quinta-feira, 30 de abril de 2009

Dança da camisa

Vou fugir um pouco das competições de clubes. Até o fim de semana postarei algo sobre as semis da UCL e os estaduais do Rio e de São Paulo. Agora, quero ser menos crítico e mais "mediador".

Hoje assistindo TV, vi que já começou a discussão sobre quem deve ser convocado para o lugar de Adriano na Seleção Brasileira. Alguns pedem a volta imediata de Ronaldo, outros querem a estréia de Keirrison... Muitos nomes surgem, e como sempre, nenhum é unanimidade. Quem seria então aquele que teria mais aceitação se fosse convocado? Vou expor aqui cinco candidatos e deixo a pergunta à quem ler.

Começo pelo "real dono" da 9 do Brasil (que não é 9, já que Luís Fabiano é titularíssimo hoje). Ronaldo voltou superando todas as expectativas, como sempre. Regular, jogando bem, e o mais importante, sem lesões até agora. Continuando nesse nível até metade do ano, dificilmente não voltará à seleção e causará furor na torcida, para bem ou para mal.

Keirrison é a mais nova esperança para o futuro do ataque brasileiro. Surgiu ano passado de maneira muito promissora, iniciou esse ano jogando muito bem e marcando muitos gols, mas caiu de produção. Natural para um jovem talento que começa a ser notado e mais bem marcado. Talvez alguns pensem que ele não é tudo isso que se imaginou ano passado, o que julgo ser um exagero. Todos os jogadores atravessam má fase, e Keirrison está lidando com a dele.

Nilmar é nome antigo na lista de "possíveis" convocados. Sofreu com lesões sérias em anos anteriores, o que atrapalhou sua continuidade em clubes e adiou uma chance real na Seleção. Em 2005, por exemplo, com certeza teria uma chance até que lesionou o joelho e ficou mais de 6 seis meses fora dos gramados. Agora livre de problemas físicos e jogando muita bola, é forte candidato para ir à Copa das Confederações.

Grafite corre por fora, mas com méritos. Maldosamente, alguns julgam que depois de Afonso, Grafite não seria nenhum absurdo. Não seria, mas sim porque o atacante do Wolfsburg tem feito muitos gols e sendo destaque de seu time no Campeonato Alemão, e não porque outros jogadores de pouco nome foram convocados (e essa é uma discussão na qual não entrarei... agora). Quem tiver a oportunidade de conferir os números e os jogos do Grafite na Alemanha vai ver que não seria absurdo algum ele ser convocado.

O "boom" Amauri acabou caindo no silêncio depois da má campanha da Juve e um jejum de gols na Itália. Nem por isso ele deve ser considerado carta fora do baralho, principalmente porque Dunga já foi muito pressionado para convocá-lo antes. A questão da disputa Itália-Brasil pela convocação dele pode ser o fiel da balança na hora de decidir se ele iria de fato servir à Amarelinha ou à Azzurra.

Claro que existem alguns outros nomes, mas acredito que não tão fortes e seriam muito mais contestados que esses citados. Deixo aqui a oportunidade para que citem outros atacantes que deveriam, ao menos, ter uma chance no lugar de Adriano na seleta lista de atacantes da Seleção Brasileira. É só comentar!

terça-feira, 28 de abril de 2009

"A torcida ainda não confia"

Isso não era segredo. Se alguém ainda tinha dúvidas de que os torcedores do Botafogo não levavam fé no time, esta deveria ter acabado quando (mesmo depois de ter sido eliminado pelo fraco Americano na Copa do Brasil) a torcida compareceu em peso na final da Taça Rio e teve mais aquela decepção. Depois de dois traumas seguidos contra o Flamengo, e tendo times melhores, nada mais natural que a descrença.

Pior que isso. Os resultados não são ruins, em parte. O time chegou até as finais do Carioca sem grandes sustos, jogando de igual para igual todos os clássicos. A eliminação na Copa do Brasil foi de certa forma inesperada, mas nada de outro mundo. Então caímos no ponto central da descrença, que é o material humano que o técnico Ney Franco tem em mãos.

