terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O manual de instruções do Barcelona

Sim, é uma tarefa ousada tentar explicar e destrinchar o modo de jogar do Barcelona de Pep Guardiola. Já considerada uma das melhores equipes da história do futebol (com razão), a máquina do Barça é engenhosa e eficiente, ainda que extremamente prática. Por que então parece impossível bater os Catalães?

Em primeiro lugar, é preciso avaliar os pontos fortes e pontos fracos do Barcelona. As qualidades são muitas, e a principal delas é a capacidade de variar o jogo ofensivamente. Xavi, Messi, Iniesta e Fàbregas são os jogadores designados para a função de criação do time. Além disso, Daniel Alves, Busquets e até mesmo Piqué podem surgir de surpresa no terço final do campo e ajudar o ataque do Barça. É muito difícil impedir que o Barcelona tenha algum jogador livre no ataque, e esse fator é o que determina a quantidade de jogadas perigosas que o time consegue armar.

A contrapartida disso é, obviamente, o caos que reina quando o adversário tem a possibilidade de armar um contra ataque. Com seis ou sete jogadores dentro do campo ofensivo, uma resposta mais aguda do rival quase sempre levará muito perigo. Além disso, pressionar a saída de bola do Barça já se mostrou uma arma eficiente, embora impossível de ser aplicada durante os 90 minutos de um confronto. Se usada de maneira pontual, porém, pode atrapalhar bastante os planos de posse de bola infinita dos comandados de Pep Guardiola.

O maior perigo que o Barcelona oferece são os passes entre as linhas do adversário, uma área desocupada e que deixa Alexis Sanchez, Pedro, Messi ou Villa entrarem em velocidade de frente para o gol, sozinhos com a defesa. Xavi, Iniesta e o próprio Messi são especialistas nesse passe nas costas dos volantes quando estes saem para pressionar quem está com a bola. É questão de esperar o momento certo e jogar a bola no ponto futuro para quem estiver fazendo a infiltração, que quase sempre resulta em uma jogada mortal. Ou seja: para não ser dizimado pelo Barça, é preciso compactar o time o máximo possível ou ocupar as "entrelinhas" da equipe; jogar contra um 4-4-2 clássico, por exemplo, é o sonho de consumo do Barcelona.

Falando especificamente em zonas, as alas do Barça são as posições mais frágeis defensivamente, em especial do lado direito. Daniel Alves não tem o cacoete de um grande marcador e quem cobre suas subidas é o lento (embora muito bom) Puyol. Pela esquerda, Abidal ainda não foi apresentado à linha de fundo, e nem precisa: guardando posição, o francês dá alguma estabilidade ao esquema defensivo do time. Atacar pelo meio, apostando em um organizador de jogo solitário, é suicídio para quem quer vencer o Barcelona. Invariavelmente esse "10" acaba preso entre quatro jogadores que, podem até não ser exímios marcadores (tratando-se de Messi, Xavi, Iniesta e Fàbregas), mas ocupam o espaço e cobrem possíveis ultrapassagens de jogadores, bloqueando a maioria das bolas que o armador possa tentar.

Outra deficiência defensiva do Barcelona são as bolas na área. Valdés é um potencial trapalhão e a média de altura do Barça não é das mais altas, pelo contrário. Um centroavante de porte sendo servido durante um jogo tem boas chances de deixar sua marca, pelo menos, dar muito sustos na torcida catalã. Além disso, um atacante plantado entre os zagueiros do Barcelona pode prevenir subidas mais usadas de Piqué ou de quem estiver atuando como primeiro volante.

Fazendo um resumo do caminho das pedras, então: para "encaixar" contra o Barcelona, é preciso apostar em um time compacto, com jogadores ocupando todos os espaços possíveis, laterais/pontas velozes e um centroavante com bom físico e competente. Simples, não?

Se eu fosse Muricy Ramalho, que provavelmente enfrentará os Culés na final do Mundial Interclubes, apostaria em um 3-5-2 daqueles que fazem qualquer comentarista amante do "jogo bonito" ter calafrios. A zaga com Durval e Edu Dracena pode ser um pouco lenta para cuidar dos rápidos atacantes do Barcelona, mas uma sobra com um volante/defensor mais leve pode equilibrar as coisas. No meio campo será preciso ter jogadores que saibam tratar bem a bola para acelerar o jogo nos contra ataques e manter a posse quando for preciso respirar. Ganso terá a ingrata missão de jogar cercado pelo losango do Barcelona, mas sua qualidade de passe faz com que seja um dos poucos meias do mundo em quem se pode confiar nessa condição. Neymar deve, obrigatoriamente, ser o homem que limpa as jogadas no terço final de campo. Os alas do Santos precisam buscar sempre abrir o jogo, procurar a linha de fundo para abrirem a defesa do Barcelona. Nessa situação, a velocidade de Neymar e a capacidade de finalização de Borges - além claro de uma oportuna chegada de Arouca ou outro volante Santista - podem garantir um importantíssimo gol na decisão.

