Era um duelo cruel. Qualquer um que saísse perdedor sentiria muito o golpe. Claro que sempre é assim em uma final de Copa do Mundo, quando se está tão perto de um título dessa magnitude. Perder sempre dói. Mas para Holanda e Espanha, perder hoje seria especialmente trágico. A Fúria nunca tinha ido tão longe no Mundial e via a chance de colocar sua primeira estrela na camisa, com uma geração excepcional. Já a os holandeses, bi vices, tinham outra oportunidade para serem campeões e finalmente coroarem a boa escola de futebol do país. Nessa luta de traumas, um sairia curado e outro mais aleijado.
Deu Fúria. Apesar do excesso de preciosismo, dos erros de finalização e do nervosismo óbvio, a Espanha conseguiu superar uma Holanda mais cascuda e objetiva. Talvez essa tenha sido a vitória de um futebol mais romântico, aquele mesmo que em 74 e 78 - vestindo laranja - saiu derrotado contra Alemanha e Argentina, respectivamente. Com sorte essa será uma noite para lembrar que o futebol "à moda antiga" ainda pode vencer (apesar das dificuldades).
Poderia passar muito tempo falando dos méritos da Espanha, que são muitos. De fato, os espanhóis tem uma geração especial nas mãos, e em 2014 darão trabalho. Em um misto de experiência e juventude, a Espanha conseguiu jogar bem, bonito e vencer. Mas nessa hora acho mais importante falar da Holanda, a mais injustiçada das nações do futebol.
Pobre povo holandês, que amarga ver ótimos times, grandes jogadores e excepcionais campanhas coroadas com "fracassos". Entre aspas porque, para mim, 74 não é uma derrota; é uma vitória de prata, nada mais. Como é triste ver que Cruyff, Neeskens, Rijkaard, Gullit, Van Basten, Bergkamp, Van Nistelrooy, tantos jogadores de alto calibre sem um título mundial. Imagine a decepção que é perder duas vezes encantando e perder outra tentando convencer, justo contra quem tentava encantar. Dói.
Por isso deixo meu abraço ao povo holandês. Sou apenas mais um simpatizante da bonita e capaz escola de futebol do país, repito, a mais injustiçada no futebol. Merecia ser campeã. Talvez bi. Quem sabe tri? Mas segue com o uniforme sem estrela alguma. Quer saber? Ele é bonito assim, todo laranja mesmo. Foi sem título algum que a Holanda encantou e revelou dezenas de jogadores. Relaxe Amsterdã, a sua hora vai chegar, e eu vou estar aqui para ver!
domingo, 11 de julho de 2010
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