Muitos dizem que o Botafogo não tem elenco. Mentira! O Botafogo só tem elenco, o que falta é um time. Alguns dos jogadores que entram como titulares na equipe não são ruins a ponto de serem dispensados e caírem no ostracismo do futebol, mas estão longe de serem confiáveis e terem o nível de talento que o Botafogo merece e espera. Nada contra nenhum deles, inclusive, alguns me agradam, mas é difícil aceitar que não haja opções melhores disponíveis.

Em defesa do atual elenco, o próprio presidente do Botafogo já afirmou que é apenas um começo de trabalho e que não esperaria resultados antes do ano que vem. É preciso ter paciência e apoiar o time que hoje enverga a camisa alvinegra, tão tradicional. Isso a torcida vem fazendo. Daí a cobrar presença maciça, confiança inabalável e otimismo infinito, não. Até porque isso não houve mesmo em anos idos, com times melhores e perspectivas mais felizes.

O melhor seria jogadores, técnico, cartolas, todos deixarem de lado esse eterno "choro" de falta de torcida, que só torna a situação patética. Outros times já tiveram que superar desconfiança antes, e fazendo-o ou não, continuam aí. Se ganhar o Carioca, acredito que tudo passe. Se não ganhar, paciência. O que importa é que os torcedores parecem entender e aceitar o fato de que o time é esse, e que a reestruturação do clube passa por mais essa provação. Nada novo para o torcedor Alvinegro.

sábado, 18 de abril de 2009

Em terra de Ancelotti e Ranieri, Mourinho é rei

A temporada européia e o Campeonato Italiano mostraram que o futebol da Terra da Bota não é mais a mesma coisa. Os fracos resultados na Champions League e o Scudetto conquistado sem esforço pela Inter deixam claro a inferioridade do futebol italiano se comparado com outros campeonatos nacionais de ponta da Europa.

Não falta material humano no país. O futebol é paixão nacional e esporte preferido da grande maioria dos garotos italianos. Há estrutura, bons estádios, times estruturados, a economia ajuda e uma história tradicionalíssima no esporte. Surgem bons jogadores com uma boa frequência e os times de ponta têm bons elencos. Então por que os resultados não correspondem?

Juventus, Milan e Internazionale têm bons jogadores a disposição, embora com elencos de maior ou menor qualidade no geral. No papel, são parelhos. Estranhamente, a Internazionale chegará ao tetracampeonato esse ano, sem oposição de verdade. A questão é que o futebol na Itália retrocedeu porque a grande maioria dos treinadores é extremamente retrógrada e ultrapassada.

Claudio Ranieri e Carlo Ancelotti, principalmente, não sabem tirar de seus times tudo que eles podem oferecer. Seja por escalações equivocadas, preferência por alguns esquemas, insistência exagerada em algumas alterações, os treinadores italianos se repetem exageradamente. Não nego que alguns deles são vitoriosos, como o próprio Ancelotti, mas isso não é motivo para ser a prova de críticas, como vinha sendo.

A discussão vai além de jogar feio ou bonito, defensivamente ou indo para cima. É a insistência em erros antigos que levou o Milan a uma série de campanhas ruins no Italiano e a desclassificação na Copa da UEFA (torneio que deveria conquistar com alguma facilidade), e a Juventus a vislumbrar tão distante qualquer chance de ser campeã. Enquanto isso, José Mourinho começa um trabalho na Internazionale e ganha sem suar. Talvez seja hora de rever alguns conceitos e trazer alguns outros treinadores estrangeiros para dar uma chacoalhada geral no futebol italiano. Ele anda precisando.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

E já chegou a hora!

