terça-feira, 27 de julho de 2010

O que é renovação?

A Era Mano começou. O substituto de Dunga foi escolhido e sua missão já era conhecida por todos os brasileiros. Não há como negar que 2010 foi o final de uma geração especial do Brasil e que agora começa o reinado de outra. O problema é que o real significado da palavra "renovação" é ignorado por muitos, e o próprio técnico parece ter escorregado em sua primeira lista.

Antes de comentar a convocação, é preciso apontar o primeiro equívoco de Mano. Ao não deixar claro que, nesses primeiros jogos, a regra será chamar jovens e deixar de fora os figurões, o treinador abre espaço para críticas. É mais do que claro que Júlio César, Maicon e Kaká (entre outros) fazem parte dos planos da Seleção, mas avisar nunca é demais.

Sendo assim, se é para testar os garotos, não faz sentido convocar Daniel Alves. Sabemos do que o lateral é capaz, assim como Robinho. Seria melhor testar outras opções nessas duas posições. A impressão que fica é que Mano decidiu jogar fora 90% do trabalho anterior (excetuando-se os grandes nomes) e começar tudo do zero. Um grande erro para quem planeja renovar.

Não vamos também ignorar os acertos do técnico. Muitos jovens terão merecidamente uma nova chance na Seleção. Pato, Lucas e Marcelo estão de volta. Além desses, David Luis, Rafael, Ganso e Sandro recebem sua primeira oportunidade. É uma ótima base de garotos para 2014, e resta ver se estão prontos para corresponder.

Alguns ficaram de fora. Para mim o jovem Denílson do Arsenal poderia estar nessa lista, mas não tenho dúvidas de que estará em alguma mais adiante. Diego, da Juventus, também merece uma outra chance. Esses são apenas detalhes, e com certeza Mano lembrará desses nomes nas próximas convocações.

Para mim o maior erro foi ignorar nomes importantes do trabalho anterior. Victor, Thiago Silva, Daniel Alves, Ramires e Robinho foram lembrados e estão presentes. Mas então por que deixar Elano de fora, uma vez que o meia sempre foi muito bem com a Amarelinha? A idade não é problema, nem o futebol jogador. Ao que parece, a exclusão do jogador foi apenas para dar um sumiço em uma das "ovelhas negras" de Dunga e ter mais tranquilidade nos primeiros momentos como treinador. Um erro. O técnico da Seleção tem que escolher os melhores, e certamente Elano está entre eles.

Há os nomes que geram certa desconfiança também nessa lista. Jefferson não é um goleiro ruim, mas não havia ninguém apostando em sua convocação. Renan, do Avaí, é um jovem que apareceu bem, mas mostrou pouco até agora. Ederson é quase anônimo no Brasil e com certeza vai ser alvo de críticas. Mas o "surpreendente" mesmo é Jucilei. Não há motivo algum para o volante estar no grupo da Seleção. E aí voltamos ao que disse antes: como pode estar Jucilei vestindo a camisa do Brasil e Elano, que vinha bem, assistir de casa?

Colocando na balança e sendo um pouco complacente com Mano, que teve que fazer uma lista com pouco tempo para pensar, o início é bom. O mais importante é que o técnico mostra desenvoltura na hora de falar com a imprensa e parece querer deixar suas escolhas às claras. Mas também vale um puxão de orelha pelos deslizes. Sou adepto da filosofia de esperar mais antes de criticar, e é o que farei. Vamos ver se as apostas e os jovens do Brasil vão jogar o que sabem e dar um pouco de tranquilidade a seu comandante.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O melhor da Copa

Hora de montar a seleção da Copa de 2010. Não é uma tarefa particularmente fácil, por uma série de motivos. O Mundial da África contou com destaques individuais em algumas posições, mas também evidenciou a falta de grandes nomes em outras.

Não há um grande lateral esquerdo no mundo. Nenhum jogador se destacou na função, e o escolhido se deu mais por não ter comprometido do que por ter apresentado um bom futebol. Outra posição complicada é a de primeiro volante. Quando o jovem e irregular Busquets se destaca, quer dizer que há algo de errado.

Mas nem tudo é tragédia dentro dos campos. Se essa foi a Copa do fracasso dos grandes nomes, foi o da afirmação dos bons jogadores. Gente como Forlán, Sneijder e Lahm pode mostrar que não apenas de contratos milionários se faz o futebol - não que estes ganhem trocados, mas deu para entender o ponto.

E a arbitragem? Seria fácil dizer que foi péssima, como muitos gostam de fazer. Precisamos lembrar que durante a primeira fase, o nível dos juízes foi bom, acima de Copas anteriores. Infelizmente no mata-mata tivemos dois erros inacreditáveis e que mudaram a história dos jogos. Inglaterra e México foram grosseiramente prejudicados. Na final, o ótimo Howard Webb também passou por maus bocados, embora não tenha chegado a comprometer. As últimas impressões não foram das melhores, mas não podemos esquecer do bom começo. Por isso digo que o nível dos "professores" na África do Sul foi mediano. Dá para melhorar, mas não chegou a ser ruim.

