segunda-feira, 2 de julho de 2012
O lado manso da Fúria
Ainda que a Itália tivesse chegado na grande decisão da Eurocopa derrotando uma excelente Alemanha na semifinal; ainda que tivesse o grande destaque do torneio, Pirlo; ainda que o técnico Cesare Prandelli tenha promovido uma mini-revolução no estilo de jogo da Azzurra, investindo em um esquema menos defensivista e mais fluído; ainda que houvesse muito mais pesando para o lado da Itália, o favoritismo seguia com a Espanha.
Não poderia ser diferente, dado o retrospecto da Fúria nos últimos anos, uma hegemonia que foi traduzida em troféus e em exibições de gala. Porém, na Euro, ainda faltava algo. Nos dias que antecederam o jogo contra a Itália, muitos suspeitavam do momento espanhol. A Fúria seguia como um time paciente e egoísta, com a habitual posse de bola exagerada, mas sem conseguir efetivamente criar oportunidades de gol e, acima de tudo, concretizá-las. Os espanhóis sofreram contra times mais competentes, especialmente contra Portugal.
Com tudo isso em mente, teve início a final da Euro. 14 minutos depois, a Espanha promovia um massacre e fazia um a zero em cima dos italianos. Como explicar?
No que diz respeito ao campo, pura e simplesmente, Xavi guardou seus passes decisivos para o último jogo. O meia vinha fazendo um torneio abaixo das expectativas criadas ao seu redor, mas compensou a torcida no ato final. Mas apenas isso não explica o crescimento do jogo da Espanha na grande final em relação ao que vinha exibindo. Talvez a Fúria tenha adotado um outro aspecto do Barcelona, fora a posse de bola envolvente: a dificuldade em manter a motivação em alta.
É compreensível que depois de uma longa temporada em seus clubes os jogadores se poupem em duelos menos importantes com suas seleções. A questão é que o caso da Espanha é emblemático, tamanha a diferença de "fome" que a equipe mostra em situações mais triviais e nos momentos decisivos. Capaz de protagonizar partidas modorrentas e maçantes, na final da Euro os espanhóis atropelaram uma Itália que - ao contrário do que o placar sugere - foi um bom adversário.
Impossível não ver alguma semelhança com a trajetória que o Barcelona teve ao longo dessa temporada. No Campeonato Espanhol teve tropeços inexplicáveis em partidas onde se mostrou claramente desinteressado, demonstrando uma "certeza" de que em algum momento o gol sairia sem maior esforço, algo que nem sempre se acontecia. Com essa postura, trocava um número exorbitante de passes sem nenhuma objetividade, anotava índices de posse de bola astronômicos, mas não garantia os 3 pontos (ou até os ganhava, mas dessa forma sonolenta). Poucos dias depois, jogando pela Champions League, o Barça sacudia equipes fortes de maneira inapelável. De volta ao Espanhol, nos duelos mais "encorpados", contra times de ponta e especialmente contra o Real Madrid, via-se em campo um time avassalador e que poucas vezes pode ser superado quando estava nesse estágio de empenho.
Com o bicampeonato da Euro conquistado, a Espanha reforça sua condição de melhor seleção mundo e chegará na Copa das Confederações do ano que vem como o time a ser batido. A verdade é que hoje a Espanha só é ameaçada por si mesma e seu lado manso. Mesmo que tropece no torneio para um Brasil sedento ou uma Itália com menos problemas extra-campo, que ninguém se engane: na hora da verdade, em 2014, na Copa do Mundo, a Fúria virá com tudo. E aí, amigos, a coisa fica feia para quem cruza seu caminho...
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Os destaques da fase de grupos da Euro 2012
Terminado o primeiro ato dessa Eurocopa, tanto as surpresas quanto as decepções são bem flagrantes. A eliminação da Holanda, vice-campeã mundial em 2010, pegou a grande maioria dos torcedores e comentaristas esportivos desprevenidos. Na mesma linha - embora em proporções menores - a queda da Rússia para a Grécia, depois do bom futebol apresentado nas duas primeiras rodadas da fase de grupo, também surpreendeu.
Por outro lado, a seleção portuguesa mostrou um rendimento acima do esperado. Cristiano Ronaldo só conseguiu brilhar de fato no terceiro (e decisivo) jogo da equipe, mas outros jogadores se exibiram em bom nível e, com a ajuda de um esquema sólido, os Lusitanos passaram para as quartas. O English Team também soube tirar proveito da cautela e, mesmo cercada de desconfiança por todos os lados, se classificou em primeiro lugar em seu grupo.