Semifinais de Champions League é prato cheio para mim. Não escondo de ninguém a satisfação em ver o fim da UCL se aproximar, e com jogos tão bons tendo acontecido e por acontecer. Liverpool e Chelsea foi simplesmente a melhor partida de futebol da temporada, com todos os ingredientes de decisão. Alguns dizem ter sido final adiantada; discordo. A partir das quartas-de-final, é comum que haja um jogo de cachorro grande pelo menos, então pode-se dizer que o encontro de dois gigantes não tenha sido lá uma grande surpresa.

Dos que sobraram, acho o Arsenal uma espécie de "surpresa". Não esperava que os Gunners passassem pela Roma, mas conseguiram e pegaram o Villarreal. Longe de ser uma baba, o Submarino Amarelo até assustou, mas sucumbiu com o retorno de Fàbregas e Adebayor ao time inglês. Barcelona, Chelsea e Manchester United estão um degrau acima, em minha opinião.

Barcelona x Chelsea promete ser um jogo de opostos. Não acredito em um time só atacando e outro só defendendo, mas a forma com que cada um o faz é muito diferente. O Chelsea faz o tipo de time duro e eficiente, e qualquer vacilo do Barça pode ser fatal. Já os espanhóis vão jogar pra frente sempre, pressionar e forçar o erro da zaga dos Blues. Jogo muito parelho, vence o que errar menos (correndo o risco de cair no chavão, mas é a mais pura verdade). Com Messi em campo a partida pode ser definida a qualquer momento. Vou de Chelsea, e explico o porquê abaixo.

Manchester United x Arsenal é clássico inglês, e como tal, duro e que vai dar aos times ânimo extra para buscar a vitória. Já disse que acho o Arsenal abaixo dos outros times da semifinal, mas jogando com disposição, pode ganhar. Por outro lado, um benefício dos Gunners é o fato de o Manchester estar às voltas com a disputa da Premier League e pode acabar fazendo um rodízio de jogadores, coisa que o Arsenal nem sonha em fazer. Há o fator Cristiano Ronaldo, que pode decidir um jogo ou passar despercebido, mas também há Rooney, Scholes e outros bons jogadores no time. Aposto no Manchester.

Nada seria melhor no mundo para mim do que ver uma "revanche" da final do ano passado. Se correspondesse às expectativas, seria uma das melhores finais da história da Champions. O Chelsea entraria em campo bufando para dar o troco e o Manchester elétrico buscando o bicampeonato. Só me resta, até a final em Roma, sonhar e esperar que eu acerte meus palpites. Dêem os seus nos comentários!

terça-feira, 14 de abril de 2009

20 anos da Tragédia de Hillsborough

Poucos episódios na história do futebol causaram uma mudança tão drástica quanto a que foi impulsionada pelo Desastre de Hillsborough. Infelizmente foi preciso que ocorresse um drama dessa magnitude para que o tratamento dos torcedores na Inglaterra e no mundo começasse a mudar.

No dia 15 de abril de 1989, no estádio do Sheffield Wednesday (que atualmente disputa a segunda divisão do Campeonato Inglês) 96 torcedores do Liverpool morreram esmagados ou pisoteados depois de uma grande confusão na entrada do estádio de Hillsborough. O jogo entre Nottingham Forest e Liverpool, válido pelas semifinais da FA Cup, durou apenas seis minutos antes de ser interrompido por causa da confusão.

Uma soma de fatores desenhou o quadro final do desastre: o primeiro deles e mais grave era a presença de altas grades que dividiam as arquibancadas e separavam os torcedores do gramado; em segundo lugar, um problema na liberação dos torcedores enquanto estes tentavam entrar no recinto, causando empurra-empurra e uma superlotação, que culminou com as mortes. O estádio de Hillsborough já tinha um histórico de problemas, com outros episódios parecidos e por razões semelhantes, mas nunca com mortes.

Muitos torcedores ficaram nos arredores do estádio mesmo sem possuírem ingressos. A grande concentração de pessoas que poderiam entrar acabou se misturando com os que tentavam assistir ao jogo ilegalmente, e formou-se um grande congestionamento humano perto das catracas. Os que não tinham ingressos não podiam sair, e os que tinham, não conseguiam entrar. Assim começou a confusão ainda do lado de fora de Hillsborough. Com medo de haver feridos ou mortos no meio desse caos, a polícia liberou uma passagem sem bloqueios, que seria a saída, e todos os torcedores começaram a entrar, com ou sem ingresso.

