Ok, abusei no título. Não chego a achar que a convocação de Mano Menezes seja tão ruim a ponto de classificá-lo como amigo dos Hermanos, nossos adversários no amistoso que vem aí. Ainda assim estou longe de considerar essa lista ótima ou até mesmo boa. Para mim, Mano está pecando por estar com a síndrome de Jesus Cristo: quer agradar a todos e acaba não convencendo ninguém.
Explico: o treinador quer testar jogadores com idade olímpica, o que é certíssimo, mas os convoca apenas para observá-los nos treinos. Por que então não acompanhar os jovens nos seus clubes e convocar esses garotos apenas quando o adversário for menos forte para testá-los de fato? Não vejo necessidade em levar Neto, Rafael e André. São nomes que vão ficar no banco e nada vai acontecer. Por que não chamar Julio Cesar, Maicon e Luis Fabiano para sentir o clima com os jogadores que foram comandados por Dunga? É a hora de conferir quem está mesmo afim de continuar vestindo a Amarelinha e quem prefere ficar em casa.
Outro ponto é o excesso de brasileirização. Não há tantos bons nomes jogando aqui no Brasil, não faz sentido "forçar" convocações para valorizar o campeonato nacional. Jefferson, Réver, Jucilei e Elias não são jogadores ruins, pelo contrário, são muito bons no cenário brasileiro, mas não têm futuro na Seleção. São nomes muito discutíveis e que estão travando a remontada do time e a mistura do novo com a experiência. Lúcio, Juan, Elano, Kaká, esses nomes deveriam fazer parte do universo de jogadores a serem convocados. Não dá para ignorar gente que foi bem e vem bem há muito tempo só para dar uma moral para quem joga no Brasil.
Ronaldinho Gaúcho é caso a parte. Já teve mil chances, poucas vezes retribuiu a confiança depositada como deveria. Por outro lado, é difícil não achar que alguém com seu talento e sua carreira não mereça pelo menos um lugar no banco de reservas. Se aceitar esse papel, Gaúcho é muito bem vindo no planejamento de qualquer treinador. Vale a aposta, e vamos esperar que agora ela corresponda.
No final das contas, o que eu gostaria que o Mano entendesse é que ele está dando os passos certos, mas ao mesmo tempo, e isso não costuma dar certo. Houve jogos para se chamar jovens e apostas, e há jogos para fazer a "mistura final" entre os novos e os velhos. Contra a Argentina era a hora de já ter em mãos esse mix de jogadores, enquanto em jogos mais tranquilos o ideal seria escalar a molecada com dois ou três atletas mais experientes. Aí sim acho que a renovação acontece do jeito ideal, dando oportunidades no momento certo e mantendo o time competitivo em ação. Fica claro quem é a base e quem briga por vaga.
Vamos Mano, não me decepcione agora!
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
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