O que desenha para o Brasil é uma Copa cercada pela mística inegável que envolve o país quando o assunto é futebol, mas onde todo o resto será completamente descartável e abaixo do que era imaginado. Não haverá legado; nosso Mundial será construído através de medidas paliativas e obras que não atenderão completamente a necessidade esportiva e de infraestrutura das sedes. Teremos trinta dias de êxtase futebolístico, com pontos facultativos, bolhas de policiamento em áreas importantes da cidade e, ao fim disso, tudo voltará ao "normal" e teremos poucos ganhos reais para nos lembrar do quão benéfico foi receber uma competição desse porte.
Que ninguém se engane, já é tarde demais para realizar o espetáculo que o brasileiro gostaria. Quem não imaginava receber os amantes do futebol dos quatro cantos do mundo em sua cidade, exibindo aeroportos ultramodernos, permitindo que eles desfrutassem de uma rede de transporte público eficiente e mudando a imagem propagada no exterior de um país sem segurança? Que dirá então vê-los maravilhados ao entrarem em estádios como o Mineirão ou o Maracanã completamente remodelados, e saber que eles foram reestruturados de maneira íntegra, sem desvios de verbas e com planejamento para serem bem utilizados após a Copa?
Valcke, merecemos muito, mas muito mais do que um chute no traseiro, só que não apenas pelo atraso nas obras do Mundial. Merecemos uma verdadeira coça por termos aberto mão de mais uma oportunidade de crescermos como país. Tivemos mais uma chance de, com os holofotes voltados para nossos rostos, mostrar quem realmente somos e que queremos para o nosso futuro. Ao invés disso, a Copa será para o Brasil apenas um meio para enriquecer alguns e, invariavelmente, decepcionar outros milhões. Nós, o povo brasileiro, deixamos mais essa oportunidade passar.
E as Olimpíadas do Rio...?