A missão do Santos é "simples": primeiro destruir, depois construir. Quem conhece o trabalho de Muricy Ramalho sabe que essa é exatamente a especialidade do treinador. Duvido que ele seja surpreendido taticamente ou que escolha a abordagem errada, mas é preciso também que os jogadores consigam resistir e equilibrar a partida no aspecto técnico. É exatamente por conta disso que Pep Guardiola é o favorito nesta provável final.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Um fichamento do Brasileirão 2011

Acabou o Brasileirão! Hora de analisar as equipes e suas campanhas em 2011 para planejar um 2012 melhor. Em meio a sucessos e decepções, ficam as belas histórias escritas ao longo da temporada por quem acabou o ano sorrindo e as lições dos fiascos vividos por outros clubes. De cima para baixo, vamos comentando os principais destaques (positivos e negativos) deste campeonato.

Não há muito o que falar sobre o campeão. O Corinthians passou, desde o início do torneio, a impressão de ser a equipe mais sólida e confiável. Tinha a disposição um banco com boas peças, e Tite soube aproveitá-las quando preciso, e mais de uma vez suas substituições resultaram em - de fato - mudanças no jogo que garantiram ao time pontos preciosos. A morte do ídolo Sócrates no dia da decisão deu a conquista ares ainda mais poéticos, tornou-a memorável em aspectos extra-campo. Um título verdadeiramente corinthiano.

É preciso destacar também a participação grandiosa do Vasco no campeonato. Depois de um início de ano tenebroso veio a fantástica recuperação que culminou com o troféu da Copa do Brasil sobre o competente time do Coritiba. Houve quem jogasse confetes imediatamente, mas também os que mantiveram a qualidade do elenco em dúvida. O resto do ano tratou de evidenciar que os jogadores do Vasco ainda tinham muito a mostrar, especialmente no que diz respeito a garra, entrega e dedicação. Sinônimos, talvez, mas que levaram o clube a disputar vivamente outros dois títulos em 2011. Não foi possível dedicar uma nova taça ao técnico Ricardo Gomes, que sofreu um AVC durante o Brasileirão e entregou o comando do time ao - bom - interinio Cristovão, mas o que foi oferecido pelos atletas do Vasco ao treinador e à sua torcida é ainda mais valioso que o frio adorno feito de metal.

Fluminense e Flamengo usaram o tinham de melhor ao seu dispor para conseguirem alcançar seus objetivos "parciais". Sonhando com o título, acabaram sofrendo com os elos fracos de suas equipes, mas conseguiram chegar na Libertadores graças aos seus destaques individuais: tanto Fred quanto Ronaldinho fizeram valer (em maior ou menor parte) os salários que ganham e a confiança depositadas. Ainda que oscilando durante a competição ou ficando parte dela de fora, quando tiveram a chance foram decisivos e anotaram pontos essenciais para seus clubes na briga no alto da tabela. A perspectiva para o ano que vem é boa, mas tanto o Tricolor quanto o Rubronegro tem trabalho pela frente se quiserem chegar na disputa por um troféu em 2012.

Figueirense e Coritiba surpreenderam muita gente. Em ambos os casos, os resultados alcançados pelos times podem ser explicados pela mesma soma de fatores: bom trabalho do corpo técnico + dois ou três destaques individuais + equipe coesa tecnicamente + regularidade. Essa expressão, que leva inevitavelmente ao sucesso, garantiu que os dois clubes saíssem do torneio em alta, ainda que tenham ficado de fora da Libertadores. Será difícil não sofrer com um desmanche parcial durante a janela de contratações, mas mantendo essa linha de trabalho, as duas torcidas podem sim sonhar com novos sucessos na temporada que vem.

As pequenas decepções vieram através de clubes que brigaram em cima mas ficaram aquém do esperando, e também por aqueles que foram meros coadjuvantes (ou até mesmo viveram ameaçados pelo rebaixamento) durante a competição.

O Internacional, mais uma vez, não conseguiu ocupar o lugar que se esperava dele. Com bons jogadores no elenco, sofreu com trocas de técnico e a lesão de seu principal atacante, o ótimo Leandro Damião. Sem dúvidas isso atrapalhou a campanha Colorada, mas já passou da hora do Internacional parar de achar desculpas (verdadeiras ou não) e voltar a lutar pelo título até o fim do Brasileirão, o que a qualidade de seus jogadores e a boa estruturam que tem a disposição sugere.

Em 2011, o São Paulo viveu situação parecida, embora com uma equipe um degrau abaixo do Inter. O pior talvez seja a herança deixada para o ano que vem: a certeza de que haverá uma caça às bruxas exagerada e o comando entregue nas mãos de Leão, um treinador que carece de trabalhos mais consistentes para ocupar o cargo no Tricolor Paulista.

Descendo um pouco na tabela, o Botafogo frustrou seus torcedores na reta final. Depois de brigar vivamente pela vaga na Libertadores, tropeços bobos acumulados ao longo da competição cobraram seu preço e, a queda de rendimento em um momento inoportuno resultado na saída do treinador. Com a desgraça anunciada, o Alvinegro apenas cumpriu tabela nas últimas rodadas e vai começar 2012 com a cabeça inchada e sob extrema desconfiança. Enquanto isso, o Palmeiras viveu um Brasileiro de marasmo que irritou sua torcida. Felipão cometeu deslizes, especialmente na parte de "gerência humana", seu principal defeito. Por outro lado, o elenco era mesmo limitado e vai obrigar o técnico a passar noites em claro para remontá-lo.

