Ser eliminado em uma semifinal de Champions League diante de sua torcida, para um Chelsea que jogou dois terços da partida com um jogador a menos, e perder o Campeonato Espanhol em um confronto direto, em casa, sendo superado pelo maior rival, deixará marcas. O discurso da solução na formação, a alma do Barcelonismo, repetido exaustivamente nos últimos anos, terá que ser revisto. O "Orgulho Catalão" precisará de uma pausa pra respirar. Na próxima janela de transferências, o Barça terá que ir às compras ou periga amargar uma temporada igualmente decepcionante em 12/13.
Nos últimos anos, as críticas simplesmente resvalavam no Barcelona. Para os analistas mais conscientes, era óbvio que o elenco era curto, que algumas das improvisações "geniais" de Guardiola eram meros "tapa-buracos" e que haviam lacunas de qualidade dentro da equipe, mas tudo era deixado de lado por conta das sucessivas vitórias. O sucesso censurou qualquer eco negativo no Camp Nou. Agora o barulho voltou.
Os danos vão até mais longe. Esses dois fracassos específicos afetam o próprio desempenho de uma equipe que jogava sempre com a certeza de que alcançaria o gol, independente das circunstâncias. Como lidar com a acachapante realidade de que, no momento em que mais foi preciso, Messi falhou? Em um jogo amarrado, onde Xavi e Iniesta tiveram apenas atuações regulares, seu camisa 10 parou no bloqueio inglês, desperdiçou um pênalti e seguiu no jejum de nunca ter marcado contra o Chelsea. O nervosismo do argentino era evidente.
Por muito tempo contestado por sua inabilidade de repetir na seleção argentina as atuações do Barcelona, a Pulga sempre contou com o sucesso de seu clube para abafar essas vozes. Os questionamentos sobre a capacidade de Messi atuar com a genialidade costumeira em uma equipe que não tenha Xavi, Villa e Iniesta ganharam força novamente.
Que fique claro, todas as dúvidas e críticas são legítimas.
Um grande vilão do Barça ressuscitou nesta quarta-feira, o maior inimigo de qualquer equipe favorita e talentosa: a pressão. A cobrança será proporcional ao sucesso alcançado pelo clube nos últimos anos, afinal a mídia é implacável. Cobrará que se repita aquela hegemonia e dominância que encantou o mundo. Talvez não seja possível...
De agora em diante, e por algum tempo, o Barcelona vai navegar por águas mais revoltas até, através de vitórias, voltar aos céus de brigadeiro. Assim é o futebol.