Dentre os times que continuam vivos na Euro 2012, Grécia e República Tcheca se destacam como os mais fracos tecnicamente. Ainda assim, em jogos eliminatórios, os dois podem acabar surpreendendo seus adversários, embora os gregos tenham pela frente a temida Alemanha, uma das favoritas ao título. Tchecos e portugueses fazem um jogo sem tanta disparidade, mas tendo Portugal como favorito.
Os dois outros confrontos são quentes e clássicos absolutos do futebol mundial. A Espanha enfrentará uma França, que chegou à Eurocopa embalada e jogando bom futebol. Claro que a Fúria é uma equipe com mais qualidade, onde até no banco de reservas tem ótimos jogadores, mas a vida não será fácil contra Benzama e cia. No outro jogo, Inglaterra e Itália prometem um jogo de forte marcação e de poucas chances de gol. Quem for mais efetivo na hora da decisão, passará para as semis.
Finalizando, deixo aqui minha Seleção da Fase de Grupos da Eurocopa 2012. Foi um trabalho árduo escalar a equipe, com muitos candidatos para algumas posições e poucos para outras. Isso mostra, talvez, os "vazios demográficos" do futebol internacional hoje.
Hart
Alba
Hummels
Pepe
Selassie
Schweinsteiger
Pirlo
Gerrard
Silva
Benzema
Gomez
E você, qual a sua equipe da Euro 2012 até agora?
Por outro lado, a seleção portuguesa mostrou um rendimento acima do esperado. Cristiano Ronaldo só conseguiu brilhar de fato no terceiro (e decisivo) jogo da equipe, mas outros jogadores se exibiram em bom nível e, com a ajuda de um esquema sólido, os Lusitanos passaram para as quartas. O English Team também soube tirar proveito da cautela e, mesmo cercada de desconfiança por todos os lados, se classificou em primeiro lugar em seu grupo.
Dentre os times que continuam vivos na Euro 2012, Grécia e República Tcheca se destacam como os mais fracos tecnicamente. Ainda assim, em jogos eliminatórios, os dois podem acabar surpreendendo seus adversários, embora os gregos tenham pela frente a temida Alemanha, uma das favoritas ao título. Tchecos e portugueses fazem um jogo sem tanta disparidade, mas tendo Portugal como favorito.
Os dois outros confrontos são quentes e clássicos absolutos do futebol mundial. A Espanha enfrentará uma França, que chegou à Eurocopa embalada e jogando bom futebol. Claro que a Fúria é uma equipe com mais qualidade, onde até no banco de reservas tem ótimos jogadores, mas a vida não será fácil contra Benzama e cia. No outro jogo, Inglaterra e Itália prometem um jogo de forte marcação e de poucas chances de gol. Quem for mais efetivo na hora da decisão, passará para as semis.
Finalizando, deixo aqui minha Seleção da Fase de Grupos da Eurocopa 2012. Foi um trabalho árduo escalar a equipe, com muitos candidatos para algumas posições e poucos para outras. Isso mostra, talvez, os "vazios demográficos" do futebol internacional hoje.
Hart
Alba
Hummels
Pepe
Selassie
Schweinsteiger
Pirlo
Gerrard
Silva
Benzema
Gomez
E você, qual a sua equipe da Euro 2012 até agora?
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Ronaldinho sai do Flamengo, mas torcida pode ficar tranquila...
Após muita confusão e erros absurdos de ambos os lados, é noticiado o fim da passagem de Ronaldinho Gaúcho no Flamengo. Caso a notícia não se confirme, a torcida do Fla pode lamentar. A saída do meia é a única solução para os problemas que já se arrastam há meses na Gávea. Não existe nenhuma outra forma de salvar a relação entre clube e jogador, destruída por erros grosseiros de ambas as partes e construídos desde a contratação de R10. É preciso que o Flamengo aprenda alguma coisa com esse ridículo caso que tomou proporções grandes demais.
Sobre a situação de Ronaldinho e seus salários atrasados, é inadmissível que um clube assuma compromissos que não pode cumprir. Isso é uma tônica das administrações do Flamengo, que se preocupa primeiro em assegurar um reforço ou anunciar uma novidade para só depois pensar em formas de fazer as contas fecharem. Não por acaso, raramente - quase nunca - fecham. O Fla é o clube que diz que o dinheiro acabou e, 90 dias depois, anuncia Adriano como reforço. Dentro da realidade do futebol brasileiro, pagar mais de um milhão de reais por mês para um jogador é absurdo (isso sem entrar na questão do "quanto vale R10", ao menos por enquanto), especialmente nas condições que o Flamengo se dispôs a fazê-lo, completamente dependente da Traffic para realizar os pagamentos. A própria Traffic é vilã no caso, por ter participado passivamente do leilão entre Flamengo e Palmeiras quando Ronaldinho estava disponível no mercado apenas para inflacionar o salário do jogador e valorizar a transferência. Agora a conta ficará para o Rubronegro, acionado na Justiça para pagar as cifras que deve ao jogador depois de todos os atrasos de ordenado.