O purgatório do campeonato foi vivido por times em diferentes situações. O Santos tocou o Brasileiro de maneira morna. Desde a metade do ano com a cabeça no Japão, para a disputa do Mundial de Clubes, o resultado não poderia ter sido diferente. Já Grêmio, Atlético-GO e Bahia passaram o torneio sem empolgar suas torcidas por conta de sua qualidade/competência. Para o Dragão, que até chegou a ter bons momentos na competição, valeu a permanência na elite. O Bahia celebrou a fuga do descenso e, de quebra, uma vaga muito merecida (pela história do clube) na Sulamericana. Para o Grêmio, foi um ano sem grandes emoções de maneira geral, mas que termina com saldo positivo pela recuperação acontecida no segundo turno: a primeira metade do campeonato para o Tricolor Gaúcho foi terrível.

O Cruzeiro viveu o inferno durante todo o Brasileirão. Viveu o extremo oposto da realidade experimentada pelo Vasco, com um início de ano muito promissor e que, lentamente, foi desandando. Desmantelou seu elenco ao longo do ano, não repôs as saídas como deveria e terminou lutando ferrenhamente contra o rebaixamento. O prêmio de fiasco do ano só não veio por conta da contribuição "muy amiga" do maior rival, o Atlético-MG. Com a chance de rebaixar a Raposa na última rodada e, de lambuja, garantir uma vaga na Copa Sulamericana, o Galo tomou uma surra memorável no jogo mais importante de sua história recente. A última rodada deste Campeonato Brasileiro vai demorar para ser esquecida em Minas pelas duas torcidas...

Nos rebaixados, nenhuma surpresa. De fato, disputarão a Série B do ano que vem os times menos competentes que ingressaram no Brasileiro de 2011. O América-MG até ensaiou uma reação, mas foi tarde demais. Faltou time e um rendimento melhor dentro de casa. O mesmo vale para o Avaí, que fez uma campanha terrível tanto diante de sua torcida quanto fora de Florianópolis. O Ceará sofreu com uma equipe limitada, e apostou demais na força de sua torcida no Castelão. Acabou não dando certo. Quem foge um pouco dessa regra é o Atlético-PR, que ensaiava uma queda há algum tempo, algo compreensível pelo momento administrativo que vive. É preciso destacar como a torcida abraça o clube, mesmo em uma hora complicada, por saber exatamente a realidade que vive. Rebaixada, cantou até o fim do jogo e, sem dúvidas, estará de volta à Série A em pouco tempo pela estrutura que tem.

Quanto aos melhores jogadores, relevações e seleção do Brasileirão, deixarei isso para um outro post. A escolha não será fácil e merecerá algumas considerações importantes...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Um fiasco que dá o exemplo

Não é de hoje que me preocupo com o que acontecerá à Seleção Brasileira na Copa do Mundo do Brasil. Os rumos que a equipe vem tomando e seu atual rendimento não sugerem que alcançaremos o objetivo, que é o título. Qualquer resultado diferente desse será considerado um fracasso (e de fato o será), mas tenho o sentimento de que o Brasil pode acabar caindo ainda antes de uma final no Maracanã e de maneira traumática. Completando este cenário está a atual mentalidade de quem dirige nosso futebol e da grande maioria da torcida, que avalia jogadores com critérios muito duvidosos.

Um exemplo claro disso é o fiasco estrelado pelo futebol do Brasil no Pan de Guadalajara. Uma equipe formada com - teoricamente - o futuro da Seleção. Ficaram de fora Lucas, Neymar e Oscar, uma trinca de muito respeito (quando falamos de categorias de base), mas ainda assim o time DEVERIA ter plenas condições de vencer facilmente qualquer adversário (excetuando-se a Argentina, também tradicional). O que se viu foi um grande papelão, com jogadores superestimados em seus clubes tendo atuações ridículas e nenhum senso coletivo dentro de campo. Culpa de Ney Franco? Improvável, afinal seu forte sempre foi compor grupo e o trabalho desenvolvido por ele na base da Seleção vinha sendo ótimo. Ali houve puro descaso dos jogadores com a camisa, e incapacidade, falta de talento e inteligência futebolística em seu estado mais bruto.

É inadmissível que o Brasil seja derrotado categoricamente pela Costa Rica. É igualmente patético o jogo realizado contra Cuba, uma seleção sem NENHUMA tradição. As tais "promessas" do futebol brasileiro (algumas atuando com alguma frequência em seus clubes) fizeram foi um grande papelão. O que acontecerá? Nada. Serão recebidos em suas equipes e, quando entrarem em campo, o torcedor-comum continuará repetindo o discurso replicado diariamente por parte da grande mídia: o Brasil é o país do futebol, nossos jovens são extremamente talentosos, nossa Seleção é e sempre será a melhor do mundo, que o país é um celeiro de craques...

HOJE, final do ano de 2011, não temos sequer a terceira melhor Seleção do planeta. Talvez, apenas talvez, estejamos entre as cinco. Pior ainda, quem sabe ainda nem tenhamos um time, pois até agora o trabalho de Mano Menezes não achou norte e seguem-se convocações às cegas e com pouco critério. Quem o critica? Poucos. Ele segue chamando os queridinhos do Brasil, jovens que ainda tem muito a provar e que são tratados como gênios aonde quer que vão, ficando acima de quaisquer críticas. HOJE, final do ano de 2011, depositamos nossa total e absoluta confiança em três ou quatro jogadores que terão 21, 22 ou 23 anos na Copa do Mundo mais importante da história do país.

