Acabou o Brasileirão! Hora de analisar as equipes e suas campanhas em 2011 para planejar um 2012 melhor. Em meio a sucessos e decepções, ficam as belas histórias escritas ao longo da temporada por quem acabou o ano sorrindo e as lições dos fiascos vividos por outros clubes. De cima para baixo, vamos comentando os principais destaques (positivos e negativos) deste campeonato.
Não há muito o que falar sobre o campeão. O Corinthians passou, desde o início do torneio, a impressão de ser a equipe mais sólida e confiável. Tinha a disposição um banco com boas peças, e Tite soube aproveitá-las quando preciso, e mais de uma vez suas substituições resultaram em - de fato - mudanças no jogo que garantiram ao time pontos preciosos. A morte do ídolo Sócrates no dia da decisão deu a conquista ares ainda mais poéticos, tornou-a memorável em aspectos extra-campo. Um título verdadeiramente corinthiano.
É preciso destacar também a participação grandiosa do Vasco no campeonato. Depois de um início de ano tenebroso veio a fantástica recuperação que culminou com o troféu da Copa do Brasil sobre o competente time do Coritiba. Houve quem jogasse confetes imediatamente, mas também os que mantiveram a qualidade do elenco em dúvida. O resto do ano tratou de evidenciar que os jogadores do Vasco ainda tinham muito a mostrar, especialmente no que diz respeito a garra, entrega e dedicação. Sinônimos, talvez, mas que levaram o clube a disputar vivamente outros dois títulos em 2011. Não foi possível dedicar uma nova taça ao técnico Ricardo Gomes, que sofreu um AVC durante o Brasileirão e entregou o comando do time ao - bom - interinio Cristovão, mas o que foi oferecido pelos atletas do Vasco ao treinador e à sua torcida é ainda mais valioso que o frio adorno feito de metal.
Fluminense e Flamengo usaram o tinham de melhor ao seu dispor para conseguirem alcançar seus objetivos "parciais". Sonhando com o título, acabaram sofrendo com os elos fracos de suas equipes, mas conseguiram chegar na Libertadores graças aos seus destaques individuais: tanto Fred quanto Ronaldinho fizeram valer (em maior ou menor parte) os salários que ganham e a confiança depositadas. Ainda que oscilando durante a competição ou ficando parte dela de fora, quando tiveram a chance foram decisivos e anotaram pontos essenciais para seus clubes na briga no alto da tabela. A perspectiva para o ano que vem é boa, mas tanto o Tricolor quanto o Rubronegro tem trabalho pela frente se quiserem chegar na disputa por um troféu em 2012.
Figueirense e Coritiba surpreenderam muita gente. Em ambos os casos, os resultados alcançados pelos times podem ser explicados pela mesma soma de fatores: bom trabalho do corpo técnico + dois ou três destaques individuais + equipe coesa tecnicamente + regularidade. Essa expressão, que leva inevitavelmente ao sucesso, garantiu que os dois clubes saíssem do torneio em alta, ainda que tenham ficado de fora da Libertadores. Será difícil não sofrer com um desmanche parcial durante a janela de contratações, mas mantendo essa linha de trabalho, as duas torcidas podem sim sonhar com novos sucessos na temporada que vem.
As pequenas decepções vieram através de clubes que brigaram em cima mas ficaram aquém do esperando, e também por aqueles que foram meros coadjuvantes (ou até mesmo viveram ameaçados pelo rebaixamento) durante a competição.
O Internacional, mais uma vez, não conseguiu ocupar o lugar que se esperava dele. Com bons jogadores no elenco, sofreu com trocas de técnico e a lesão de seu principal atacante, o ótimo Leandro Damião. Sem dúvidas isso atrapalhou a campanha Colorada, mas já passou da hora do Internacional parar de achar desculpas (verdadeiras ou não) e voltar a lutar pelo título até o fim do Brasileirão, o que a qualidade de seus jogadores e a boa estruturam que tem a disposição sugere.