Esportivamente falando, Ronaldinho Gaúcho acabou. Ronaldinho Gaúcho não quer mais ser jogador de futebol de alto nível. Ronaldinho Gaúcho quer festas, e ninguém pode julgá-lo por isso. O erro foi terem apostado tantas fichas em um atleta que já dava indícios de suas reais aspirações há muito tempo, desde quando saiu do Barcelona. Na Europa mesmo, R10 foi criticado pela vida repleta de baladas e minguante de futebol. Já no Brasil, o Flamengo poderia ter lidado com os deslizes profissionais de R10 de muitas maneiras, mas passou a mão na cabeça do meia enquanto ele fazia dois gols e dava uma assistência por mês no ano passado. Enquanto a torcida aplaudia Gaúcho, ele podia fazer o que quisesse fora de campo. Quando vazou a notícia dos atrasos de pagamento, isso virou desculpa para justificar as faltas, atrasos e más exibições de Ronaldinho. Deivid, que não recebia há meses e ouviu desaforo de dirigente nos corredores da Gávea, batia cartão pontualmente no Ninho do Urubu e ia para campo sem inventar desculpas; era ridicularizado pelos torcedores por um gol perdido. Isso é Flamengo.
E agora, para onde irá R10? Impossível acreditar que qualquer clube sério ainda deseje o jogador. Ronaldinho deve mesmo ir para as Arábias encher (mais ainda) os bolsos. Os Sheiks que se preparem!
Sobre Assis, irmão e agente de Ronaldinho, não há o que falar. Foi covarde na negociação de R10, deu várias declarações equivocadas ao longo do imbróglio com o clube, protagonizou um papelão na loja do Flamengo e é investigado por um possível desvio de verbas em projetos sociais. Além de péssimo empresário, mostra ser pior ainda em outros aspectos. Indigno de considerações.
Para finalizar, o que dizer da "organização" do Flamengo? No clube, mandam todos e ninguém. Cada cartola fala o que bem entender e os outros que se virem para apagar os incêndios. O Fla foi capaz de queimar o seu maior ídolo e profissional sabidamente competente, Zico, por conta de dissidências políticas dentro da Gávea. Onde está Patrícia Amorim? No início parecia se tratar de uma comandante com ideias que fugiam dos "lugares-comuns" que regem o futebol semi-amador do Brasil, mas logo se perdeu em meio ao caos político que é - há muito tempo - o Flamengo. Faltou pulso.
Em uma tentativa de mudar o foco, surgiu essa semana a informação de que a Adidas estaria interessada em substituir a Olympikus como fornecedora de material esportivo para o Flamengo. Os valores seriam maiores do que os que o clube recebe hoje e foram apresentados para a Olympikus para que ela possa, se quiser, cobrir a proposta. O Fla vai agora fazer seu próprio leilão em busca de novos trocados, um direito inalienável do clube, que precisa mesmo de novas cifras no cofre. Mas não é tão simples assim: como fica a questão do Museu do Flamengo e da grande loja oficial que vinham sendo tocadas em conjunto com a Olympikus? Os investimentos já feitos, os valores por quebra de contrato e outros tantos pontos burocráticos no negócio? São apenas mais ingredientes que prometem criar ainda mais confusão dentro do Fla.
Mas a torcida Rubronegra pode ficar tranquila! Bruno vem aí...
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Uma final de UCL diferente
A final da UEFA Champions League de amanhã não será a partida que a maioria antecipava antes dos duelos das semis. Ainda que o jogo entre Real Madrid e Bayern de Munique não tivesse um franco favorito, não há como negar que hoje os espanhóis tem um time mais coeso e talentoso que os bávaros (que também tem uma excelente equipe, que fique claro). Do outro lado da chave, a barbada era evidente: como poderia um cambaleante Chelsea eliminar a máquina barcelonista de jogar futebol? Mas o improvável aconteceu, festa em Londres.
Bayern e Chelsea se enfrentam neste sábado carregando nas costas o peso do sacríficio necessário para eliminar aqueles que eram considerados os maiores candidatos para uma decisão épica e inesquecível da UCL. Tanto os alemães quanto os ingleses mandarão ao gramado equipes com alguns reservas, graças às suspensões automáticas por cartões amarelos (no caso de John Terry, um vermelho totalmente desnecessário). É o preço que se paga para superar adversários mais fortes... Aliás, não por acaso, a final será o duelo entre os dois times que mais receberam cartões amarelos na competição. Sinal de jogo pegado, como não poderia deixar de ser.