Temos bons nomes? Claro que sim. É indiscutível que Neymar será um jogador importante para o Brasil em um futuro não muito distante. Assim como ele, há a esperança que outros consigam crescer ainda mais e podem sim fazer parte do grupo que nos representará em 2014. Daí a colocarmos como os salvadores da pátria e os escolhidos para liderarem a equipe mais tradicional do futebol mundial existe um pequeno salto. Mais do que isso, nossa geração de jovens é pior que a da Alemanha, por exemplo, e que ainda assim tem alguma resistência em confiar tanto em jogadores com 20, 21 anos.

É realmente a melhor decisão apostar tanto em garotos? O atual rendimento da Seleção principal sugere que não...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Um ano jogado fora

Sou daqueles que acha que é preciso muito tempo e avaliação na hora de classificar o trabalho de um técnico. É fácil deixar que ele viva na montanha-russa dos elogios imediatos quando vence e nas críticas infindáveis quando perde. É a mentalidade brasileira, infelizmente, e cabe aos formadores de opinião buscar mudá-la. Foi seguindo a linha que prego, da paciência e reflexão demorada, que hoje posso dizer sem sombra de dúvidas que, para mim, o trabalho de Mano Menezes na Seleção Brasileira é um lixo. Sim, um lixo.

Que fique claro, critico o que Mano vem fazendo no comando do Brasil e não a competência dele como técnico. É inegável que sabe o que faz, mas seu perfil parece se adaptar ao trato com clubes e não com a Seleção. Desde que assumiu o cargo fez convocações ruins, escalações estranhas e não soube buscar alternativas para o que dava errado nem manter o que já estava certo. Jogou-se fora um ciclo de Copa do Mundo (2006-2010) apenas para aplacar a sede de sangue da torcida e de parte da imprensa. Um grande erro.

Que renovação é essa, que tanto foi pregada dia após dia, que traz retrocesso à uma equipe que, sem dúvidas, poderia estar em uma condição muito melhor? Ao sermos eliminados da Copa de 2010 estávamos muito, mas muito a frente do que estamos hoje. O que existe hoje na Seleção Brasileira é um bando de "jogadores-alternativas" quando deveríamos ter um selecionado, tal qual o termo seleção sugere. Mano Menezes até agora acertou apenas o óbvio, errando todo o resto.

Nenhuma, repito, nenhuma das apostas de Mano correspondeu. David Luiz, Ganso e Neymar, jogadores que figuram sempre nas convocações da atual Seleção e não constavam antes, são escolhas evidentes para qualquer treinador que pense em 2014. Não foram "descobertas" de Mano Menezes para problemas que seu time tinha, e sim atletas que mostram talento e potencial para seguramente estarem jogando na Copa do Brasil daqui a três anos.

Sim, faltam só três anos.

Um já foi jogado fora com o atual planejamento e linha de trabalho. Quanto mais tempo será perdido até que as coisas comecem a andar? O primeiro passo é, sinto dizer, trocar o treinador...

terça-feira, 12 de julho de 2011

Sem mágicas ou milagres

No futebol, poucas vezes uma mudança de rendimento de um atleta ou time não pode ser explicada. Não existem milagres e maldições no velho esporte bretão. Claro que acontece de um jogador bom fazer uma partida ruim, ou o contrário, mas poucas vezes isso se torna corriqueiro sem que haja um motivo completamente racional que explique - ainda que parcialmente - sua atuação. A partir daí busquei traçar um paralelo sobre o assunto do momento (na verdade, de vários momentos passados e que voltou a tona agora) que é o nível de exibição de Messi na seleção argentina.

É simplismo dizer que no Barcelona é fácil jogar com Xavi, Iniesta, Pedro e Villa ao lado, até porque isso cria imediatamente o argumento oposto, de que é difícil jogar com Banega, Lavezzi e outros jogadores que atuam na Albiceleste. São atletas razoáveis, alguns até bons, mas não podem ser comparados com os da seleção espanhola, indubitavelmente a melhor do mundo. Acredito que a questão não é QUEM está ao lado e sim COMO está ao lado.

Um fato indiscutível é que o Barça sabe tirar o máximo de seus jogadores. É um time montado para espremer o talento dos atletas até a última gota. Impõem seu estilo de jogo, treinado a exaustão diariamente no clube. Quando Xavi e companhia chegam para atuar na seleção, encontram um cenário muito mais parecido com o que vivem no Barcelona do que Messi, e todos eles dependem do coletivo para brilharem. Xavi só pode dar passes decisivos para atacantes que se movimentem e encontrem espaços, Daniel Alves só pode atacar com a intensidade que o faz se houver zagueiros e volantes postados para ocupar os espaços que ele deixa, e da mesma forma, Messi só rende aquele futebol diante de circunstâncias parecidas com a que o clube oferece a ele. Isso definitivamente não é o caso da Argentina.

