechado". É verdade, já que o treinador vem chamando vários jogadores consecutivamente para amistosos, e poucas são as novidades que surgem nas convocações. Porém, se analisarmos esse jogo contra a Itália poderemos tirar conclusões sobre quem está "seguro" e quem anda na corda bamba na luta por uma vaga na Seleção do Dunga.

Júlio César é quase unanimidade. Sempre atua bem tanto no clube quanto na seleção. No banco temos o Doni, que é justamente o oposto. Bem verdade que existem goleiros de maior talento que ele, mas isso não o torna uma escolha "péssima" como pintam.

A dupla de zaga, com Lúcio e Juan, superou a antipatia e desconfiança (criadas por sistemas defensivos anteriores) para se tornarem também titulares com folga. Thiago Silva, uma das novidades do time, apesar de ser muito bom e extremamente promissor não chega a preocupar os dois zagueiros do Brasil. Ainda resta uma vaga pro setor, e sem um candidato favorito.

As laterais são órfãs de dois jogadores que eram ícones na sua época. A esquerda continua em disputa entre muitos, com Marcelo sendo o meu favorito. Eu também apostaria no Fábio Aurélio, do Liverpool, que seria uma escolha mais pela experiência e pelo fator marcação. A direita já tem dono: Maicon, que também lutou muito por seu espaço e vem mostrando que é sim o homem para a posição. É melhor que qualquer jogador que disputa sua vaga, em qualquer aspecto ou fundamento.

Ponto crítico do time, os volantes (sempre muito criticados) têm que se adaptar a um esquema que precisa ser um misto de ataque e defesa, com técnica e pegada. Poucos no mundo teriam condições de preencher com louvor a posição, da maneira que o Brasil (com o futebol ofensivo que pedem os torcedores) atua. Olhando no cenário atual, não há um primeiro volante de nível mundial disponível para a seleção. O ideal seria então utilizar-se de 2 homens de marcação, com qualidade na saída de bola. Elano e Anderson seriam as minhas escolhas, embora Dunga aposte mais no primeiro. Lucas ainda não tem o nível que se espera de um cabeça de área titular do Brasil, mas pode (e acredito que vai) chegar lá. Assim, G.Silva e Josué ainda têm a vaga no coração do treinador, fechando os 3 homens "defensivos" do meio.

A posição que sobra, de criação, é de Kaká e isso ninguém discute. Uma pena que nesse esquema que o Brasil usa, e continuará usando (ao que parece), não haja espaço para outro jogador de maior qualidade técnica e mais ofensivo.

Cabe ao ataque se mover e criar os espaços. Luis Fabiano é brigador e titular, atualmente. Robinho também dificilmente perderá a vaga entre os 11 inicias do Brasil. Os dois reservas seriam Pato, jogador em ascenção, e outro. Adriano vem MUITO mal, Fred esquecido no Lyon (e com a transferência para o Fluminense deve ressurgir, mas leva tempo para reconquistar seu lugar na seleção, atuando no Brasil) e não se sabe se Dunga pretende mesmo contar com Amauri no seu time.

Sobre o jogo, que deveria ser o foco principal desse texto, não há tanto assim para dizer. Um primeiro tempo tranquilo do Brasil, que dominou uma espécie de "mistão" da Azzurra. No segundo tempo, quando a Itália voltou mordida e com alterações chave, o jogo se tornou mais equilibrado, mas ainda assim a seleção passou a partida sem grandes sustos, e Júlio César só teve de fazer uma defesa (difícil, mas só uma). Isso talvez mostre que a tão criticada Seleção Brasileira não anda tão mal das pernas assim, e que deva ser a hora de dar um voto de confiaça ao treinador e deixá-lo trabalhar sem tantas críticas gratuitas.