É a final dos azarões remendados. Já tem tons de drama!
É a final dos azarões remendados. Já tem tons de drama!
Algumas ausências serão muito sentidas. Os Blues perderam Ramires, principal jogador do time nesta reta final de temporada, e John Terry, capitão e referência na defesa londrina, suspensos. Além da importante dupla, Raúl Meirelles e Ivanovic também receberam o terceiro amarelo e ficam de fora. O técnico Di Matteo terá alguma dor de cabeça para preencher as lacunas em seu time titular sem que ele perca a intensidade que vinha mostrando nos últimos jogos.
Ainda com todos os problemas que o Chelsea deverá ter por conta dos desfalques, não vejo muitos motivos para otimismo exagerado pelo lado dos bávaros. As ausências de Badstuber, Alaba e Luiz Gustavo podem dar a impressão de serem menos impactantes que as do adversário, mas tratam-se de nomes importantes para o setor mais deficiente do Bayern, a defesa. Sem seus titulares na lateral direita, um dos zagueiros e o primeiro volante, a tendência é que o torcedor alemão tenha muitas emoções pela frente.
O Chelsea tem um elenco mais coeso e capaz de encontrar alternativas para se ajeitar para a final; o Bayern não. Deverá improvisar o volante Tymoschuck como zagueiro, recuar o excelente (e polivalente) Tony Kroos para ficar ao lado de Schweinsteiger e lançará o brasileiro Rafinha na lateral. Para os Blues, a grande dúvida é se David Luiz e Gary Cahill estarão bem fisicamente e aptos para atuar, já que ambos vem se recuperando de lesões. Com certeza, 100% a dupla não estará, mas acredito que irá a campo. Nenhum dos dois vai querer ficar de fora de uma grande decisão como essa. Já para substituir Ramires, não há no Chelsea alguém capaz de desempenhar a função que Di Matteo lhe delegou, jogando pela ala do campo em uma linha mais avançada. Mata será o responsável por desafogar o time na final, ainda que não viva um momento como o do início da temporada, quando esteve muito bem. O bom lateral Ivanovic será substituído pelo inconstante Bosingwa, para arrepio da torcida londrina.
Com tantos ingredientes, a frustração por não vermos Real Madrid e Barcelona em campo decidindo o torneio fica até em segundo plano. Claro que um duelo entre as duas melhores equipes do mundo na atualidade na grande final da Liga dos Campeões seria espetacular, mas Chelsea e Bayern prometem oferecer uma daquelas partidas inesquecíveis por conta das adversidades que encontrarão. Os dois jogarão contra o rival e contra si mesmos, buscando superar suas limitações evidentes por causa dos desfalques e motivadíssimos para a conquista do troféu. Por si só, a UCL já vale muito; para um Bayern que decide o campeonato em casa e um Chelsea que busca seu primeiro título da competição será, sem dúvidas, o jogo da vida da maioria dos envolvidos no embate.
Para terminar, meu palpite: Bayern de Munique 2 x 1 Chelsea.
Para terminar, meu palpite: Bayern de Munique 2 x 1 Chelsea.
sábado, 5 de maio de 2012
A importância do respaldo
O esporte não consiste, apenas, em onze homens correndo atrás de uma bola e mostrando sua habilidade. Dribles, passes genias e golaços são parte do espetáculo, mas há outro punhado de coisas que decidem a sorte de um time ao logo da temporada. Uma delas é a escolha de um profissional competente para comandar essa equipe e apostar - de verdade - no selecionado.
No início do ano, o Botafogo buscou Oswaldo de Oliveira no Japão e encarou a habitual desconfiança de especialistas e torcedores. Apesar disso, o clube demonstrou desde o início dar total respaldo ao seu novo treinador, e não apenas no discurso manjado de dirigentes que garantem que seus técnicos estão seguros no cargo. O Alvinegro ouviu Oswaldo, acatou suas indicações de reforços e foi atrás desses nomes. Destes, dois se destacaram e ganharam espaço entre as "especulações" da janela antes do início da temporada: Túlio Tanaka, zagueiro nascido no Brasil mas naturalizado japonês não veio; Fellype Gabriel, sim.