Em 2011, o São Paulo viveu situação parecida, embora com uma equipe um degrau abaixo do Inter. O pior talvez seja a herança deixada para o ano que vem: a certeza de que haverá uma caça às bruxas exagerada e o comando entregue nas mãos de Leão, um treinador que carece de trabalhos mais consistentes para ocupar o cargo no Tricolor Paulista.
Descendo um pouco na tabela, o Botafogo frustrou seus torcedores na reta final. Depois de brigar vivamente pela vaga na Libertadores, tropeços bobos acumulados ao longo da competição cobraram seu preço e, a queda de rendimento em um momento inoportuno resultado na saída do treinador. Com a desgraça anunciada, o Alvinegro apenas cumpriu tabela nas últimas rodadas e vai começar 2012 com a cabeça inchada e sob extrema desconfiança. Enquanto isso, o Palmeiras viveu um Brasileiro de marasmo que irritou sua torcida. Felipão cometeu deslizes, especialmente na parte de "gerência humana", seu principal defeito. Por outro lado, o elenco era mesmo limitado e vai obrigar o técnico a passar noites em claro para remontá-lo.
O purgatório do campeonato foi vivido por times em diferentes situações. O Santos tocou o Brasileiro de maneira morna. Desde a metade do ano com a cabeça no Japão, para a disputa do Mundial de Clubes, o resultado não poderia ter sido diferente. Já Grêmio, Atlético-GO e Bahia passaram o torneio sem empolgar suas torcidas por conta de sua qualidade/competência. Para o Dragão, que até chegou a ter bons momentos na competição, valeu a permanência na elite. O Bahia celebrou a fuga do descenso e, de quebra, uma vaga muito merecida (pela história do clube) na Sulamericana. Para o Grêmio, foi um ano sem grandes emoções de maneira geral, mas que termina com saldo positivo pela recuperação acontecida no segundo turno: a primeira metade do campeonato para o Tricolor Gaúcho foi terrível.
O Cruzeiro viveu o inferno durante todo o Brasileirão. Viveu o extremo oposto da realidade experimentada pelo Vasco, com um início de ano muito promissor e que, lentamente, foi desandando. Desmantelou seu elenco ao longo do ano, não repôs as saídas como deveria e terminou lutando ferrenhamente contra o rebaixamento. O prêmio de fiasco do ano só não veio por conta da contribuição "muy amiga" do maior rival, o Atlético-MG. Com a chance de rebaixar a Raposa na última rodada e, de lambuja, garantir uma vaga na Copa Sulamericana, o Galo tomou uma surra memorável no jogo mais importante de sua história recente. A última rodada deste Campeonato Brasileiro vai demorar para ser esquecida em Minas pelas duas torcidas...
Nos rebaixados, nenhuma surpresa. De fato, disputarão a Série B do ano que vem os times menos competentes que ingressaram no Brasileiro de 2011. O América-MG até ensaiou uma reação, mas foi tarde demais. Faltou time e um rendimento melhor dentro de casa. O mesmo vale para o Avaí, que fez uma campanha terrível tanto diante de sua torcida quanto fora de Florianópolis. O Ceará sofreu com uma equipe limitada, e apostou demais na força de sua torcida no Castelão. Acabou não dando certo. Quem foge um pouco dessa regra é o Atlético-PR, que ensaiava uma queda há algum tempo, algo compreensível pelo momento administrativo que vive. É preciso destacar como a torcida abraça o clube, mesmo em uma hora complicada, por saber exatamente a realidade que vive. Rebaixada, cantou até o fim do jogo e, sem dúvidas, estará de volta à Série A em pouco tempo pela estrutura que tem.
Quanto aos melhores jogadores, relevações e seleção do Brasileirão, deixarei isso para um outro post. A escolha não será fácil e merecerá algumas considerações importantes...
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
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