Em 1996, Wenger chegou ao Arsenal com um excelente projeto em mente, e teve competência suficiente para fazê-lo vingar. Com uma política de investimento em jovens, peneirou e lapidou diversos talentos para encorpar um time que tinha cara "dura" do futebol inglês na época. Teve sucesso e foi abraçado pela torcida, no que se tornou o começo de uma verdadeira dinastia de - até agora - 16 anos. Mas após dez, doze anos no comando do mesmo time, era evidente que uma renovação seria necessária, e foi aí que o treinador tropeçou.
Nenhum técnico está livre de erros. Arséne Wenger acreditou que uma nova fornada de garotos seria capaz de manter o Arsenal na briga pelo topo por três ou quatro anos enquanto talentos mais maduros seria pinçados. Em pouco tempo esse plano se mostrou falho, e o grande problema foi a incapacidade do manager de assumir isso. Deveria ter abortado essa linha nos primeiros sinais de que o nível de exigência nos campeonatos europeus já era muito mais alto do que antes. Insistiu. O resultado são campanhas pouco convincentes - a atual, até vexatória - tanto no Campeonato Inglês quanto nas Copas nacionais e, claro, na Champions League.
Não é difícil pensar em reforços que tornariam o Arsenal um time bem mais competitivo. A questão é que com a política "Wenger" de transferências e toda a atenção voltada para a base, o investimento em jogadores formados é praticamente nulo. Quando houve algum acerto envolvendo um atleta com mais de 25, 26 anos, a grande maioria foi de nomes que serviriam apenas para compor elenco. O Arsenal não protagonizou compras que abalassem o mercado ou destacassem o clube; sempre buscou ingredientes que engrossassem o caldo do time. Não bastou.
Impossível não acreditar que os dirigentes dos Gunners não estejam compartilhando o sentimento da torcida e dos analistas esportivos. Os coros contra Wenger são mais fortes do nunca e, há tempos, constantes nas arquibancadas do Emirates Stadium. Começaram como um fraco burburinho, anos atrás, mas com a relação entre manager e clube cada vez mais deteriorada por conta da falta de resultados, hoje ouve-se uma sonora vaia a cada decisão errada que o francês toma. Wenger não tem mais o direito de errar e, nesta altura dos campeonatos, dificilmente conseguirá virar o jogo e ganhar uma nova sobrevida no comando do clube.
Interessados, comecem a sondar o francês. O ciclo terminou.

Nenhum comentário:
Postar um comentário