Desde o surgimento dos boatos de que Túlio e Fellype Gabriel poderiam pintar no Botafogo, ambos foram taxados como apostas dúbias do treinador. O primeiro por conta de sua avançada idade (e também pelo natural preconceito do torcedor brasileiro com qualquer profissional do futebol que não venha dos grandes centros) e Fellype por causa de sua passagem errática pelo rival Flamengo, onde foi lançado. Ainda assim, o Botafogo confiou no faro de Oswaldo, que trabalhou ao lado de FG no Japão, e trouxe o jogador.
Caso fosse realizada uma pesquisa antes da chegada do meia, não tenho dúvidas de que mais de 70% da torcida e analistas esportivos teriam ressalvas sobre o reforço. Que fique claro, havia motivos para isso; o que questiono é a vêemencia com a qual muitos diziam se tratar de um jogador incapaz de somar ao elenco Alvinegro, especialmente se tratando de um atleta há muito tempo fora dos holofotes e que vinha, justamente, a pedido de um treinador que trabalhara com ele recentemente. Em resumo, a opinião geral formada anos atrás sobre Fellype Gabriel pesava muito mais do que a confiança de Oswaldo no reforço.
Vamos saltar no tempo. Na final da Taça Rio, FG foi um monstro em campo, nada menos que isso. Em minha humilde opinião, o melhor da partida, mesmo com a ótima atuação de Maicosuel (que vinha devendo) e os gols de Loco Abreu (peça fundamental no time). Fellype Gabriel dominou o meio, desarmou, articulou o time, brigou e em nada lembrou o garoto franzino e nervoso dos tempos de Flamengo. Pudera, agora Fellype Gabriel tem 26 anos, não é mais um menino. Aprendeu muito - acredite se quiser - no Japão. Não ficarei preso apenas à decisão contra o Vasco: não vi, ao longo de todo Campeonato Carioca, um jogador que tenha se apresentado tão bem e com a mesma regularidade que Fellype Gabriel. Merece estar entre os melhores do torneio, isso se não for o melhor.
Amanhã acontece o primeiro jogo da final do Cariocão, quando o Botafogo enfrentará o Fluminense. Fellype Gabriel provavelmente estará em campo e terá nova oportunidade de justificar a sua (já justificada) contratação. Está aí a importância do respaldo ao treinador e às suas sugestões/indicações. O Botafogo foi na contramão do que, em geral, acontece no Brasil e o resultado foi o sucesso. Que nenhuma derrota apague essa importante lição.
No início do ano, o Botafogo buscou Oswaldo de Oliveira no Japão e encarou a habitual desconfiança de especialistas e torcedores. Apesar disso, o clube demonstrou desde o início dar total respaldo ao seu novo treinador, e não apenas no discurso manjado de dirigentes que garantem que seus técnicos estão seguros no cargo. O Alvinegro ouviu Oswaldo, acatou suas indicações de reforços e foi atrás desses nomes. Destes, dois se destacaram e ganharam espaço entre as "especulações" da janela antes do início da temporada: Túlio Tanaka, zagueiro nascido no Brasil mas naturalizado japonês não veio; Fellype Gabriel, sim.
Desde o surgimento dos boatos de que Túlio e Fellype Gabriel poderiam pintar no Botafogo, ambos foram taxados como apostas dúbias do treinador. O primeiro por conta de sua avançada idade (e também pelo natural preconceito do torcedor brasileiro com qualquer profissional do futebol que não venha dos grandes centros) e Fellype por causa de sua passagem errática pelo rival Flamengo, onde foi lançado. Ainda assim, o Botafogo confiou no faro de Oswaldo, que trabalhou ao lado de FG no Japão, e trouxe o jogador.
Caso fosse realizada uma pesquisa antes da chegada do meia, não tenho dúvidas de que mais de 70% da torcida e analistas esportivos teriam ressalvas sobre o reforço. Que fique claro, havia motivos para isso; o que questiono é a vêemencia com a qual muitos diziam se tratar de um jogador incapaz de somar ao elenco Alvinegro, especialmente se tratando de um atleta há muito tempo fora dos holofotes e que vinha, justamente, a pedido de um treinador que trabalhara com ele recentemente. Em resumo, a opinião geral formada anos atrás sobre Fellype Gabriel pesava muito mais do que a confiança de Oswaldo no reforço.
Vamos saltar no tempo. Na final da Taça Rio, FG foi um monstro em campo, nada menos que isso. Em minha humilde opinião, o melhor da partida, mesmo com a ótima atuação de Maicosuel (que vinha devendo) e os gols de Loco Abreu (peça fundamental no time). Fellype Gabriel dominou o meio, desarmou, articulou o time, brigou e em nada lembrou o garoto franzino e nervoso dos tempos de Flamengo. Pudera, agora Fellype Gabriel tem 26 anos, não é mais um menino. Aprendeu muito - acredite se quiser - no Japão. Não ficarei preso apenas à decisão contra o Vasco: não vi, ao longo de todo Campeonato Carioca, um jogador que tenha se apresentado tão bem e com a mesma regularidade que Fellype Gabriel. Merece estar entre os melhores do torneio, isso se não for o melhor.