Culpa do treinador Batista ou não (o que é um longo assunto para outro post), na seleção o esquema não ajuda Messi. O camisa 10 é deslocado para outra posição no campo, se afastando da área onde define as jogadas, os atacantes ocupam espaços com menos mobilidade que os companheiros de Barça, os laterais não fazem ultrapassagens, os volantes não se aproximam para jogar... No fim das contas, o jogador que supostamente deveria fazer o time funcionar se encontra perdido no meio do campo sem ninguém para auxiliá-lo na função. Some-se a isso a forte marcação que o melhor do mundo sempre encontrará e está explicado o sub-rendimento de Messi.

Por que ontem ele jogou melhor? A entrada de Di Maria no meio deu mais velocidade ao time e ofereceu mais opções para a equipe. Um jogador que se movimentou a partida inteira e abriu espaços para os atacantes, ocupando a marcação adversária e se aproximando de Messi para jogar. Agüero é um atacante mais leve e inteligente que Lavezzi, além de ser melhor em quase todos os fundamentos. O volante Gago se apresentou para o jogo, ao contrário de Cambiasso que nas outras partidas foi excessivamente cauteloso na marcação e se omitiu de jogar. No fim, essas diferenças ajudaram Messi a jogar melhor (além, é claro, da fragilidade da Costa Rica sub23).

De maneira nenhuma as falhas táticas e condição técnica dos companheiros exime "La Pulga" da culpa de ter ido mal nas duas primeiras partidas. Messi ficou devendo e precisa mostrar que sabe se adaptar a situações adversas. Por outro lado, cabe ao técnico da seleção entender as dificuldades que o 10 vive e facilitar sua vida. O principal atleta de um time não pode ser sacrificado por conta de preferências táticas de um treinador. O gênio precisa se impor dentro de campo e fora dele também, em conversas com seu comandante, sob o risco de se queimar com sua seleção caso Batista não entenda as necessidades de seu jogador e o faça jogar.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Sobre malandros e bobos

Ao contrário do que o título sugere a primeira vista, não falarei sobre as "espertezas" do futebol e seus jogadores que cavam pênaltis ou praticam a boa e velha catimba. Comentarei sim sobre uma outra gíria do mundo dos boleiros, focando em um velho chavão esportivo: afinal, existem ou não existem mais bobos no futebol?

Discussão velha, verdade, mas pertinente depois de conferir uma rodada da Copa América onde as três seleções favoritas ao título tropeçaram contra adversários bem inferiores. Para quem não conferiu, os confrontos entre Argentina x Bolívia, Brasil x Venezuela e Uruguai x Peru acabaram em empates que deixaram uma péssima impressão para a torcida e os amantes de futebol em geral. Afinal de contas, será que Argentina, Brasil e Uruguai são equipes supervalorizadas e que hoje não têm bons times ou será que essa dificuldade em vencer partidas teoricamente tranquilas tem outro motivo?

O que se viu entre comentaristas e colunistas em geral foi uma espécie de consenso que, ao menos se tratando de Brasil e Mano Menezes, ainda é cedo para cobrar um futebol vistoso. Concordo em parte, já que de fato não houve tempo o suficiente para azeitar completamente uma equipe que raramente tem a oportunidade de treinar junto. Isso não muda o fato de que o time deixou a desejar. Ao falarem de Argentina e Uruguai, o argumento se repetiu, embora com tons mais críticos, colocando em questão a qualidade de setores do time ou determinados jogadores.

Surpreendentemente (ou não), poucos foram aqueles que apontaram uma melhoria nos adversários dos três gigantes da América do Sul. Não foi cogitada a hipótese de Bolívia, Venezuela e Peru terem se desenvolvido tanto na técnica quanto (e principalmente) na parte tática. Na minha visão isso é erro. Ficou evidente que as três equipes estão sim melhores do que estavam no último ciclo de Mundial.

A Bolívia ainda é, na minha opinião, a seleção mais deficiente do continente. Carece de jogadores sequer razoáveis e por isso adota uma postura submissa na maioria de seus jogos. Mas aprendeu a atuar assim. Achou um gol contra a Argentina que forçou o adversário a ir para cima, e só tomou o gol porque foi extremamente pressionada. Se não tivesse marcado - e o gol foi muito sem querer - provavelmente teria segurado o 0x0.

A Venezuela é outro time que, embora mais talentoso tecnicamente (e isso está longe de querer dizer que é um grupo bom), soube fechar muito bem o meio e prender o Brasil. Não se trata de se defender na entrada da área tomando sufoco 90 minutos; dessa vez foi uma marcação controlada, bem postada e segura. Poucas vezes o time tomou algum susto e as poucas chances da Seleção Brasileira surgiram em lampejos de seus melhores jogadores.

Contra o Uruguai, a seleção peruana foi a que mais me surpreendeu. Quis jogar contra o adversário, e jogou. Depende muito de seus dois ou três jogadores mais capacitados, só que conseguiu fazer o básico com o resto deles. Claro que essa ousadia cobrou seu preço e os uruguaios conseguiram buscar o empate. Ainda assim o Peru teve chance de vencer o jogo enquanto Forlán e cia buscavam a vitória, se expondo totalmente aos contra-ataques. Faltou sorte (e claro, um pouco de qualidade) aos peruanos...

