A polêmica é o que alimenta o futebol, e nesse aspecto o clássico entre Santos e Corinthians foi um prato cheio e que vai demorar para acabar. Só que melhor do que comentar "O" lance do jogo é comentar a repercussão do caso.
Indo por partes, é óbvio que Neymar errou em dar o "balãozinho" em Chicão. Pior que isso foram as declarações do jovem, dizendo que só fez a firula porque "deu vontade". Todos têm o direito de errar, principalmente um garoto que está começando no futebol e que experimenta uma ascenção meteórica. Isso não é pecado. Neymar vai aprender, por bem ou por mal, que isso não se faz.
Mais preocupante é a postura de muitos ligados ao futebol, que acham o lance uma beleza, uma manifesta pura do "futebol-arte", que suportam essa atitude anti-desportiva. Por que fazer cera e prender a bola do adversário é reprovável e um drible que tem a mesma função com a partida parada é uma beleza? Muita gente perdeu completamente a noção do que é futebol.
As declarações de Chicão podem ser contundentes, já que foram dirigidas à "nova jóia do futebol brasileiro", título do qual eu discordo. Está na hora de colocar o menino da Vila em seu lugar. Neymar foi elevado à um patamar ridiculamente alto em um tempo ridiculamente curto. De fato, a temporada do jovem está sendo muito boa e ele mostra potencial para ir longe, mas estamos falando de um Estadual. Existem pessoas pedindo a presença de Neymar na Seleção Brasileira porque ele está jogando bem no Paulistão. Será que ninguém percebe o quão exagerado isso é?
Voltando ao assunto principal, Chicão está certo: Neymar parece um menino mimado, que se sente intocável e genial. Não é culpa dele. A culpa é de muita gente que não percebe que está elogiando o que é para ser criticado e não guarda nenhuma reprimenda para o "pequeno gênio". Não é surpresa que, em meio à elogios sem fim, um jovem acabe se deixando levar.
Ao mostrar o patético (sim, patético) lance do menino está passando a mensagem: ridicularize seu adversário, faça o que quiser, você está acima do bem e do mal. E isso tudo sem nunca ter levantado um caneco ou ter sido decisivo em uma competição. Depois reclamam das promessas brasileiras que se perdem e nunca atingem seu pleno potencial...
terça-feira, 2 de março de 2010
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Um comentário:
Se fosse num Brasil e Argentina...
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