Amanhã acontece o primeiro jogo da final do Cariocão, quando o Botafogo enfrentará o Fluminense. Fellype Gabriel provavelmente estará em campo e terá nova oportunidade de justificar a sua (já justificada) contratação. Está aí a importância do respaldo ao treinador e às suas sugestões/indicações. O Botafogo foi na contramão do que, em geral, acontece no Brasil e o resultado foi o sucesso. Que nenhuma derrota apague essa importante lição.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
A morte do discurso e a ressurreição do vilão
Duas derrotas e um empate bastaram; algo mudou no reino do Barcelona.
Ser eliminado em uma semifinal de Champions League diante de sua torcida, para um Chelsea que jogou dois terços da partida com um jogador a menos, e perder o Campeonato Espanhol em um confronto direto, em casa, sendo superado pelo maior rival, deixará marcas. O discurso da solução na formação, a alma do Barcelonismo, repetido exaustivamente nos últimos anos, terá que ser revisto. O "Orgulho Catalão" precisará de uma pausa pra respirar. Na próxima janela de transferências, o Barça terá que ir às compras ou periga amargar uma temporada igualmente decepcionante em 12/13.
Nos últimos anos, as críticas simplesmente resvalavam no Barcelona. Para os analistas mais conscientes, era óbvio que o elenco era curto, que algumas das improvisações "geniais" de Guardiola eram meros "tapa-buracos" e que haviam lacunas de qualidade dentro da equipe, mas tudo era deixado de lado por conta das sucessivas vitórias. O sucesso censurou qualquer eco negativo no Camp Nou. Agora o barulho voltou.
Os danos vão até mais longe. Esses dois fracassos específicos afetam o próprio desempenho de uma equipe que jogava sempre com a certeza de que alcançaria o gol, independente das circunstâncias. Como lidar com a acachapante realidade de que, no momento em que mais foi preciso, Messi falhou? Em um jogo amarrado, onde Xavi e Iniesta tiveram apenas atuações regulares, seu camisa 10 parou no bloqueio inglês, desperdiçou um pênalti e seguiu no jejum de nunca ter marcado contra o Chelsea. O nervosismo do argentino era evidente.
Por muito tempo contestado por sua inabilidade de repetir na seleção argentina as atuações do Barcelona, a Pulga sempre contou com o sucesso de seu clube para abafar essas vozes. Os questionamentos sobre a capacidade de Messi atuar com a genialidade costumeira em uma equipe que não tenha Xavi, Villa e Iniesta ganharam força novamente.
Que fique claro, todas as dúvidas e críticas são legítimas.
Um grande vilão do Barça ressuscitou nesta quarta-feira, o maior inimigo de qualquer equipe favorita e talentosa: a pressão. A cobrança será proporcional ao sucesso alcançado pelo clube nos últimos anos, afinal a mídia é implacável. Cobrará que se repita aquela hegemonia e dominância que encantou o mundo. Talvez não seja possível...
De agora em diante, e por algum tempo, o Barcelona vai navegar por águas mais revoltas até, através de vitórias, voltar aos céus de brigadeiro. Assim é o futebol.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Quem ganha no caso Oscar?
Em primeiro lugar, vamos deixar um pouco de lado a discussão sobre quem está mais ou menos certo no imbróglio. Em meio a tantas acusações e erros, de ambas as partes, tomar partidos é quase leviano. Claro que há quem se agarre ao lado da Justiça Trabalhista enquanto outro grupo prefere ver o lado mais "humano" da questão, e nesse ponto os dois tem a sua parcela de razão. A proposta desse post é apenas tentar apontar quem - de fato - está ganhando com toda essa confusão.
O Internacional corre o sério risco de não contar com Oscar, que vinha sendo um de seus principais jogadores nas oitavas-de-final da Copa Libertadores, competição mais importante do ano para o Colorado. É difícil imaginar, no cenário que temos hoje desenhado, que o atleta estará liberado para atuar diante do Fluminense, próximo compromisso do Inter no torneio.
A solução para o Internacional seria pagar o valor pedido pelo São Paulo para transferir para si definitivamente direitos federativos de Oscar. O clube gaúcho, porém, dá sinais de que não estar disposto cobrir a proposta do Tricolor, acreditando se tratar de números muito altos e "oportunistas". O Colorado vê a pedida inflacionada por conta de uma espécie de "chantagem emocional" em cima do jovem.