O resumo dessa ópera é que talvez seja a hora de começarmos a avaliar não apenas nossos problemas e falhas e passaramos a reconhecer os méritos das equipes que enfrentamos. No Brasil ainda vende-se a idéia de que nossa Seleção sempre é a melhor, que somos naturalmente dotados de um talento ímpar e que vencer depende apenas de nós. Isso é uma mentira. Talvez na hora que essa mentalidade mudar, deixemos de achar que somos os malandros enquanto alguns "bobos" riem de nós.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Maratona do "El Clasico"

A rivalidade anda em alta na Espanha. Há pelo menos duas ou três temporadas, o Barcelona vem tendo um sucesso maior que o do Real Madrid, além de apresentar um exuberante futebol que pôs uma sombra sobre o retorno da política "galática" do clube da capital. Por isso, a maratona de quatro clássicos entre os dois times em menos de um mês acirrou os ânimos e criou altas expectativas.

O primeiro jogo, pelo Campeonato Espanhol, sepultou as esperanças (já pequenas) do Real Madrid se recuperar na competição e tentar alcançar o título. O segundo garantiu aos Merengues a Copa do Rei, em uma vitória que veio com sabor de vingança. Já os dois próximos duelos entre Real Madrid e Barcelona, agora pelas semifinais da Liga dos Campeões, servirá como tira-teima entre as duas equipes.

Muitas pessoas vêem o confronto como uma disputa de mentalidades: o jogo bonito do Barcelona contra o futebol pragmático do Real Madrid. Na minha opinião isso é um erro, mas serve como mais um ingrediente para esse já apimentado caldeirão de rivalidade. De fato o Real é mais cauteloso do que o Barça, e isso fica ainda mais evidente quando as duas equipes se confrontam. Além do mais, muitos esquecem que José Mourinho está iniciando um trabalho enquanto Pep Guardiola colhe frutos de um projeto que já vem sendo desenvolvido há algumas temporadas.

Inegável é que uma vitória dos Blancos mancharia a fama do Barcelona de futebol imbátivel e bonito, e jogaria por terra muita coisa que os catalães construíram nos últimos anos. Talvez por isso esses dois próximos jogos sejam tão importantes, pois não marcam apenas uma disputa por um troféu (por mais importante que ele seja). A motivação de Real e Barça vai além da parte esportiva, com críticas de imprensa entaladas na garganta dos Merengues e o peso de confirmar que futebol bonito pode ser vencedor nas costas dos Catalães.

Com tantas emoções e jogos psicológicos envolvidos, será que apenas a bola vai decidir o destino dos clubes na Liga dos Campeões? Acredito que nesse caso a participação dos técnicos será decisiva, o que significa que teremos um duelo até no banco de reservas. O sorteio colocou Real Madrid e Barcelona frente a frente nas semifinais, o que é uma pena. Um jogo desse porte, nessas condições e em uma final de Champions League seria a única maneira de tornar o confronto ainda mais importante.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Direitos de TV: um assunto mais sério do que parece

A briga sobre as cotas dos clubes referentes ao direito de transmissão de seus jogos é antiga, embora sempre tenha parecido velada. Apenas recentemente, com o maior atrito da Record com a Globo, é que essa disputa passou a ser discutida mais abertamente. O assunto é muito delicado, envolve muitos interesses e variáveis, e é inocência achar que há um desfecho que seja bom para todos os envolvidos.

Em um mundo ideal, o Clube dos 13 jamais deveria ter existido. Caberia à CBF receber e ministrar, de maneira justa, os recursos recebidos pelas emissoras que tivessem o interesse de transmitir os jogos nas datas e horários já estipulados pela Federação. Com um estudo feito sobre o apelo comercial de cada equipe, mais sua importância histórica, mais um ou outro critério que equilibrasse a distribuição desse dinheiro, todos estariam satisfeitos e o futebol brasileiro se encaminharia para o sucesso em alguns anos.

Infelizmente não vivemos em um mundo ideal.

A CBF, apesar de forte, é desprestigiada. Os recentes eventos que colocaram Flamengo e São Paulo em rota de colisão pela "maldita" Taça das Bolinhas só mostram como a Federação agiu de má fé para indispor alguns dos dirigentes brasileiros. Sem dúvidas outros problemas como esses acontecem há anos por baixo dos panos e, obviamente, alguma hora essa corda iria estourar. Exatamente por isso é difícil crer que a CBF haja como conciliadora nessa briga que se avizinha pelos direitos de transmissão. Na minha modesta opinião, como já expus acima, deveria caber a ela CBF tomar para si as rédeas dessa situação e controlar as coisas.

No cenário que se desenha hoje, com a saída do Corinthians do C13 e a já manifesta pré-disposição do Flamengo a fazer o mesmo, o futebol brasileiro está em um momento crítico. Deixar os clubes por conta própria na negociação pelos seus direitos televisivos é condernar alguns deles à míngua e garantir que em poucos anos o Campeonato Brasileiro será uma competição menos equilibrada e pouco atraente. A emissora (ou as emissoras, se for o caso) pagarão às equipes o proporcional por sua capacidade de gerar receita nas transmissões. Isso faz com que times de pouca torcida estejam fadados a cotas ridículas perto de clubes de grande massa, como os já citados Flamengo e Corinthians.

O Urubu e o Gambá não estão preocupados. Estão pensando apenas no seu, e nada mais. Culpados? Isso vai depender da visão de cada um. Acredito que talvez os clubes de grande apelo televisivo deveriam atentar para o fato de que um campeonato polarizado entre dois ou três times diminuiria o interesse geral pela competição, o que acabaria respingando nessas mesmas equipes. O que é o Corinthians sem o Palmeiras? O que é o Flamengo sem o Fluminense? São essas rivalidades e as brigas que atraem o público e que fazem do Campeonato Brasileiro uma das ligas mais emocionantes do planeta.

