quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Um fiasco que dá o exemplo

Não é de hoje que me preocupo com o que acontecerá à Seleção Brasileira na Copa do Mundo do Brasil. Os rumos que a equipe vem tomando e seu atual rendimento não sugerem que alcançaremos o objetivo, que é o título. Qualquer resultado diferente desse será considerado um fracasso (e de fato o será), mas tenho o sentimento de que o Brasil pode acabar caindo ainda antes de uma final no Maracanã e de maneira traumática. Completando este cenário está a atual mentalidade de quem dirige nosso futebol e da grande maioria da torcida, que avalia jogadores com critérios muito duvidosos.

Um exemplo claro disso é o fiasco estrelado pelo futebol do Brasil no Pan de Guadalajara. Uma equipe formada com - teoricamente - o futuro da Seleção. Ficaram de fora Lucas, Neymar e Oscar, uma trinca de muito respeito (quando falamos de categorias de base), mas ainda assim o time DEVERIA ter plenas condições de vencer facilmente qualquer adversário (excetuando-se a Argentina, também tradicional). O que se viu foi um grande papelão, com jogadores superestimados em seus clubes tendo atuações ridículas e nenhum senso coletivo dentro de campo. Culpa de Ney Franco? Improvável, afinal seu forte sempre foi compor grupo e o trabalho desenvolvido por ele na base da Seleção vinha sendo ótimo. Ali houve puro descaso dos jogadores com a camisa, e incapacidade, falta de talento e inteligência futebolística em seu estado mais bruto.

É inadmissível que o Brasil seja derrotado categoricamente pela Costa Rica. É igualmente patético o jogo realizado contra Cuba, uma seleção sem NENHUMA tradição. As tais "promessas" do futebol brasileiro (algumas atuando com alguma frequência em seus clubes) fizeram foi um grande papelão. O que acontecerá? Nada. Serão recebidos em suas equipes e, quando entrarem em campo, o torcedor-comum continuará repetindo o discurso replicado diariamente por parte da grande mídia: o Brasil é o país do futebol, nossos jovens são extremamente talentosos, nossa Seleção é e sempre será a melhor do mundo, que o país é um celeiro de craques...

HOJE, final do ano de 2011, não temos sequer a terceira melhor Seleção do planeta. Talvez, apenas talvez, estejamos entre as cinco. Pior ainda, quem sabe ainda nem tenhamos um time, pois até agora o trabalho de Mano Menezes não achou norte e seguem-se convocações às cegas e com pouco critério. Quem o critica? Poucos. Ele segue chamando os queridinhos do Brasil, jovens que ainda tem muito a provar e que são tratados como gênios aonde quer que vão, ficando acima de quaisquer críticas. HOJE, final do ano de 2011, depositamos nossa total e absoluta confiança em três ou quatro jogadores que terão 21, 22 ou 23 anos na Copa do Mundo mais importante da história do país.

Temos bons nomes? Claro que sim. É indiscutível que Neymar será um jogador importante para o Brasil em um futuro não muito distante. Assim como ele, há a esperança que outros consigam crescer ainda mais e podem sim fazer parte do grupo que nos representará em 2014. Daí a colocarmos como os salvadores da pátria e os escolhidos para liderarem a equipe mais tradicional do futebol mundial existe um pequeno salto. Mais do que isso, nossa geração de jovens é pior que a da Alemanha, por exemplo, e que ainda assim tem alguma resistência em confiar tanto em jogadores com 20, 21 anos.

É realmente a melhor decisão apostar tanto em garotos? O atual rendimento da Seleção principal sugere que não...