E agora, vamos aos melhores da Copa, com direito à técnico e juíz!

Casillas (ESP)
Lahm (ALE)
Friedrich (ALE)
Lúcio (BRA)
Capdevila (ESP)
Xavi (ESP)
Schweinsteiger (ALE)
Sneijder (HOL)
Muller (ALE)
Forlán (URU)
Villa (ESP)

Técnico: Óscar Tabarez (URU)

Árbitro: Rashan Irmatov (UZB)

domingo, 11 de julho de 2010

Um abraço ao povo holandês

Era um duelo cruel. Qualquer um que saísse perdedor sentiria muito o golpe. Claro que sempre é assim em uma final de Copa do Mundo, quando se está tão perto de um título dessa magnitude. Perder sempre dói. Mas para Holanda e Espanha, perder hoje seria especialmente trágico. A Fúria nunca tinha ido tão longe no Mundial e via a chance de colocar sua primeira estrela na camisa, com uma geração excepcional. Já a os holandeses, bi vices, tinham outra oportunidade para serem campeões e finalmente coroarem a boa escola de futebol do país. Nessa luta de traumas, um sairia curado e outro mais aleijado.

Deu Fúria. Apesar do excesso de preciosismo, dos erros de finalização e do nervosismo óbvio, a Espanha conseguiu superar uma Holanda mais cascuda e objetiva. Talvez essa tenha sido a vitória de um futebol mais romântico, aquele mesmo que em 74 e 78 - vestindo laranja - saiu derrotado contra Alemanha e Argentina, respectivamente. Com sorte essa será uma noite para lembrar que o futebol "à moda antiga" ainda pode vencer (apesar das dificuldades).

Poderia passar muito tempo falando dos méritos da Espanha, que são muitos. De fato, os espanhóis tem uma geração especial nas mãos, e em 2014 darão trabalho. Em um misto de experiência e juventude, a Espanha conseguiu jogar bem, bonito e vencer. Mas nessa hora acho mais importante falar da Holanda, a mais injustiçada das nações do futebol.

Pobre povo holandês, que amarga ver ótimos times, grandes jogadores e excepcionais campanhas coroadas com "fracassos". Entre aspas porque, para mim, 74 não é uma derrota; é uma vitória de prata, nada mais. Como é triste ver que Cruyff, Neeskens, Rijkaard, Gullit, Van Basten, Bergkamp, Van Nistelrooy, tantos jogadores de alto calibre sem um título mundial. Imagine a decepção que é perder duas vezes encantando e perder outra tentando convencer, justo contra quem tentava encantar. Dói.

Por isso deixo meu abraço ao povo holandês. Sou apenas mais um simpatizante da bonita e capaz escola de futebol do país, repito, a mais injustiçada no futebol. Merecia ser campeã. Talvez bi. Quem sabe tri? Mas segue com o uniforme sem estrela alguma. Quer saber? Ele é bonito assim, todo laranja mesmo. Foi sem título algum que a Holanda encantou e revelou dezenas de jogadores. Relaxe Amsterdã, a sua hora vai chegar, e eu vou estar aqui para ver!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Post 100: Um novo campeão

Post simbólico no Futeblog Mundial! Aproveito o centésimo post para agradecer aos meus poucos leitores. É para vocês que isso existe!

Aproveitando o clima de momentos especiais, nenhum assunto seria melhor do que a final desse domingo. Holanda e Espanha vão lutar para se sagrarem campeãs mundiais pela primeira vez, depois de campanhas similares e de suspeitas parecidas.

Antes da Copa, ninguém negava que a Fúria e a Laranja Mecânica tinham boas equipes. Individualmente eram bons times, com grandes jogadores e vinham de resultados excepcionais nas eliminatórias. O problema das duas seleções era o mesmo: a fama de amarelarem e morrerem na praia. Mesmo com tradição no futebol, a Espanha, coitada, nunca havia chegado a uma final sequer. A Holanda bateu na trave duas vezes, em 74 e 78, com uma geração espetacular. Por que acreditar que agora tudo seria diferente?

Villa e Sneijder fizeram a diferença. Além das duas equipes terem sistemas táticos eficientes e muita qualidade, esses dois jogadores desequilibraram a favor de seus times. Faltou isso à Argentina de Messi, ao Brasil de Kaká e à Inglaterra de Rooney. É a soma desses fatores (tática + qualidade individual + jogador especial) que faz uma seleção campeã.

Palpite para Espanha x Holanda? Difícil. Aposto em uma final complicada e acho que a coisa será decidida na prorrogação. Se fosse para colocar algum dinheiro, escolheria a Fúria como campeã, mas a Holanda merece mais o título. O Carrossel Holandês merece esse afago agora, atrasado, para lembrar o mundo que a escola do país é muito forte.

domingo, 4 de julho de 2010

O Massacre

Pronto, começou. Agora chegou a tão esperada hora para 90% dos jornalistas brasileiros, que mal podiam esconder a vontade de pisotear Dunga e seu trabalho. Chegou a hora do banquete e do massacre.

