Demorou, mas a discussão voltou. Infelizmente vimos na partida entre Stoke City e Arsenal mais uma daquelas lesões para quem tem estômago forte. Mais triste ainda é que a vítima é um jovem talentoso, Aaron Ramsey, de apenas 19 anos. Mas talvez o que seja a cereja do bolo e, de fato, comece a discussão é a reação de Ryan Shawcross, o zagueiro envolvido na terrível dividida, após ver o resultado do lance.
Logo começa a "caça às bruxas" e a taxação do pobre Shawcross como mais um simples "brucutu" do futebol inglês, outro daqueles botinudos que só sabem bater e nada mais. Bobagem. Com méritos, Shawcross está na lista de convocados de Fábio Capello para a Seleção Inglesa e é provável que vá à África do Sul, por que não?
Ok então, digamos que o zagueiro tenha sido apenas imprudente na divida. Concordo. De fato, o lance mostra a habitual "força" do futebol jogado na Premier League. O problema é que parece que passamos a julgar os jogadores pelo resultado final do lance. Uma jogada como essa não é rara, acontece vez ou outra em quase todos os campeonatos do mundo. Acredito eu que o juíz não teria dado nada além de um cartão amarelo para Shawcross, não fosse a fratura de Ramsey. Gostem ou não, é o padrão inglês de arbitragem.
Agora eu pergunto, sem querer atuar como advogado do jogador do Stoke: a dividida só aconteceu porque ambos os jogadores não desistiram da jogada. Tanto Shawcross quanto Ramsey usaram de "força desproporcional" na disputa. Ninguém tirou o pé (o que eu julgo louvável). Então o atacante não foi tão imprudente quanto o zagueiro? Será que se o lesionado fosse o jogador do Stoke alguém estaria criticando o jovem Gunner de ser um brutamontes e pedindo sua suspensão por tempo indeterminado?
Não podemos comparar esse lance com o de Eduardo da Silva e Martin Taylor, dois anos atrás. Apesar de não taxar o zagueiro do Birmingham como um verdadeiro mal-caráter, ele sim abusou e foi extremamente imprudente na entrada que lesionou o brasileiro/croata. Taylor entrou forte, desnecessariamente, e Eduardo teve azar. A conjunção desses fatores levou à terrível lesão do camisa 9 do Arsenal. Merecia uma punição maior? Valeria discutir. Em defesa de Taylor, lembro que até a expulsão na partida contra os Gunners, o zagueiro tinha poucos cartões amarelos e acho que nenhum vermelho (não tenho os números exatos, infelizmente, mas vale conferir). No fim das contas, a polêmica era grande e não é fácil tomar qualquer decisão que seja considerada "justa".
Os atletas não podem ser julgados pelo resultado final de suas jogadas. Para mim a expulsão de Shawcross é até justa, e a suspensão de 3 jogos fará com que o zagueiro coloque a cabeça no lugar e possa voltar aos campos mais tranquilo. Já para Ramsey, a caminhada de volta aos gramados será mais longa e complicada, e espero (acho que todos) que ele possa voltar a mostrar o bom futebol que tem. A questão, para mim, é que parece é que, independente do que aconteça, zagueiros são vilões e atacantes são os defensores do bem. Vamos com calma. Cada caso é um caso e, nesse em especial, acho que muita gente está sendo injusta com o pobre Shawcross, que não é nenhum bandido.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
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