Em primeiro lugar, é preciso avaliar os pontos fortes e pontos fracos do Barcelona. As qualidades são muitas, e a principal delas é a capacidade de variar o jogo ofensivamente. Xavi, Messi, Iniesta e Fàbregas são os jogadores designados para a função de criação do time. Além disso, Daniel Alves, Busquets e até mesmo Piqué podem surgir de surpresa no terço final do campo e ajudar o ataque do Barça. É muito difícil impedir que o Barcelona tenha algum jogador livre no ataque, e esse fator é o que determina a quantidade de jogadas perigosas que o time consegue armar.
A contrapartida disso é, obviamente, o caos que reina quando o adversário tem a possibilidade de armar um contra ataque. Com seis ou sete jogadores dentro do campo ofensivo, uma resposta mais aguda do rival quase sempre levará muito perigo. Além disso, pressionar a saída de bola do Barça já se mostrou uma arma eficiente, embora impossível de ser aplicada durante os 90 minutos de um confronto. Se usada de maneira pontual, porém, pode atrapalhar bastante os planos de posse de bola infinita dos comandados de Pep Guardiola.
O maior perigo que o Barcelona oferece são os passes entre as linhas do adversário, uma área desocupada e que deixa Alexis Sanchez, Pedro, Messi ou Villa entrarem em velocidade de frente para o gol, sozinhos com a defesa. Xavi, Iniesta e o próprio Messi são especialistas nesse passe nas costas dos volantes quando estes saem para pressionar quem está com a bola. É questão de esperar o momento certo e jogar a bola no ponto futuro para quem estiver fazendo a infiltração, que quase sempre resulta em uma jogada mortal. Ou seja: para não ser dizimado pelo Barça, é preciso compactar o time o máximo possível ou ocupar as "entrelinhas" da equipe; jogar contra um 4-4-2 clássico, por exemplo, é o sonho de consumo do Barcelona.
Falando especificamente em zonas, as alas do Barça são as posições mais frágeis defensivamente, em especial do lado direito. Daniel Alves não tem o cacoete de um grande marcador e quem cobre suas subidas é o lento (embora muito bom) Puyol. Pela esquerda, Abidal ainda não foi apresentado à linha de fundo, e nem precisa: guardando posição, o francês dá alguma estabilidade ao esquema defensivo do time. Atacar pelo meio, apostando em um organizador de jogo solitário, é suicídio para quem quer vencer o Barcelona. Invariavelmente esse "10" acaba preso entre quatro jogadores que, podem até não ser exímios marcadores (tratando-se de Messi, Xavi, Iniesta e Fàbregas), mas ocupam o espaço e cobrem possíveis ultrapassagens de jogadores, bloqueando a maioria das bolas que o armador possa tentar.
Outra deficiência defensiva do Barcelona são as bolas na área. Valdés é um potencial trapalhão e a média de altura do Barça não é das mais altas, pelo contrário. Um centroavante de porte sendo servido durante um jogo tem boas chances de deixar sua marca, pelo menos, dar muito sustos na torcida catalã. Além disso, um atacante plantado entre os zagueiros do Barcelona pode prevenir subidas mais usadas de Piqué ou de quem estiver atuando como primeiro volante.
Fazendo um resumo do caminho das pedras, então: para "encaixar" contra o Barcelona, é preciso apostar em um time compacto, com jogadores ocupando todos os espaços possíveis, laterais/pontas velozes e um centroavante com bom físico e competente. Simples, não?
Se eu fosse Muricy Ramalho, que provavelmente enfrentará os Culés na final do Mundial Interclubes, apostaria em um 3-5-2 daqueles que fazem qualquer comentarista amante do "jogo bonito" ter calafrios. A zaga com Durval e Edu Dracena pode ser um pouco lenta para cuidar dos rápidos atacantes do Barcelona, mas uma sobra com um volante/defensor mais leve pode equilibrar as coisas. No meio campo será preciso ter jogadores que saibam tratar bem a bola para acelerar o jogo nos contra ataques e manter a posse quando for preciso respirar. Ganso terá a ingrata missão de jogar cercado pelo losango do Barcelona, mas sua qualidade de passe faz com que seja um dos poucos meias do mundo em quem se pode confiar nessa condição. Neymar deve, obrigatoriamente, ser o homem que limpa as jogadas no terço final de campo. Os alas do Santos precisam buscar sempre abrir o jogo, procurar a linha de fundo para abrirem a defesa do Barcelona. Nessa situação, a velocidade de Neymar e a capacidade de finalização de Borges - além claro de uma oportuna chegada de Arouca ou outro volante Santista - podem garantir um importantíssimo gol na decisão.
A missão do Santos é "simples": primeiro destruir, depois construir. Quem conhece o trabalho de Muricy Ramalho sabe que essa é exatamente a especialidade do treinador. Duvido que ele seja surpreendido taticamente ou que escolha a abordagem errada, mas é preciso também que os jogadores consigam resistir e equilibrar a partida no aspecto técnico. É exatamente por conta disso que Pep Guardiola é o favorito nesta provável final.