De agora em diante, a "Era Dunga" será tratada como a Idade das Trevas da Seleção. A partir de hoje, tudo estava errado, nada fazia sentido e jogamos uma Copa no lixo. Desde o final do jogo contra a Holanda instituiu-se a mais do que manjada caça às bruxas e teve início o processo de renovação total e absoluta do time, além do resgate do "verdadeiro" futebol brasileiro.

Isso é lamentável e vergonhoso.

Volta agora a velha conversa de Gansos e Neymares, de jogadores totalmente inexperientes e que fariam toda a diferença em um torneio do mais alto calibre. E reclama-se infinitamente de Michel Bastos, Felipe Melo, Josué, Gilberto Silva, como se fosse possível montar um time com 7 atacantes e 3 zagueiros. Isso é muito triste.

Mais triste que isso é ver o desrespeito com que são tratados os que nos representaram na África do Sul. Ninguém foi até lá para perder. Não faltou vontade. Não faltou envolvimento do time com a "causa". E ainda assim, alguns serão massacrados. Tudo está jogado no lixo. Foram 4 anos de nada. Esse é o "país apaixonado por futebol". Triste.

O Brasil, ou parte dele, decidiu eleger Maradona como herói salvador do futebol sulamericano. Maradona sai da Copa tomando uma goleada com um time totalmente inoperante, e é ídolo. Dunga perde em jogo duro, e é vilão. Não há nada errado nisso?

O "verdadeiro" futebol brasileiro morreu quando parte da imprensa passou a achar que pode fazer o papel de torcida e eleger seus queridinhos e seus malvados. Agora, para 2014, teremos quatro anos de lobby por Neymar, Hernanes, Ganso, Coutinho...

A dolorosa verdade sobre todo esse chilique que alguns jornalistas e torcedores dão em cima da seleção é que tudo não passa de recalque e inveja. Alguns se dõem porque seus lindos jogadores não estão vestindo a Amarelinha e ficam querendo que o Brasil tivesse um Özil, um Messi, um Villa... O Brasil não os têm. Talvez se essas pessoas entendessem que boas gerações surgem de tempos em tempos e que, agora, não estamos em alta, o escândalo seria menor.

Se o brasileiro soubesse perder, a maioria dos problemas que o futebol tem por aqui não aconteceria. Mas isso, aparentemente, ainda vai demorar para acontecer. Até lá seguiremos nos degladiando nos estádios e maltratando nossos jogadores e técnicos.

Paciência.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Queda e retomada

O Brasil caiu. Estou triste, também sou torcedor, e perder sempre dói. Mais do que isso, o Brasil perdeu cometendo erros que não cometeu em quatro anos, desde a eliminação para a França em 2006.

Na fatídica partida no Mundial passado, o pior não foi a derrota dentro de campo. Em um jogo onde o Brasil foi mal e apático, doeu mais ver o descaso dos jogadores com o resultado. Aceitavam a dominação francesa e assim foi até o final. A situação hoje foi outra.

Nunca faltou garra ao time de Dunga. Também nunca faltou competência à ótima zaga, ao excelente goleiro. Felipe Melo pode ser pintado de vilão agora, mas nunca havia perdido usando a Amarelinha. Mais que isso, tinha resolvido alguns problemas no meio campo do Brasil (trazendo outros consigo, mas nenhum jogador é apenas qualidades). Infelizmente neste 2 de junho, uma conjunção de fatores tirou a seleção da Copa.

Quem poderia dizer que Júlio César falharia no primeiro jogo em que seria cobrado? E o que falar do setor defensivo tão forte e que tinha solucionado o problema de bolas aéreas da zaga brasileira, que hoje acabou também errando. Culpados? Nenhum em especial, e todos. Mas nada de dramático e exagerado; derrotas acontecem. O Brasil, um dos favoritos para a conquista do título, caiu para um rival direto.

Agora é a hora da retomada. As feridas vão fechar e os erros serão corrigidos. Muitas críticas foram feitas a esse grupo, algumas desmedidas e outras não. Esse é o momento de evoluir, de salvar o (muito) de bom que teve o trabalho de Dunga em quatro anos de seleção e acertar os problemas. Talvez alguns tenham razão ao dizer que pode ter faltado opção no banco ou talento no campo, mas o amor de vestir a camisa voltou. Isso não tem preço.

Estamos acostumados a ganhar, e talvez por isso as derrotas sejam ainda piores. Mas 2014 vem aí, e com a próxima Copa vem também uma nova esperança, uma nova chance. A vida é assim, feita de quedas e aprendizados. Vamos mostrar que aprendemos mais essa lição. É preciso saber perder. É preciso dar méritos aos vencedores e não desmoralizar os perdedores.

Caímos como um time de garra e que lutou até o fim. Isso sim é o que importa. Sair sentido pela derrota é melhor do que alheio ao fracasso. Por isso, e muito mais, 2010 significa uma derrota melhor (e pior, contraditoriamente) do que 2006. Pode não bastar para muitos, mas é um passo adiante. Agora começa uma nova caminhada rumo ao Hexa. Vamos Brasil!

PS: Caio Fernandes Lemos é jornalista e torcedor fanático da Seleção.