Dois exemplos "comprovam" essa tese.

No Campeonato Espanhol, as cotas de TV são vendidas separadamente e cada clube negocia a sua. Resultado: Real Madrid e Barcelona recebem rios de dinheiro, enquanto clubes como Valência e Sevilla chegam a ganhar três vezes menos. Como disputar com os dois gigantes? Não se disputa! Ano após ano, Real e Barça se revezam como campeões espanhóis, cabendo aos outros times disputarem vagas na Liga dos Campeões e na Liga Europa.

Imagine agora você, torcedor do Atlético-MG, um clube tradicional do Brasil, começar o ano sabendo que sua maior aspiração é jogar a Copa Sulamericana do ano seguinte. Fica difícil se acostumar com a idéia, não é?

Já na Premier League (na minha opinião, o melhor campeonato do mundo), as cotas são vendidas de uma vez só e divididas entre os clubes da seguinte maneira: mais da metade é distribuída entre os clubes igualmente (o que quer dizer que o poderoso Manchester United recebe o mesmo que o modesto Wolverhampton). O resto é dado aos clubes obedecendo critérios como número de jogos daquele clube a serem transmitidos e posição final no campeonato anterior.

No final das contas um clube como o Blackburn, que há anos vem fazendo campanhas medianas no Inglês, acaba recebendo algo em torno de 20% menos do que o Chelsea ou o Arsenal, equipes que brigam em cima ano após ano.

Honestamente, é quase impossível chegar à um modelo de distribuição que agrade totalmente aos envolvidos. Sempre haverá uma ou outra crítica, algum problema ou desnível a ser consertado. Difícil é acreditar que clubes que mal conseguem se organizar para fazerem pré-temporadas da maneira correta, sofrem para angariar sócios e convivem com estruturas aquém do esperado estejam prontos para negociarem seus próprios contratos televisivivos e pensar no futebol brasileiro como um sistema macro e não como algo que gira em torno de seus próprios umbigos.

O futebol no Brasil hoje está em risco. Para que a situação seja contornada da melhor maneira possível é preciso que os dirigentes se unam em torno do bem maior do campeonato que a CBF deixe de ser o orgão chupa-sangue que é hoje e assuma as rédeas das suas competições e resolva, de fato, profissionalizar o futebol brasileiro. Isso já seria um trabalho imenso, e para o torcedor acreditar nisso é preciso mais um bocado de boa-vontade...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Obrigado, Ronaldo!

Esse talvez seja o post mais difícil que já tive que escrever. É complicado pensar que nesta segunda meu ídolo maior no futebol anunciou o fim de sua carreira profissional, e fico triste por nunca ter conseguido vê-lo atuar ao vivo. Por isso, Ronaldo, peço desculpas!

Não acompanhei a carreira inteira do Fenômeno. Quando começou a assombrar o mundo, em meados dos anos 90, eu era novo demais e me interessava pouco por futebol. Minha primeira lembrança do Ronaldo como jogador fora de série vem de suas atuações pela Seleção Brasileira, essa sim uma paixão minha desde muito criança. Talvez por isso eu o considere o jogador mais identificado com a Amarelinha em muitos e muitos anos.

Em 98, lembro de ter ficado triste com a derrota do Brasil. Acredito que tenha sido a primeira vez que chorei por causa de um jogo de futebol, e boa parte dessa tristeza veio pela sensação de aquele jogador diferente, o 9, merecia muito ter sido campeão. Também sempre gostei muito do Dunga, do Cafu, do Roberto Carlos, do Taffarel, mas aquele 9...

O meu Ronaldo não é o Ronaldo do PSV, do Barça e da Internazionale, aquele das arrancadas fantásticas, das jogadas plásticas, dos dribles impossíveis e da agilidade constrangedora - para os zagueiros adversários, claro. O Ronaldo que eu vi jogar é muito menos mágico, mas incrivelmente objetivo. Vi um Ronaldo já reinventado, que teve que "reaprender" a jogar futebol já com as limitações daquela horrível lesão na Inter. E foi em 2002 que o ídolo Ronaldo nasceu para mim, e acho que também foi nesse momento que meu amor pelo futebol cresceu.

Como podia alguém se superar de tal maneira e ainda fazer aquilo que ele fez na Copa do Japão/Coréia? Ia contra toda a lógica, contra toda a crença, contra a medicina! Ainda assim, ali estava ele, de taça na mão, com aquele cabelo ridículo e um sorriso enorme. O dono do mundo, rindo de todos que duvidaram, e o pior: não era um riso zombeteiro! Era um riso de felicidade, do tipo "eu sabia que era possível".

Claro que nem tudo foram sempre flores, e houve anos ruins. Pobre Ronaldo, sempre vítima de expectativas exageradas, cobranças absurdas e sempre com um peso imenso sobre os ombros. Às vezes muitos não entendem que por mais fantástico, talentoso e especial seja um jogador, ele ainda é um ser humano. Ronaldo passou por maus bocados, dentro e fora dos campos. Faz parte da vida. Quem pode julgá-lo por seus deslizes em sua vida pessoal? Quem pode criticá-lo por momentos ruins na carreira? Apenas aqueles que esquecem por tudo que ele passou.