Pelo lado do São Paulo, a situação não chega a ser boa. Apesar da vitória nos tribunais, o retorno do jogador ao clube é carta fora do baralho e a compensação financeira pode não ser a altura do valor real de Oscar (que é, sem dúvidas, um dos grandes talentos que o Brasil tem hoje). Por mais que surjam propostas de clubes de fora do país para o jogador (já há boatos de que o Paris Saint-German está atrás do meia), a confusão é tanta que fica difícil apostar em um desfecho específico para a história.
E o atleta? Certo ou errado em ter abandonado o ex-clube, Oscar é hoje vítima de uma grande pressão para voltar logo a jogar. Faltando menos de 100 dias para os Jogos Olímpicos de Londres, onde em situações normais ele seria presença certa no grupo brasileiro, todos esses problemas podem começar a lançar sombras em cima da certeza que seria sua convocação. Mais do que isso, há até a agonia natural de estar bem fisicamente, sem lesões, vivendo um grande momento e, ainda assim, impedido de atuar.
Quem ganha no caso Oscar? Ninguém.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Merecemos muito mais do que um chute no traseiro
Falta pouco mais de dois anos para a Copa do Mundo do Brasil. Melhor (ou pior) ainda, falta aproximadamente um ano para que o país sedie a Copa das Confederações, quando precisaremos ter funcionando parte da estrutura que nos propomos a montar lá em 2007, lembra? Olhando para o que tínhamos então e o que há de concreto agora, é fácil perceber que merecemos muito mais do que o chute no traseiro sugerido por Jérôme Valcke esta semana.
O que desenha para o Brasil é uma Copa cercada pela mística inegável que envolve o país quando o assunto é futebol, mas onde todo o resto será completamente descartável e abaixo do que era imaginado. Não haverá legado; nosso Mundial será construído através de medidas paliativas e obras que não atenderão completamente a necessidade esportiva e de infraestrutura das sedes. Teremos trinta dias de êxtase futebolístico, com pontos facultativos, bolhas de policiamento em áreas importantes da cidade e, ao fim disso, tudo voltará ao "normal" e teremos poucos ganhos reais para nos lembrar do quão benéfico foi receber uma competição desse porte.
Que ninguém se engane, já é tarde demais para realizar o espetáculo que o brasileiro gostaria. Quem não imaginava receber os amantes do futebol dos quatro cantos do mundo em sua cidade, exibindo aeroportos ultramodernos, permitindo que eles desfrutassem de uma rede de transporte público eficiente e mudando a imagem propagada no exterior de um país sem segurança? Que dirá então vê-los maravilhados ao entrarem em estádios como o Mineirão ou o Maracanã completamente remodelados, e saber que eles foram reestruturados de maneira íntegra, sem desvios de verbas e com planejamento para serem bem utilizados após a Copa?
Valcke, merecemos muito, mas muito mais do que um chute no traseiro, só que não apenas pelo atraso nas obras do Mundial. Merecemos uma verdadeira coça por termos aberto mão de mais uma oportunidade de crescermos como país. Tivemos mais uma chance de, com os holofotes voltados para nossos rostos, mostrar quem realmente somos e que queremos para o nosso futuro. Ao invés disso, a Copa será para o Brasil apenas um meio para enriquecer alguns e, invariavelmente, decepcionar outros milhões. Nós, o povo brasileiro, deixamos mais essa oportunidade passar.
E as Olimpíadas do Rio...?
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Wenger e Arsenal: o ciclo terminou
Arséne Wenger e Arsenal Football Club tiveram anos e anos de um casamento feliz e próspero, que teve como ápice a conquista invicta do Campeonato Inglês de 03/04. Houve também a final de Liga dos Campeões, em 2006, quando saiu derrotado pelo escopo da máquina Barcelonista que vemos hoje em dia. Mas esses momentos felizes acabaram se tornando um passado muito distante dentro da série de fracassos enfrentados pelos Gunners e seu técnico - ou manager, se preferirem. A grande verdade é que, há uma ou duas temporadas, Wenger faz hora extra no Arsenal, já que é evidente que o ciclo do francês no clube inglês já chegou ao fim.
Em 1996, Wenger chegou ao Arsenal com um excelente projeto em mente, e teve competência suficiente para fazê-lo vingar. Com uma política de investimento em jovens, peneirou e lapidou diversos talentos para encorpar um time que tinha cara "dura" do futebol inglês na época. Teve sucesso e foi abraçado pela torcida, no que se tornou o começo de uma verdadeira dinastia de - até agora - 16 anos. Mas após dez, doze anos no comando do mesmo time, era evidente que uma renovação seria necessária, e foi aí que o treinador tropeçou.