O fluxo de gente que saía na parte de trás da arquibancada começou a empurrar as pessoas que já estavam próximas a grade, e cada vez mais ia acumulando-se torcedores empurrando e sendo empurrados dentro do “canteiro” central de Hillsborough. Muitos morreram por asfixia, imprensados no meio da multidão. Como o jogo já havia começado, poucos perceberam a gravidade da situação, e somente quando começou uma invasão de campo é que o estádio de fato acordou para o acontecimento. Buscando ar, vários torcedores escalaram as grades, saltaram para o campo, e começaram a ajudar outras a saírem, tentando derrubar esse mesmo gradeado. Por fim ele cedeu, caindo sobre essas pessoas junto com outros tantos torcedores, matando alguns e ferindo outros.

Com seis minutos de jogo corridos, a partida foi interrompida. A polícia invadiu o campo, tentando organizar a multidão, mas sem sucesso. Houve também um erro das autoridades, ao proibirem a entrada de 43 ambulâncias no gramado. A única que teve permissão para chegar ao local da tragédia foi obrigada a ir embora sem atender ninguém, já que o número de feridos era muito grande. Os torcedores que estavam em condições quebraram placas de propaganda e improvisaram macas para ajudar quem estava em pior estado, além de prestar os primeiros-socorros.

94 pessoas morreram no local, de causas diversas. Outros 766 torcedores ficaram feridos, com mais 300 sendo levados ao hospital para exames. Quatro dias depois, um menino de 14 anos morreu no hospital, em decorrência dos ferimentos. Um outro torcedor veio a falecer em 1993, depois de ficar em coma por quase quatro anos. Esses foram os números finais da Tragédia de Hillsborough.

Foi lançado um inquérito para apurar as causas do desastre. O chamado “Inquérito de Taylor”, por conta de Peter Murray Taylor, encarregado da investigação. A postura da polícia e o design do estádio foram considerados determinantes, e por isso muito foi revisto no sentido de manter a ordem e criar segurança dentro dos campos de jogo. A partir de então foi proibida a instalação de grades ou muros nos estádios para separar a torcida do campo e a implantação dos “Stewards”, supervisores que são vistos hoje na beira do gramado e, além de controlarem o público, podem instruí-los em casos especiais.

O drama inglês não passou despercebido por outros clubes da Europa. Em solidariedade, muitos prestaram homenagens ao Liverpool e seus torcedores. A que merece destaque aconteceu no jogo entre Milan e Real Madrid pela Copa da UEFA. Não houve um minuto de silêncio antes do jogo. Só aos seis minutos de partida o juiz interrompeu o jogo para prestar a homenagem. Durante esse tempo, a torcida do Milan começou a entoar o cântico símbolo dos Reds, “You’ll Never Walk Alone”.

Ainda há marcas do desastre dentro do próprio Liverpool. O volante e estrela maior do time, Steven Gerrard, perdeu seu primo no fatídico 15 de abril de 1989 e outros jogadores e ex-jogadores do clube foram atingidos, direta ou indiretamente. Em homenagem aos mortos da Tragédia de Hillsborough, memoriais foram erguidos, mas nenhum deles mais importante como o que fica ao lado do próprio estádio onde tudo ocorreu, onde pode-se ler:

Em memória aos 96 homens, mulheres e crianças que morreram tragicamente, e aos inúmeros que tiveram suas vidas mudadas para sempre.
Semifinal da FA-Cup, Liverpool x Nottingham Forest
15 de Abril de 1989
“You’ll never walk alone”


De fato, eles não estão sozinhos, e serão sempre lembrados pela nação de torcedores do Liverpool como ocorre hoje, 20 anos depois de tudo.