Veio 2006 e ficou aquela sensação de que podia ter sido melhor. O Brasil era favorito, mas o país se assustou com um Ronaldo acima do peso, mas que ainda assim fez uma Copa razoável. Não foi o bastante... Cada um com sua parcela de culpa, e infelizmente nem tudo aconteceu como deveria. Precisamos entender que as lesões cobraram seu preço.

Aí chegou o momento em que temi pelo pior. Nessa altura, Ronaldo já era meu ídolo maior no futebol, um cara que caiu feio e se levantou majestosamente. Mas naquela lesão, já no Milan, eu duvidei. Desculpe-me por isso também, Ronaldo. Esse golpe eu achei que você não ia absorver. Seria tudo de novo, uma longa recuperação, e dessa vez já campeão de muita coisa, com o nome na história e uma excelente conta bancária. Fica difícil buscar motivação.

Ele voltou. "Senhoras e senhores, o Fenômeno voltou" disse Milton Leite. Milton, se me der a liberdade, gostaria de adcionar um detalhe na sua frase, que já foi imortalizada. "Senhoras e senhores, o Fenômeno voltou, de novo". Essa sim faria juz à retomada do R9, em Presidente Prudente.

Mas tudo na vida tem um fim, e nem todos são como queremos. Infelizmente Ronaldo parou agora, quando ao menos eu - e sei que há outros assim por aí - acreditavam que ele ainda poderia fazer mais. Talvez eu seja apenas um fã delirante, um inocente qualquer que acredita ser possível vislumbrar um pouco do Ronaldo de cinco ou oito anos atrás. Não me importo. O que importava para mim era dar ao Ronaldo mais chances de me surpreender, de se surpreender e surpreender a todos.

Ronaldo, você é o cara. Sou apenas mais um admirador que presta uma homenagem singela, mas gostaria de deixar registrado que, se hoje sou um apaixonado por futebol, você tem uma grande parcela de culpa. E quero também fazer uma correção à todos aqueles que disseram ontem e hoje que Ronaldo deveria ter parado antes, no auge. Que bom que ele não o fez! Se tivesse parado há um ou dois anos atrás, teria privado muitas pessoas de enormes alegrias apenas por vê-lo jogar. Cada chute, passe, arrancada e gol nesse "crepúsculo" da carreira do R9 era um momento de superação especial demais para não ter existido, e um exemplo bonito demais de amor ao futebol para não ser esquecido.

Infelizmente ele diz que não dá mais. Como não acreditar, depois de tudo que ele superou e aguentou? É, a hora chegou mesmo... Obrigado, Ronaldo, por ter resistido até o fim! Os amantes do futebol te devem essa!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Bate-pronto

* Sobre os gastos dos clubes ingleses: Tirem as crianças da sala! O que o Chelsea fez no final dessa janela de transferências é criminoso! Parece que Roman Abramovich acordou e decidiu gritar aos ventos o que todos imaginavam: "Hey, eu uso o Chelsea para lavar dinheiro". Com dívidas cada vez mais absurdas e clubes perdendo a noção, é melhor o futebol da Inglaterra colocar os pés no chão para não sofrerem em pouco tempo com as sanções da UEFA. Em tempo, quando foi que o Liverpool ficou rico da noite para o dia? Será que os patronos dos Reds também decidiram abrir a "lavanderia"?

* Sobre o pré-olímpico sub 20: Claro que todos falariam de Neymar, Neymar e mais Neymar. Era inevitável. O garoto é fora de série entre os profissionais, então era de se esperar que ele não fosse nada menos do que decisivo contra os meninos do sub 20. A questão é que isso está mascarando o quanto essa geração é fraca tecnica e mentalmente. Salvam-se nesse grupo que está disputando o pré-olímpico uns três ou quatro, e só. O resto pode até fazer carreira na Ucrânia, Portugal, Arábias, mas são fraquinhos, fraquinhos... Seria melhor que ficassem no Brasil para fazer carreira como os jogadores medianos que são, mas com certeza vão acabar se espalhando mundo afora por conta dessa experiência na Seleção. Uma pena!

* Sobre Ronaldinho Gaúcho: Chegou a hora! Hoje todos teremos uma pequena amostra do que Ronaldinho Gaúcho fará no futebol brasileiro. Apenas peço - principalmente aos flamenguistas - um pouco de ponderação, afinal, se Gaúcho destruir contra o Nova Iguaçu, ele não é o melhor do mundo e, caso vá mal, não será por falta de talento. É preciso saber avaliar as coisas como elas são. O Flamengo x Nova Iguaçu é apenas um pequeno primeiro ato de uma peça que deve ter (ao menos na minha opinião) altos e baixos pelos próximos meses e anos. Assim foi, é, e será, a carreira de Ronaldinho Gaúcho.

* Sobre Corinthians x Tolima: Acredito que a grande maioria das pessoas concorda que o Corinthians é mais time que o Tolima, que não chega a ser uma baba. Também acredito que todos achem mais interessante para a Libertadores que o Timão avance e chegue à fase de grupos. O problema é que (sem querer secar o Corinthians) esse jogo está com uma cara de tragédia...