Nenhum técnico está livre de erros. Arséne Wenger acreditou que uma nova fornada de garotos seria capaz de manter o Arsenal na briga pelo topo por três ou quatro anos enquanto talentos mais maduros seria pinçados. Em pouco tempo esse plano se mostrou falho, e o grande problema foi a incapacidade do manager de assumir isso. Deveria ter abortado essa linha nos primeiros sinais de que o nível de exigência nos campeonatos europeus já era muito mais alto do que antes. Insistiu. O resultado são campanhas pouco convincentes - a atual, até vexatória - tanto no Campeonato Inglês quanto nas Copas nacionais e, claro, na Champions League.
Não é difícil pensar em reforços que tornariam o Arsenal um time bem mais competitivo. A questão é que com a política "Wenger" de transferências e toda a atenção voltada para a base, o investimento em jogadores formados é praticamente nulo. Quando houve algum acerto envolvendo um atleta com mais de 25, 26 anos, a grande maioria foi de nomes que serviriam apenas para compor elenco. O Arsenal não protagonizou compras que abalassem o mercado ou destacassem o clube; sempre buscou ingredientes que engrossassem o caldo do time. Não bastou.
Impossível não acreditar que os dirigentes dos Gunners não estejam compartilhando o sentimento da torcida e dos analistas esportivos. Os coros contra Wenger são mais fortes do nunca e, há tempos, constantes nas arquibancadas do Emirates Stadium. Começaram como um fraco burburinho, anos atrás, mas com a relação entre manager e clube cada vez mais deteriorada por conta da falta de resultados, hoje ouve-se uma sonora vaia a cada decisão errada que o francês toma. Wenger não tem mais o direito de errar e, nesta altura dos campeonatos, dificilmente conseguirá virar o jogo e ganhar uma nova sobrevida no comando do clube.
Interessados, comecem a sondar o francês. O ciclo terminou.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Thiago Neves e Fluminense: o que realmente assusta no retorno
O imbróglio foi longo e quente. O Flamengo bateu o pé, reclamou, pressionou, mas de nada serviu todo o barulho: Thiago Neves voltou para o Fluminense. No meio de toda a história que povoou o noticiário esportivo nas últimas semanas, algumas questões que ficaram no ar são para deixar torcedores dos dois clubes de cabelo em pé.
Em primeiro lugar o mais grave, na minha opinião: De onde sai todo esse dinheiro do Tricolor? A resposta óbvia é "Unimed", muito atuante dentro das Laranjeiras, mas será que todo esse investimento faz sentido? As contas fecham? O assunto vira e mexe é discutido, e os valores da negociação do meia tornam a colocar o debate em evidência. Os gastos de Celso Barros no Fluminense são caso de sanatório ou de polícia?
Saindo da parte econômica, me flagrei pensando sobre o que passa na cabeça do jogador ao voltar para o Fluminense depois de algumas declarações que deu depois de conquistar o título do Cariocão em 2011. As insinuações de que o Tricolor era "time pequeno" não foram esquecidas por boa parte dos torcedores. Thiago Neves chega no novo-velho clube debaixo de uma pesada atmosfera de animosidade e vai ter que jogar muita bola para que o passado fique, de fato, para trás.
No meio de toda essa discussão, o Flamengo sem dúvidas é quem mais ficou com a imagem mais arranhada. Envolto em polêmicas como o atraso de pagamento de Ronaldinho Gaúcho e o abandono da concentração de Alex Silva, perder Thiago Neves é mais um baque severo na administração da Gávea. A situação é feia e não parece haver sinal de melhora no horizonte. Muita coisa precisa mudar na gestão do Fla para que o clube volte ao rumo correto. Será que agora as palavras de Zico serão levadas mais a sério?
Resumo da ópera, ao menos do meu ponto de vista: o Flamengo perdeu uma peça importante de seu time, o Fluminense gastou demais em um reforço que em 2011 alternou bons e maus momentos e Thiago Neves volta para as Laranjeiras precisando enfrentar a antipatia de boa parte dos torcedores. Quem ganhou com essa confusão toda mesmo?
Resumo da ópera, ao menos do meu ponto de vista: o Flamengo perdeu uma peça importante de seu time, o Fluminense gastou demais em um reforço que em 2011 alternou bons e maus momentos e Thiago Neves volta para as Laranjeiras precisando enfrentar a antipatia de boa parte dos torcedores. Quem ganhou com essa confusão toda mesmo?
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